E se o museu fosse mágico?
Quadros que falam, obras que saem do lugar, dinossauros pelos corredores e até viagens no tempo: crianças contam como seria o museu dos seus sonhos
Você já imaginou entrar dentro de um quadro? Ou encontrar um dinossauro passeando pelo museu? Para algumas crianças, isso não seria nada estranho. Afinal, quando a imaginação entra em cena, um museu pode se transformar em um lugar cheio de aventuras.
Antonella De Luca Badaró, de 9 anos, já visitou o Musée d'Orsay, em Paris, e o Museu de História Natural, em Londres. Uma das experiências de que mais gostou foi uma exposição especial e interativa de Van Gogh. "Parecia que a gente entrava dentro da arte", conta.
Por isso, se pudesse escolher uma obra para levar para casa, Antonella levaria um quadro de Van Gogh. E, se o museu fosse mágico, ela gostaria de entrar de verdade nas pinturas e passear por elas. A ideia lembra uma experiência que teve em Paris e também um gibi da Turma da Mônica que sua mãe mandou fazer com uma versão dela dentro da história.
Se pudesse conversar com Van Gogh, Antonella teria várias perguntas. Ela gostaria de saber por que o artista escolhia aquelas cores e como imaginava os quadros antes de começar a pintá-los.
O museu imaginado por ela também teria bailarinas, dinossauros, fósseis e Banguela, seu personagem favorito de Como Treinar o Seu Dragão. As pessoas poderiam sentir as coisas, tocar, escrever, desenhar e assistir a vídeos. Tudo para viver a arte de um jeito diferente.
O nome dessa exposição já está escolhido: "Uma viagem dentro da arte e do tempo".
Obras que ganham vida
Beatriz Ferreira Barros, 6 anos, também tem suas próprias ideias para um museu mágico. Se um quadro pudesse falar, ela imagina que ele diria: "Temos um visitante hoje!"
Entre as obras que gostaria de levar para casa está o Abaporu, de Tarsila do Amaral. Ela também escolheria O Sapo, da artista, para ganhar vida e seria a Cuca se pudesse virar personagem de uma obra de arte.
Para Beatriz, os objetos do museu conversam quando ninguém está olhando. E, se tudo fosse mágico, "tudo ia ficar sujo de tinta, porque todo mundo ia ficar se movendo".
Sua exposição teria algumas coisas que colocam a foto do quadro dentro e também estátuas. O nome seria "Museu de Todos".
E diversão não poderia faltar. Beatriz escolheria uma caça ao tesouro em vez de uma visita guiada e diz que um museu divertido precisa ter tinta colorida.
Mas e se aparecesse um dinossauro? Beatriz já sabe o que faria: ficaria limpando as pegadas que ele deixasse pelo caminho, como o robozinho do filme Wall-E. Para cuidar do museu, seu mascote seria um gato. "Se ele pisar em alguma coisa, não desmonta", explica.
Um museu do jeito de cada um
Antonella Monea Rabello, 8 anos, também imagina um museu onde as obras não ficariam paradas. Para ela, se o lugar fosse mágico, "todas as obras e as esculturas sairiam do lugar e falariam".
Se um quadro pudesse conversar, ela imagina que ele poderia dizer que está cansado de ficar parado olhando os visitantes. E ainda teria um superpoder especial: falar português, inglês, italiano e todas as línguas.
Antonella escolheria obras de Tarsila do Amaral, especialmente o Abaporu, e seria a Mona Lisa, que viu na MIS Experience. Na exposição que criaria, colocaria suas próprias artes, seu cachorro, suas pulseiras, maquiagens, vários cachorros, muitos bichos e até animais marinhos.
O nome seria "Representando Eu". Para explorar esse museu, ela gostaria de ter "super olhos" para enxergar cada detalhe. Também gostaria de voar para observar as coisas de cima e não precisar ficar andando. E, se pudesse tocar em alguma coisa que normalmente não pode, sua resposta seria simples: tudo.
