Há quase 100 anos já existiam os esquisitos
Manda Gág foi uma artista e escritora que adorava desenhar. Ela nasceu nos Estados Unidos e cresceu em uma família grande, com muitos irmãos. Seu pai era fotógrafo e sua mãe gostava muito de contar histórias, por isso a imaginação sempre fez parte da sua infância.
Desde pequena, Wanda vivia cercada por livros, música, desenhos e pinturas. Quando cresceu, estudou arte para aprender a desenhar ainda melhor. Para ajudar sua família, trabalhou fazendo ilustrações enquanto se tornava artista.
Ela criou vários livros ilustrados para crianças. O mais famoso é “Milhões de gatos”, o qual, inclusive, eu já apresentei aqui.
O livro “O Esquisitão” foi publicado pela primeira vez em 1929 e reeditado em 2021 pela Edições Barbatana. “O Esquisitão” é uma criatura no mínimo intrigante. Denominado de “aminal”, o Esquisitão carrega as marcas da sua esquisitice. Ele tem o rabo comprido, escamas azuis nas costas e um gosto bastante peculiar: alimentar-se das bonecas de crianças boazinhas (que ele acha muito mais saborosas que as bonecas das crianças malcriadas)
Nas montanhas, BoBo, um homenzinho muito sábio, encontra essa figura inesperada. O encontro poderia ser apenas assustador, mas leva BoBo a refletir.
Em vez de negar ou combater o que lhe causa medo, BoBo escolhe outro caminho: ele reconhece a existência do Esquisitão e, com inteligência e imaginação, constrói uma solução criativa para lidar com a situação. O conflito não se resolve pela força ou pela exclusão do diferente, mas pela escuta e pelo acolhimento.
Uma história que brinca com o absurdo e, ao mesmo tempo, oferece uma profunda reflexão sobre como enfrentamos aquilo que nos parece estranho. O livro convida o leitor a perceber que o medo pode ser transformado quando não é simplesmente rejeitado.
Mais do que uma história sobre uma criatura esquisita, o livro deixa uma pergunta: e você, como lida com o esquisito?
Vanessa Marconato Negrão, professora e sócia efetiva da Academia Sorocabana de Letras.