Menos tela, mais brincadeira
Bonecas, jogos, bicicletas e muita imaginação mostram que a diversão vai muito além das telas
Celular, tablet e videogame fazem parte da rotina de muitas crianças. Mas, quando a tela fica de lado, aparecem outras formas de se divertir: brincar de boneca, jogar bola, andar de bicicleta, inventar histórias, jogar um jogo de tabuleiro ou chamar os amigos para brincar.
Depois de assistir a "Toy Story 5", Luiza Martins Casagrande, 9 anos, saiu do cinema com vontade de brincar com seus brinquedos. Ela se identifica com Jessie, do filme, por ser corajosa e gostar de ajudar todo mundo. "Aprendi que ficar nas telas faz a gente não ter interação e brincar com os amigos. Saí do cinema querendo brincar com os meus brinquedos!"
Brinquedos que atravessam gerações
Antes dos celulares e tablets, muitos brinquedos já faziam parte da infância. Carrinhos, bonecas, jogos de tabuleiro, bolas, quebra-cabeças e blocos de montar continuam presentes e podem ganhar novas histórias a cada brincadeira.
Luiza gosta de bonecas tipo Barbie, da Rainbow High, e de squishies. Ela também tem uma boneca que guarda com carinho. "Tenho uma boneca que ganhei com 4 anos e dei o nome de Ganso (rs). Ele já viajou muito comigo e agora o meu priminho adora ela!"
Melissa Miwa Oliveira Koyama, 9 anos, também tem uma relação especial com suas bonecas. Uma delas, Luísa, é sua favorita desde que era pequena. "Tem várias que eu tenho história e são favoritas. Mas tem uma boneca que chama Luísa, que desde os meus 2 ou 3 aninhos era minha favorita, mas ela estava destruída, o corpo desmontando, o braço aparecendo o algodão, tudo estragado. Aí eu tive a coragem de jogar no lixo. Aí minha mãe me fez uma surpresa de comprar outra igualzinha para mim e ela é a minha boneca preferida. Mas eu ainda penso na outra que eu tive que jogar fora, que tinha meu cheirinho."
Quando brincar também é inventar
Melissa não gosta apenas de brincar com os brinquedos que já existem. Ela cria os próprios. Já fez uma sorveteria, uma banheira para as bonecas, uma maleta de médico, cartões de crédito e até um tablet de papelão.
Também inventou a "Escola Imaginação", em que suas bonecas são as alunas e as amigas assumem diferentes funções. "Eu adoro fazer ginástica, então brincar de apresentação de ginástica é sempre divertido. Também gosto de brincar com a 'Escola Imaginação' que eu inventei. Minhas bonecas são os alunos, minhas amigas trabalham na escola, cada uma é uma coisa, professora, auxiliar, diretora, tia da cantina entre outras."
Para Maria Eduarda Moreira de Araujo, de 11 anos, brincar com outras pessoas deixa tudo ainda mais divertido. "Os dois são legais, mas brincar com outras pessoas é mais divertido porque a gente conversa e cria coisas novas."
Lucas Bonani e Castro, 8 anos, também gosta de criar suas próprias brincadeiras. Seu brinquedo preferido é o bloco de montar, e ele conta que gosta de brincar com a mãe e o pai. "Eu monto os blocos com a mamãe e com o papai e eu gosto de criar coisas."
Para Lucas, os brinquedos também podem ganhar novas formas. Se pudesse inventar um brinquedo, ele criaria "um robozinho que pudesse criar coisas, como uma impressora 3D faz".
Brincadeira para todo lado
Cada criança tem sua brincadeira preferida. Luiza gosta de brincar com as amigas e diz que a queimada nunca perde a graça. "Gosto mais de brincar com as minhas amigas. Quando estamos juntas, brincamos por horas. Queimada é a melhor coisa pra brincar com várias crianças!"
Maria Eduarda escolheria bicicleta, patins, vôlei, um piquenique ou uma brincadeira com as primas.
Melissa gosta de bicicleta, patins, patinete, pular corda, pega-pega e esconde-esconde. Ela também inventa as próprias brincadeiras. Uma delas é uma apresentação de ginástica, que organiza com as amigas. Outra consiste em desenhar um parque de diversão na rua usando pedras brancas quando não têm giz.
"De ginástica. Eu que inventei e minhas amigas: 'O que seria isso?'. Eu falei: a gente treina, ensina uma para a outra, monta uma apresentação. Depois damos notas. E tem outra que eu inventei que a gente adora, pegamos pedras brancas nos jardins, quando não temos giz, e desenhamos um parque de diversão na rua."
Lucas também tem uma brincadeira que nunca perde a graça. Ele pega travesseiros e cobertas, coloca tudo no chão e transforma o espaço em uma cidade para os brinquedos. "Quando eu pego os travesseiros e as cobertas e coloco no chão e monto uma cidade e pego meus brinquedos e coloco em cima."
Ele prefere brincar com os amigos e gosta tanto das brincadeiras dentro de casa quanto das que acontecem ao ar livre. "Gosto dos dois. Em casa posso brincar com meus blocos de montar, mas fora posso correr e brincar com mais crianças."
Para Luiza, brincar também abre espaço para a imaginação. "Brincar me faz entrar em outro mundo, e faz eu pensar que posso ir pra qualquer lugar."
Uma aventura de brinquedo
O universo de "Toy Story" também desperta a imaginação das crianças. Para Lucas, Buzz Lightyear é o personagem favorito. "Porque ele acha que é um super-herói numa missão."
A cena preferida de Lucas é quando os brinquedos saem escondidos em cones laranjas para buscar Woody. Para ele, Woody e Buzz também deixam uma mensagem importante: "Que tem lugar para todos nesse mundo."
Se seus brinquedos ganhassem vida, Lucas já sabe o que eles fariam quando ele não estivesse olhando. "Eles iam pegar meus blocos de montar e iam montar uma cidade."
Ele também se identifica com Buzz Lightyear porque gosta de robôs. "Gosto do Buzz Lightyear porque ele tem uma roupa que parece um robô e eu gosto de robôs."
Depois do filme, ficou uma lição especial. "Aprendi sobre a força da amizade."
E a tela?
As crianças não precisam deixar a tecnologia de lado completamente. O importante é também encontrar tempo para brincar, conversar, ir ao cinema e estar com outras pessoas.
Maria Eduarda explica: "Acho que elas são legais para estudar, assistir filmes e jogar. Mas se a gente usa o tempo todo, acaba deixando de brincar, conversar e aproveitar momentos com a família e os amigos."
Luiza conta que, quando está com as amigas, às vezes nem lembra do tablet. "Quando estou com as minhas amigas tem vezes que nem lembramos do tablet."
Melissa também consegue passar bastante tempo longe do celular. "Consigo ficar sem, porque passo até semanas inteiras sem o celular."
Lucas conta que costuma jogar videogame ou jogos no tablet depois da escola, por cerca de duas horas por dia. Mesmo assim, consegue passar uma tarde inteira brincando sem usar telas.
Quando precisa escolher entre os brinquedos e o videogame, Lucas prefere o jogo eletrônico. "Porque crio coisas no Minecraft."
Mas, se o celular ficasse desligado, Lucas saberia o que fazer. "Brincar com meus primos na casa do meu avô."
No fim, uma boneca pode ganhar um nome, uma caixa pode virar um brinquedo, pedras podem virar um parque, travesseiros e cobertas podem virar uma cidade e uma partida de queimada pode durar horas.
Porque, quando a tela desliga, a imaginação pode começar a brincar.