Papa-taoca-do-sul
Nome popular: Papa-taoca-do-sul
Nome científico: Pyriglena leucoptera (Vieillot, 1818)
Olá, observador de aves! No meio da Mata Atlântica, entre folhas, cipós e bambus, vive uma ave que chama a atenção pelos olhos vermelhos brilhantes e pelo jeito agitado de se movimentar perto do chão. É o papa-taoca-do-sul, uma espécie que costuma permanecer escondida na vegetação, mas que pode ser percebida por seus assobios curtos e altos. Vamos aprender mais sobre ela?
Observe a foto! O macho é muito fácil de reconhecer com sua plumagem preta e brilhante, olhos vermelhos e manchas brancas nas asas. Nas costas também existe uma área branca parcialmente escondida pelas penas, que pode ficar mais visível em algumas posições, especialmente quando a ave está vocalizando. A fêmea é bastante diferente do macho. Sua plumagem é predominantemente marrom-amarelada ou parda, com as partes inferiores mais claras. A cabeça apresenta tons de marrom, cinza e oliva, enquanto o queixo e o centro da garganta são mais esbranquiçados. A cauda é mais escura. Apesar de todas essas diferenças, ela também possui os característicos olhos vermelhos. Mede entre 16 e 18 centímetros de comprimento.
Vive no sub-bosque de florestas úmidas, bordas de mata, clareiras com vegetação densa e áreas de vegetação secundária mais desenvolvida. É especialmente comum em locais com muitos cipós, arbustos e bambus, onde encontra abrigo e alimento. Mesmo podendo utilizar bordas e clareiras, evita ambientes muito abertos e prefere permanecer protegido pela vegetação.
Sua alimentação é formada principalmente por insetos e outros pequenos animais, como grilos, esperanças, gafanhotos, baratas, besouros, formigas e aranhas. Acredita que ela pode comer até pequenas lagartixas? Para encontrar comida, costuma procurar entre a vegetação baixa, normalmente entre o solo e cerca de três metros de altura, embora ocasionalmente possa subir bem mais. Ele salta de galhos baixos para o chão, procura pequenos animais entre folhas, cipós e ramos e pode até remexer a camada de folhas secas da floresta para descobrir presas escondidas.
Mas um de seus comportamentos mais interessantes acontece quando aparecem as formigas de correição. Essas formigas caminham em grandes grupos pelo chão da mata. Enquanto elas avançam pela floresta, muitos insetos e pequenos animais tentam fugir. Ela acompanha a movimentação e captura justamente essas presas que saem de seus esconderijos. Por isso, quando várias dessas aves aparecem agitadas e vocalizando no sub-bosque, pode ser sinal de que existe uma correição de formigas por perto.
O ninho é bem diferente do de muitas aves. Em vez de uma simples tigela aberta, o papa-taoca-do-sul constrói uma espécie de bola fechada de material vegetal, com uma pequena entrada lateral ou levemente voltada para cima. Costuma ficar muito próximo do chão, geralmente apoiado sobre folhas acumuladas, na base de pequenas árvores, em tocos, entre samambaias ou no meio de bambuzais e vegetação densa. Põe normalmente dois ovos, que possuem fundo branco ou branco-creme, coberto por pequenas manchas, pontos e linhas em diferentes tons de marrom, avermelhado, lilás e acinzentado. Machos e fêmeas participam da incubação durante o dia. As informações fornecidas indicam que provavelmente apenas a fêmea permanece incubando durante a noite.
Faça sua parte: A principal maneira de ajudar essa espécie é conservar as áreas de Mata Atlântica e, principalmente, seu sub-bosque. Não basta manter apenas árvores grandes: arbustos, cipós, bambus, folhas secas no chão e vegetação densa também são fundamentais para sua alimentação, proteção e reprodução. Evitar o desmatamento, preservar fragmentos florestais maiores, recuperar áreas degradadas com plantas nativas e manter a conexão entre diferentes áreas verdes são atitudes importantes. Também devemos evitar queimadas, retirada excessiva da vegetação baixa e uso indiscriminado de inseticidas próximo às áreas naturais. Afinal, proteger os insetos, a serapilheira e toda a diversidade do sub-bosque significa conservar não apenas o papa-taoca-do-sul, mas muitas outras espécies que dependem da floresta para sobreviver.
Fonte: Coaves Kids e Secretaria do Meio Ambiente, Proteção e Bem-Estar Animal de Sorocaba (Sema)