Valente como um rato!
Há muitas maneiras de ser valente. Às vezes, a coragem aparece diante de um perigo enorme; outras vezes, ela cabe num gesto pequeno: permanecer ao lado de alguém quando seria muito mais fácil ir embora.
Em "Valente como um rato" um rato e um peixinho dourado estão brincando quando três gatos assustadores surgem buscando confusão. Diante da ameaça, o pequeno rato tem uma ideia arriscada e valente para proteger seu companheiro.
Essa é uma história simples, mas que toca em uma das experiências mais importantes da vida: a amizade e tudo aquilo que somos capazes de fazer por alguém de quem gostamos.
Um amigo pode ser uma espécie de abrigo quando as coisas dão errado. É aquela pessoa que procuramos quando não sabemos o que fazer, que aparece quando precisamos de ajuda, e até escuta uma mesma história dezenas de vezes porque precisamos tirá-la do peito mais uma vez. Um amigo oferece companhia quando o mundo parece grande demais ou simplesmente se senta ao nosso lado quando não há nada que possa ser feito. Achou pouco? Pois tem mais.
Existe uma prova de amizade talvez ainda mais difícil que amparar um amigo nas horas ruins: saber estar presente quando tudo dá certo. Um amigo verdadeiro sofre com a nossa tristeza, mas também se alegra sinceramente com a nossa felicidade. Aquele que comemora quando conseguimos algo que desejávamos muito. Há uma generosidade imensa em olhar para a alegria de alguém e dizer, de coração inteiro: que bom que isso aconteceu com você!
Por isso talvez não seja tão importante ter muitos amigos, mas sim bons amigos. Pessoas que podemos contar uma conquista sem precisar diminuí-la ou pedir desculpas por estar contente.
Quando somos crianças, talvez fazer amigos seja mais fácil. Basta perguntar "quer brincar comigo?" Depois crescemos tudo parece ficar mais complicado.
Por isso penso que a infância talvez seja justamente o momento em que mais devemos aproveitar as amizades. Brincar muito juntos. Inventar segredos. Correr. Dividir descobertas. Fazer as pazes depois de uma briga. Aprender a emprestar, esperar, defender, consolar e comemorar.
"Valente como um rato" fala de coragem, mas, para mim, falou sobretudo daquele tipo de coragem que nasce quando alguém é importante para nós.
Um livro feito por Nicolo Carozzi e publicado pela VR Editora.
Vanessa Marconato Negrão é professora e sócia efetiva da Academia Sorocabana de Letras