Tatatataravó?

Por Cruzeiro do Sul

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O livro “A vovó da minha avó “ conta uma história, no mínimo, curiosa: um menino está explorando o quintal em busca de um tesouro quando encontra algo ainda mais surpreendente: a vovó da sua avó, uma “tatatatataravó” que aparece em forma de esqueleto, cheia de energia e louca para dançar.

A partir daí, os dois vivem uma aventura divertida passeiam pela cidade, visitam o cemitério, dançam entre caveiras e até tomam raspadinhas de limão com morango (que, claro, escorrem pelos ossos!).

O autor, Joaquím Camp, usa um tipo de humor chamado humor nonsense, um tipo de humor que mistura coisas que normalmente não aconteceriam na vida real. Situações absurdas, inesperadas e bem malucas (como uma tataravó esqueleto andando de avião, de moto e tomando raspadinha!)

Além de ser muito engraçado, o livro também pode nos fazer pensar em algo interessante: quem veio antes de nós. Cada pessoa tem uma história que começou muito antes do seu nascimento. Tivemos pais, avós, bisavós, tataravós e se continuarmos contando, veremos que somos resultado de centenas de pessoas que viveram antes de nós. Cada uma delas tinha um jeito de ser, gostos diferentes, sonhos e histórias próprias.

De certa forma, carregamos um pouquinho de todas essas pessoas dentro da gente: no jeito de falar, de rir, no formato do rosto, nos talentos e até em algumas manias. Pensar nisso é quase como descobrir um tesouro, assim como o menino do livro descobre algo inesperado no quintal.

A história mostra que imaginar nossos antepassados pode ser uma aventura divertida. Quem sabe como eram nossas tataravós? Será que gostavam de dançar? Será que tinham histórias engraçadas para contar? O livro pode nos fazer perceber que nossa história é feita de muitas outras histórias.

No final, entre risadas e reflexões, “A vovó da minha avó“ da Companhia das letrinhas, nos lembra de algo bonito: somos parte de uma grande família que atravessa o tempo. Cada pessoa que existiu antes ajudou, de algum jeito, a tornar possível que nós estejamos aqui hoje, exatamente como somos.

Vanessa Marconato Negrão é professora e sócia efetiva da Academia Sorocabana de Letras