O pai da mamãe

Por Cruzeiro do Sul

eu ja li

Tenho uma avó com um nome bem diferente, um nome que seus filhos e netos, inclusive eu, sempre chamaram pelo apelido carinhoso. Foi só na adolescência que fiquei realmente espantada ao descobrir qual era o seu nome verdadeiro. Isso me fez refletir sobre como, muitas vezes, os títulos de “avó” e “avô” acabam dispensando até mesmo o uso dos nomes próprios, pois já carregam um significado muito maior — o carinho, a proteção e um amor tão profundo que transcendem a formalidade.

Esse pensamento me acompanha também no contato com meus alunos pequenos, na faixa dos 4 e 5 anos. Frequentemente, quando lhes pergunto o nome dos avós, percebo o espanto e até a dificuldade de alguns em responder, como se o vínculo afetivo fosse maior do que o próprio nome que conhecem. É lindo perceber como essas relações são fundamentais na construção de nossas histórias pessoais.

O livro “O pai da mamãe”, de Cristiana Gomes e ilustrado por Odilon Moraes, traz exatamente essa delicadeza ao mostrar um diálogo afetuoso entre a neta e o avô. Cristiana, assim como eu, é professora de educação infantil, e isso se reflete na forma sensível como ela escreve, compreendendo as emoções e o universo das crianças. Odilon Moraes, com um traço único e inconfundível, capaz de ser reconhecido ao primeiro olhar, dá vida às imagens que completam essa história, tornando a leitura ainda mais envolvente.

Nele, a menina descobre, por meio das histórias da mãe, as características do avô e traça uma linha entre passado e presente, entre memórias e aprendizados. Essa ligação entre gerações revela como o tempo atua nos laços familiares, carregando beleza e continuidade.

É maravilhoso pensar que antes de nós, netos, existiu uma história cheia de desafios e conquistas, onde nossos avós foram desbravadores de tempos diferentes, muitas vezes difíceis, para que hoje possamos viver com mais facilidade e segurança. “O pai da mamãe” da Editora Caixote, nos convida a valorizar essa história e o amor que a sustenta.

Vanessa Marconato Negrão é professora e sócia efetiva da Academia Sorocabana de Letras