Martim-pescador-grande
Nome popular: Martim-pescador-grande
Nome científico: Megaceryle torquata (Linnaeus, 1766)
Olá, observador de aves! Você sabia que o martim-pescador-grande já carrega no nome uma pista sobre ele? Ele é a maior espécie de martim-pescador do Brasil! Com seu bico comprido, sua crista bagunçada e seu jeito paciente de esperar o peixe aparecer, essa ave é uma verdadeira especialista das águas.
Observe a foto! O martim-pescador-grande também pode ser chamado de sacatrapa, matraca ou caracaxá. Possui uma faixa clara no pescoço e seu corpo é atarracado, mede cerca de 42 centímetros. A cabeça é grande, com uma crista irregular que vai da base do bico até a nuca. O bico também chama atenção: é comprido, forte e pode medir cerca de oito centímetros. Para reconhecer essa ave, observe suas partes superiores azuladas, a garganta e o pescoço brancos, formando quase um colar completo. O macho tem peito e ventre ferrugíneos. Já a fêmea tem o peito cinza-azulado, uma faixa branca abaixo dele e a barriga ferrugínea. Os pés são verde-oliva e possuem alguns dos dedos unidos, por isso a distribuição dos dedos nos pés é chamada de sindáctila.
Gosta de viver perto de rios, córregos, lagos, lagoas, açudes, manguezais, lagunas e até da orla marítima. Ele gosta de águas onde consiga enxergar os peixes e de lugares com poleiros, como galhos, árvores mortas, pedras ou barrancos. Pode ficar empoleirado entre 5 e 10 metros de altura, observando tudo com muita paciência. Às vezes, permanece no mesmo lugar por mais de uma hora esperando a chance certa de pescar.
Como o nome já entrega, ele é um pescador! Alimenta-se, principalmente, de peixes, que observa de um poleiro alto. Quando encontra a presa, mergulha rapidamente na água com as asas junto ao corpo. Depois volta ao poleiro e bate o peixe contra uma superfície dura antes de engolir. Em dias de chuva, quando a água fica turva e difícil de enxergar, também pode comer insetos, pequenos répteis, anfíbios e caranguejos.
Na época da corte, ou seja, do seu “namoro”, o casal pode se aproximar, vocalizar e permanecer perto dos locais de pesca e nidificação. O ninho é uma das partes mais curiosas da vida dessa ave. Em vez de construir com gravetos, o casal escava uma galeria comprida em barrancos, geralmente perto da água. Essa toca pode ter de um a dois metros, e em alguns casos até mais, terminando em uma câmara onde os ovos são colocados diretamente no solo, sem forro especial. Os dois ajudam na escavação, usando o bico para soltar a terra e os pés para empurrá-la para fora. Por isso, os dedos unidos ajudam a escavar. A fêmea põe de dois a seis ovos, arredondados, lisos, brilhantes e de cor branco puro. O casal se reveza na incubação, e os ovos eclodem em cerca de 22 dias. Os filhotes nascem nus, cegos e totalmente dependentes dos pais. Tanto o macho quanto a fêmea alimentam os filhotes com peixes. Depois de aproximadamente 35 dias, eles saem do ninho e começam a explorar o mundo fora da toca.
Faça sua parte: Para ajudar a conservar o martim-pescador-grande em nossa cidade, precisamos cuidar das águas. Rios, lagos, lagoas e córregos limpos garantem peixes para ele se alimentar. Também devemos preservar barrancos naturais, matas de galeria e ciliares e árvores próximas à água, além de evitar jogar lixo nos rios, não poluir, não desmatar as margens e respeitar os animais silvestres. Assim, poderemos continuar vendo esse grande pescador nos parques e áreas naturais da nossa cidade.
Fonte: Coaves Kids e Secretaria do Meio Ambiente, Proteção e Bem-Estar Animal de Sorocaba (Sema)