Futebol de família: pequenos seguem os passos de pais e irmãos

Alex, de 5 anos, e Kennedy, de 9, crescem cercados por histórias da várzea e do futebol profissional e começam a construir seus próprios sonhos no esporte

Por Murilo Aguiar

Alex dando os seus primeiros passos no campo

O futebol faz parte da rotina de Alex Veron de Souza, de 5 anos, e Kennedy Lucca Monteiro Hessel, de 9, desde antes de eles darem os primeiros chutes na bola. Cercados por familiares que construíram histórias na várzea, nas quadras e até no futebol profissional no exterior, os dois agora começam a escrever seus próprios capítulos no esporte.

Alex tem no pai e nos irmãos suas primeiras referências. Filho de Carlos Eduardo Bezerra de Souza, o Du, ex-jogador de várzea e atual treinador do Juventus Vila Barão, que disputa a terceira divisão da Taça Baltazar Fernandes, o garoto começou a brincar com a bola ao lado do pai e dos irmãos, Deivid Leandro de Souza, o Pit, e Eduardo Fabrício de Souza, o Du Love.

A ligação com o futebol aparece até no nome. Segundo Carlos Eduardo, Alex foi batizado em homenagem a Alex, ex-meia que marcou época com a camisa do Palmeiras. Aos 5 anos, o pequeno já sabe o que mais gosta de fazer em campo. "Fazer gol e cabecear", conta.

O cabeceio, inclusive, é uma das lições ensinadas pelo pai. Fora das quatro linhas, Alex também acompanha Du no futebol amador. "Gosto de assistir aos jogos do Juventus da Vila Barão."

A referência do futebol profissional está dentro de casa. Seu irmão Eduardo Love atua pelo Belenenses, em Portugal. A distância faz Alex sentir "muitas saudades", mas não impede que acompanhe o irmão. Com a ajuda da mãe, assiste aos jogos e vídeos pelo Canal 11 e pelo YouTube.

Quando Eduardo está em casa e os dois podem jogar juntos, porém, Alex garante que leva a melhor sobre o irmão mais velho. "Eu ganho, faço gol", responde, aos risos. Para o futuro, já imagina seguir um caminho parecido. Além de querer "viajar muito", sonha em vestir a mesma camisa do irmão. "Queria jogar no Belenenses também."

E os planos do pequeno vão além. Perguntado sobre seu maior sonho no futebol, Alex responde que gostaria de jogar ao lado de Neymar e Mbappé.

Uma nova geração

A história não para em Alex. Os irmãos de Carlos Eduardo, Teófilo Alves Monteiro, o Tuca, e Gilson Alves Monteiro, o Cavo, também passaram pelos campos da várzea. Assim, a bola foi ocupando espaço entre diferentes integrantes da família.

A ligação continua com Gilderson Alves Monteiro, o Gil, filho do Cavo, sobrinho de Du e Tuca, e pai de Kennedy. Gil também passou pelo futebol de várzea, jogou em Votorantim e chegou ao futsal profissional na Suíça. Agora, é justamente no pai que Kennedy encontra sua principal inspiração para tentar continuar essa história.

Kennedy começou a jogar aos 4 anos, incentivado pelo avô. Crescer cercado por familiares ligados ao esporte, segundo ele, aumentou ainda mais sua vontade de jogar.

Entre as histórias contadas pelo pai, uma ficou especialmente marcada: a conquista de um título de forma invicta na Suíça, superando a equipe que havia sido campeã anteriormente.

Kennedy também guarda lembranças de quando acompanhava Gil em campo. Uma delas, porém, provocou preocupação. Em uma partida, viu o pai no chão após quase machucar o joelho. "Fiquei com medo de ele ter se machucado, mas logo se recuperou", lembra.

É observando o pai que o menino também procura aperfeiçoar o próprio jogo. Kennedy conta que treina bastante os chutes com a perna esquerda e presta atenção principalmente nos dribles de Gil para tentar reproduzi-los quando está com a bola.

Aos 9 anos, ele joga como ala e diz gostar de marcar gols e "dar o tapa na frente". Para o futuro, já estabeleceu seus objetivos: quer se tornar jogador profissional, defender o Palmeiras e chegar à seleção brasileira.

Além de Tuca, Cavo, Du e Gil, os irmãos mais velhos de Alex, Deivid, o Pit, e Eduardo Love, também fazem parte da história da família no esporte. Enquanto Eduardo já levou o sobrenome da família ao futebol português, Alex e Kennedy estão no início de suas trajetórias.

Entre as histórias construídas pelos mais velhos e os sonhos dos mais novos, a bola continua passando de geração em geração. Para Kennedy, o significado de seguir esse caminho pode ser resumido em poucas palavras. O futebol, diz ele, representa "um sonho que quero realizar".