Equilíbrio sobre rodas
Aprender a andar de bicicleta e de patins envolve coragem, tombos, descobertas e muita vontade de tentar de novo
“É como andar de bicicleta, nunca se esquece.” O ditado popular é muito conhecido, mas como será aprender a andar de bicicleta? Como acontece esse processo? Primeiro, vem a bicicleta de equilíbrio, sem pedais. Depois, as rodinhas de apoio e, finalmente, as primeiras pedaladas sem elas. No caminho, aparecem o medo, a coragem, a alegria, o desequilíbrio e, às vezes, joelhos e cotovelos ralados.
A pequena Luisa Theodoro Barbosa, de 5 anos, já aprendeu a andar de bicicleta sem rodinhas. O marco aconteceu há apenas um mês. Desde então, ela exibe a nova habilidade e, ao chegar ao Parque Dom Quixote, no Mangal, anuncia sua passagem pelo tilintar da bicicleta vintage lilás, que tem uma cestinha na frente.
A veterinária Victória Theodoro Barbosa, mãe de Luisa, conta que até hoje não sabe andar de bicicleta. “Eu tentei, comprei bicicleta, mas morro de medo, tenho medo de me ralar”, confessa. No entanto, o pai de Luisa ajudou a filha durante o processo. Destemida, a pequena dá uma aula de coragem e, quando perguntada sobre como foi aprender, responde rapidamente: “Legal!”.
Aos 4 anos, Pedro Henrique Jeremias Bezerra, hoje com 10 anos, aprendeu a andar de bicicleta. O início foi com as rodinhas de apoio, mas, como conta a mãe, a dona de casa Alessandra Jeremias Bezerra, Pedro sempre foi ativo.
“O Pedro começou a andar com as rodinhas. Ele sempre gostou de brincar, nunca gostou de ficar assistindo ou parado. Quando ganhou a bicicleta, andava sempre e aprendeu rápido”, conta Alessandra.
Acompanhando o filho, ela o levava para brincar e andar de bicicleta em uma praça próxima de casa. “Minha mãe me levava na rua para andar de bicicleta”, conta Pedro. Depois que aprendeu, ele afirma: “Andar de bicicleta é como andar, não dá para esquecer”.
No entanto, aprender uma coisa nova, às vezes, significa sentir dor. O desequilíbrio, um ralado, o medo. Mas também é preciso ter coragem para levantar, esperar sarar e tentar de novo até conseguir. Foi assim com Rebeca Antiti Camargo, de 11 anos.
Mesmo depois de alguns anos, Rebeca conta que aprendeu a andar de bicicleta quando tinha entre 6 e 7 anos e ainda se lembra de como foi. “Caí muitas vezes, a sensação foi como se eu quisesse parar de andar, abandonar. Mas eu continuei com o incentivo do meu pai e da minha mãe”, conta.
O exemplo dos pais também serviu de inspiração. Em casa, eles são corajosos e ativos. “Me inspirei no meu pai e na minha mãe porque, na época, eles andavam de bicicleta e também corriam. Então me inspirei neles e consegui”, conta.
Desde que aprendeu, a habilidade ficou gravada na mente e no corpo, como se pedala. “Nunca mais esqueci, aprendi e isso ficou guardado na minha mente até hoje”, conta Rebeca. A coragem se multiplicou e, depois de aprender a andar de bicicleta, ela procurou novos desafios.
Dos pedais para as rodas
Para andar de bicicleta, é preciso muito equilíbrio. Já para andar de patins, além do equilíbrio, é necessário ter uma dose extra de proteção e coragem. “Me interessei pelo patins, agora ando de patins na pista de skate”, conta Rebeca.
Na pista de skate do Parque das Águas, em uma tarde durante a semana, muitas crianças se aventuram ao lado dos adultos, de skate e de patins. Algumas fazem aulas; outras se aventuram sozinhas, testando os próprios limites.
Cecília Caleffi Ferraz Cordeiro, de 8 anos, fazia aula de patins ao lado do irmão, Henrique Caleffi Ferraz Cordeiro, de 13 anos, que fazia aula de skate. O primeiro contato de Cecília com os patins aconteceu na escola, aos 7 anos. Desde então, ela pediu à mãe para aprender mais. “Eu queria muito aprender”, conta.
Em cima dos patins, usando joelheiras, cotoveleiras, luvas e capacete, Cecília aprendeu mais do que a se equilibrar e fazer manobras. “Dói, mas aprende. Cair faz parte, com o tempo vai ficando mais fácil”, conta.
O mesmo aconteceu com Melissa Yumi Takeuti Kato, de 9 anos. “Eu fui caindo, levei vários tombos para tentar dar uns pulos e descer rampas. Estou aprendendo ainda a andar de costas, já caí umas vezes. Machuca um pouquinho, mas depois você vai evoluindo”, conta.
A inspiração para aprender veio dos irmãos mais velhos e das outras crianças. “Vi bastante criança fazendo manobras, aí pensei comigo mesma:
‘Será que eu consigo?’. Aí comecei a tentar”, explica.
Quando somos crianças, tudo parece brincadeira, mas alguns aprendizados ficam para a vida. Mais do que aprender a pedalar ou deslizar sobre rodas, essas experiências ensinam sobre coragem, persistência e a importância de tentar novamente depois de uma queda.