Escoteiros de todo o Brasil vivem altas aventuras em Sorocaba

Lobinhos de diversos estados participam do Jangalcamp

Por Cruzeiro do Sul

Antonio Fischer Neto, diretor adjunto regional de programa educativo dos Escoteiros do Brasil

Em um mundo cheio de tecnologia, imediatismo e pouca empatia, o escotismo rema na direção contrária. Crianças em contato com a natureza, em atividades ao ar livre, aprendem a olhar umas para as outras, respeitar os mais velhos e até mesmo a manter a higiene pessoal. Centenas de “Russells”, o pequeno escoteiro do filme Up: Altas Aventuras, desbravaram os desafios do Jangalcamp no Lar Escola Monteiro Lobato, em Sorocaba.

Na extensa área verde, as 533 crianças foram divididas de acordo com seus grupos escoteiros, e as atividades eram diversas. Em um ambiente com tantas crianças, o silêncio era impressionante. Por todos os lados, era possível observar bonés e cabecinhas concentrados nas tarefas propostas. O Jangalcamp, o maior acampamento do Brasil para lobinhos — crianças de 6 anos e meio a 10 anos e 11 meses — aconteceu neste ano em Sorocaba, entre os dias 4 e 7 de junho.

Segundo o diretor regional adjunto de Programa Educativo dos Escoteiros do Brasil, Antonio Fischer Neto, as crianças aprendem mais do que brincar. “O Jangalcamp é uma atividade em que trabalhamos toda essa ludicidade com o jovem. Então, por exemplo, ele tem aqui todas essas atividades. Para nós, adultos, é um jogo, mas, para as crianças, há uma inserção de valores, uma criação de cultura, de respeito e de disciplina. É o que elas vão aprendendo com o tempo, por meio dessa vivência”, explica.

Diretamente de Minas Gerais, a pequena Cecília Loureiro, de 10 anos, do Grupo Escoteiro Raposo Tavares, gostou mais de aprender sobre os animais. “Eu gostei mais do evento em que aprendemos os animais típicos de cada país”, conta.

Já como escoteira, ela diz que os valores aprendidos são para a vida. “Lobinho sempre fala a verdade e tem que ajudar os outros”, explica.

Do estado da Bahia, as escoteiras do Grupo Cardeal da Silva 33BA, Melissa Costa Nascimento Amaral da Silva, de 10 anos, e Natália Gándara Leal, também de 10 anos, se divertiram muito no acampamento.

Com o pé torcido e sem participar de algumas brincadeiras e atividades, Melissa se alegrou muito mesmo assim. “Eu gostei de tudo. Algumas não estou fazendo porque torci o pé, mas são todas muito legais”, conta.

A colega Natália teve uma atividade favorita. “Eu gostei de muitas atividades, mas a que mais me interessou foi a das abelhas. Aprendi que as abelhas se comunicam, que no Brasil tem três mil abelhas e que elas se falam se mexendo”, conta.

As amigas também guardam os valores que quem é escoteiro carrega. “O lobinho está sempre limpo e alegre”, conta Melissa.

Já a colega Natália aprendeu a empatia. “Lobinho pensa sempre nos outros”, explica.

Sorocaba

Quando o maior evento para lobinhos acontece na sua cidade, é imperdível. O Grupo Escoteiro Ipanema também marcou presença. A pequena Mariana Beatriz Esgalha Castelli, de 10 anos, já é escoteira há três anos e gostou das atividades.

“Eu amei tudo, mas minha favorita foi a última. A gente tinha que adivinhar qual era o signo do zodíaco das crianças e contou um pouquinho da história dos signos”, conta.

Além do evento, quando questionada sobre o que aprendeu sendo escoteira, a resposta estava na ponta da língua. “Sempre tem que fazer o melhor possível, ter união e empatia”, compartilha Mariana.

Também do Grupo Escoteiro Ipanema, Bernardo Angarten Pereira, de 10 anos, guardou várias atividades na memória. “A atividade do desenho foi muito legal, a das abelhas, a do cinema, muito legais”, conta.

Lobinho há três anos também, Bernardo, além dos valores, aprendeu coisas práticas da vida. “Aprendi que, para fazer a mala, tem que colocar sempre o que for mole nas costas e deixar o duro na frente, para não dar dor”, explica.

Os uniformes, as atividades e os aprendizados ficam todos marcados nas lembranças e, no final, ajudam a formar crianças melhores e adultos preparados para levar para a sociedade valores e comportamentos que fazem toda a diferença.