Rabo-branco-de- garganta-rajada

Por Cruzeiro do Sul

Pequeno e veloz, o rabo-branco-de-garganta-rajada visita flores da Mata Atlântica em busca de néctar

Nome popular: Rabo - branco - de - garganta - rajada
Nome científico: Phaethornis eurynome (Lesson, 1832)

Olá, observador de aves! Você sabia que existe um beija-flor da Mata Atlântica que tem uma garganta toda desenhada e uma cauda com penas brancas bem compridas? Hoje vamos apresentar o rabo-branco-de-garganta-rajada, um beija-flor cheio de energia que vive voando entre flores coloridas nas nossas florestas.

Observe a foto! O rabo-branco-de-garganta-rajada possui a cabeça marrom-escura com tons ferrugíneos, e uma faixa clara acima e abaixo dos olhos. A garganta apresenta listras escuras fininhas sobre um fundo mais claro, dando um efeito rajado, como se estivesse usando um colarzinho desenhado. As costas são esverdeadas com tons amarronzados, as asas são escuras e a cauda chama muita atenção: as penas centrais são mais longas e brancas, enquanto as laterais são escuras com pontinhas claras. O bico é longo, fino e curvado, ideal para alcançar o néctar das flores, e a parte de baixo do bico tem tom amarelado. Mede cerca de 15 centímetros de comprimento.

Vive em florestas úmidas na Mata Atlântica. Gosta de ficar no sub-bosque, que é a parte mais baixa da floresta, onde há sombra e bastante umidade. Também pode ser encontrado em capoeiras e áreas de vegetação secundária mais antiga. Costuma circular por trilhas naturais, picadas e clareiras dentro da mata, aparecendo de repente e surpreendendo quem está observando. A alimentação é baseada, principalmente, no néctar das flores, que fornece energia em forma de açúcar. Ele visita flores como helicônias, bromélias e outras plantas típicas da Mata Atlântica. Em algumas épocas do ano, é visto com frequência em flores de sub-bosque que estão em plena floração. Além do néctar, também captura pequenos insetos e outros artrópodes, que ajudam a complementar sua dieta com proteínas. Às vezes, pode até visitar comedouros com néctar artificial.

O comportamento desse beija-flor é geralmente solitário. Raramente se vê mais de um indivíduo ao mesmo tempo. Enquanto paira no ar diante das flores, costuma emitir pequenos sons curtos em intervalos regulares. Ele voa com rapidez e habilidade, desviando-se de obstáculos no último instante. Apesar de pequeno, é resistente e consegue viver tanto em áreas de planície quanto em regiões montanhosas, chegando a altitudes elevadas.

A fêmea constrói o ninho sozinha, como nas outras espécies de beija-flores. O ninho tem formato alongado, parecido com um pequeno cone ou bolsinha pendurada, e é feito com materiais macios, como paina, fibras vegetais e teias de aranha, que ajudam a dar firmeza à estrutura. Muitas vezes ele é decorado com líquens, inclusive um tipo que pode soltar pigmento avermelhado com o calor da incubação, deixando os ovos e até a parte de baixo da fêmea com um leve tom rosado. O ninho é preso na parte interna da ponta de folhas de palmeiras, samambaias ou helicônias, geralmente perto do solo e em locais úmidos, às vezes, próximos a água. A fêmea põe dois ovos pequenos e claros, que medem cerca de 17 milímetros. A incubação dura em torno de 17 dias, e os filhotes permanecem no ninho de 22 a 23 dias, antes de voarem pela primeira vez. Durante todo esse período, é a mãe quem cuida dos ovos e alimenta os filhotes.

Uma curiosidade interessante é que esse beija-flor é endêmico da Mata Atlântica, ou seja, ele só existe naturalmente nesse bioma. Por isso, a conservação das florestas é fundamental para sua sobrevivência. A fragmentação das matas e a criação de pequenas áreas verdes isoladas não são suficientes para garantir seu futuro.

Faça sua parte: Para ajudar a conservar o rabo-branco-de-garganta-rajada em nossa cidade, podemos apoiar a preservação de áreas de Mata Atlântica, evitar o desmatamento, plantar espécies nativas que produzam flores e manter as áreas verdes bem cuidadas e conectadas entre si. Também é importante respeitar a natureza nas trilhas e não retirar plantas ou mexer em ninhos. Assim, esse lindo beija-flor continuará enfeitando nossas florestas com seu voo delicado e sua garganta rajada.

Fonte: Coaves Kids e Secretaria do Meio Ambiente, Proteção e Bem-Estar Animal de Sorocaba (Sema)