Copa do Mundo também entra em campo nas salas de aula
Professores de Sorocaba usam o futebol para ensinar geografia, português e cultura de diferentes países
Você já percebeu que, de quatro em quatro anos, o planeta inteiro parece sintonizar no mesmo canal? As ruas ganham bandeirinhas verdes e amarelas, os álbuns de figurinhas viram febre no recreio e todo mundo vira um pouco técnico de futebol. Em muitas escolas, a Copa do Mundo também é usada para ensinar diversas disciplinas. Mas nem sempre foi assim: na primeira Copa, em 1930, o torneio durou apenas 18 dias e só 13 países participaram — bem diferente da Copa atual, que reúne 48 seleções de diferentes partes do mundo.
Mapas e bandeiras
Na Escola Municipal “Duljara Fernandes de Oliveira”, o professor Gabriel Carlos de Santos usou a Copa para ensinar diversos conteúdos aos alunos do 4º ano. Ele disse que o tema chamou a atenção dos estudantes: “Desde o início do ano os alunos estavam falando sobre isso. Eles ficam atraídos pelo assunto, então foi um tema que a gente escolheu para trabalhar ao longo do primeiro semestre.”
O professor aproveitou as cores das bandeiras para ensinar geografia, principalmente a leitura de mapas. Mostrou como localizar os países no globo terrestre e também orientou a criação de maquetes sobre elementos típicos de cada nação. Cada turma do 4º ano escolheu um país como tema. A sala de Gabriel ficou com a Suíça, por exemplo. O país é conhecido pelos Alpes, pelos chocolates e pelos relógios.
Seu aluno Miguel Henrique Arruda Machado, de 10 anos, contou que seu jogador preferido é Neymar e que gostou de fazer a maquete.
Tecnologia em campo
Na escola, a tecnologia também foi usada como complemento às aulas tradicionais. As crianças utilizaram mapas on-line em seus tablets para localizar os países.
O aluno Bernardo Silva Alves, de 10 anos, afirmou que sua parte preferida foi a produção manual: “A melhor parte da atividade, eu acho, foi a da maquete.” Ele disse que seu jogador favorito é o português Cristiano Ronaldo e completou: “Eu gosto muito da Copa. Eu assisti, desde pequeno, à minha primeira Copa, em 2018.”
Aquele Mundial entrou para a história por ser o primeiro a utilizar o VAR (árbitro de vídeo), mostrando que tecnologia e futebol já caminham juntos há algum tempo.
Cultura e torcida
Heloisa Medeiros de Assis, de 9 anos, contou que gosta de ver o povo feliz quando o Brasil ganha. “Dá para ouvir todo mundo gritando de felicidade.”
A maquete da sua sala é sobre a França. O país escolhido por Heloisa, inclusive, é um dos poucos que já sediou o torneio duas vezes e guarda uma curiosidade: na Copa de 1938, jogadores franceses e alemães precisaram usar camisas emprestadas de clubes locais porque os uniformes oficiais eram muito parecidos e poderiam confundir a arbitragem.
A Copa também nas linhas
No Colégio Politécnico, com os alunos do 3º ano C, a professora Érica Della Terra usou o tema da Copa do Mundo para ensinar português por meio de bolinhas de papel: “Primeiramente, trabalhamos a escrita, observando a frase da pergunta e os sinais de pontuação. Envolvemos primeiro a parte do português e, depois, eles escrevem e fazem essa dinâmica com os colegas da sala, realizando a leitura.”
A professora contou que a atividade foi um sucesso: “Surgiu a ideia de fazer as perguntas e respostas nas bolas e também de colocar a imagem de cada aluno. As crianças adoraram. Além de trazer a temática da Copa, a atividade envolveu conteúdos de língua portuguesa.”
Lucas Paradizo de Morais, de 8 anos, se divertiu. “O que eu mais gostei de fazer foram as bolas do ‘O que é, o que é?’. Foi bem legal. Eu escrevi: ‘O que é, o que é? Tem bico, mas não bica; tem asa, mas não voa; tem pata, mas não anda’.”
Já Lavínia Teodoro Campos da Silva, de 8 anos, disse: “Foi muito legal fazer o projeto. A gente fez bolas de futebol, escreveu ‘O que é, o que é?’ e também trabalhou em duplas para tentar adivinhar as respostas. O meu era: ‘Cai de pé e corre deitado’. Achei bem legal.”
Seja descobrindo o relevo da Suíça em um mapa digital ou decifrando charadas em uma bola de papel, os estudantes de Sorocaba mostram que a Copa do Mundo é muito mais do que uma disputa por um troféu. Quando o campeonato começar, cada um deles já terá entrado em campo – e com nota dez no boletim.
Desafio do chute inicial
Tente adivinhar as duas charadas criadas pelos alunos de Sorocaba durante as aulas de Português:
1. Tem bico, mas não bica; tem asa, mas não voa; tem pata, mas não anda.
(Dica do Lucas, 8 anos)
2. Cai de pé e corre deitado.
(Dica da Lavínia, 8 anos)