Dinossauros também
entram na brincadeira
Se depender de Pedro de Oliveira Costa Nader, de 8 anos, os dinossauros teriam um espaço garantido no museu. Ele já visitou o Museu Afro e um museu de dinossauros, que foi o seu preferido. O motivo? Havia um dinossauro do lado de fora e até uma planta que dava para comer.
Se pudesse dar vida a uma estátua, Pedro escolheria justamente o gigantesco dinossauro que fica fora do museu. E, se encontrasse um dinossauro passeando pelos corredores, não sairia correndo. Ele chegaria perto e diria: "Oi. Quer ser meu amigo?"
Na hora de viajar no tempo, Pedro iria para a época dos dinossauros. E sua exposição teria um quadro do Brasil ganhando a Copa. Para ele, as histórias também não poderiam faltar no museu.
Um lugar cheio de histórias
João Victor de Oliveira Costa Nader, de 8 anos, já visitou o Museu Afro e o dos Bonecos de Olinda. Foi o museu de Olinda de que mais gostou, principalmente por causa dos bonecos.
Para João Victor, um quadro poderia dizer que é muito legal ficar no museu. E, se o lugar fosse mágico, "ia ter um monte de histórias para serem contadas".
Ele também acredita que os objetos conversam durante a noite. Sobre o que eles falariam? "Sobre as pessoas que vêm lá."
João Victor criaria uma exposição sobre a Copa. Se um dinossauro aparecesse no museu, ele faria uma foto. E, para deixar o lugar mais divertido, colocaria um livro. No fim, quando perguntado sobre o que acha interessante nos museus, sua resposta foi simples: "As histórias, e que é muito legal ir lá."
Quadros que voam
Isabela de Oliveira Costa Nader, de 8 anos, já visitou o Museu Afro, o dos Bonecos de Olinda e um museu em Minas Gerais. O seu preferido foi o Afro porque, segundo ela, o lugar conta muitas histórias de pessoas africanas e tem muita coisa legal.
Se um quadro pudesse falar, Isabela imagina que ele pediria para sair dali: "Deixa eu sair daqui." A obra poderia até pedir que as pessoas a tirassem do lugar, porque estaria cansada de ser tocada e observada.
Se pudesse levar uma obra para casa, Isabela escolheria um dinossauro. E, em um museu mágico, os quadros voariam e conversariam com os visitantes.
Ela também acredita que os objetos conversam à noite, quando não há ninguém por perto. Em uma de suas ideias para uma exposição, Isabela colocaria histórias sobre livros. Entre as coisas que mais chamaram sua atenção no museu estão ferramentas que ela nunca tinha visto antes.
Um leão no quarto e
personagens de desenho
Isabela Monteiro Mota, de 8 anos, gosta de observar as obras porque acha que algumas são interessantes, enquanto outras são "esquisitas", "anormais" ou normais. Em um bate-papo no Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba (Macs), Isabela falou que gosta de obras que falam sobre emoções, além de fotos, animações e vídeos.
Uma das experiências de que mais gostou foi no Museu Catavento, onde viu uma atração que fazia o cabelo arrepiar. Ela também gostou do museu do Zooparque de Itatiba, que visitou com a escola, principalmente das estátuas de animais.
Se pudesse levar alguma coisa do Zooparque para casa, escolheria um leão. E já sabe onde colocaria o animal: "Eu ia levar e deixar ele lá no meu quarto."
Isabela também gosta de desenhar, criar e fazer coisas. Visita o Macs com frequência com a avó, Marta. Quando imagina sua própria exposição, pensa em uma mistura de arte e animação, com personagens e desenhos. O nome que inventou foi "Os personagens grandões".
Isabela também gosta de antiguidades e conta que gostaria de conhecer objetos de épocas muito antigas, como os do século de Jesus Cristo. E, se pudesse ser um personagem, escolheria o Pikachu.
Durante a visita ao Macs, uma das coisas que mais chamou sua atenção foram as pequenas casas, bonequinhas, brinquedos, passarinhos, um campinho de futebol e outros detalhes de uma representação de comunidade. Ela achou as cenas da exposição "Etnogênese O que é, e o que pode ser" bonitas e realistas. "É quase que brincar de casinha", finalizou.