A fuga
Os livros são portais para vários mundos repletos de possibilidades: livros de terror, aventura, mistério, fantasia. Escolher apenas uma parece impossível. É nessa infinidade de opções que esta obra começa, convidando o leitor a correr entre estantes, hesitar, sonhar, até encontrar, enfim, o livro certo: não apenas uma história, mas um convite para imaginar.
Com delicadeza, a narrativa se constrói como uma grande brincadeira entre texto, imagem e leitor. As ilustrações de Raquel Matsushita revelam e escondem pistas, criando um jogo visual que instiga a curiosidade. Já o texto bem-humorado de Blandina Franco provoca quem lê a completar as cenas, inventar sentidos e participar ativamente da história.
Mais do que contar uma aventura, o livro celebra o poder da imaginação. A cada virar de página, a criança é convidada a criar mundos, personagens e acontecimentos. Não há apenas uma leitura possível: cada leitor constrói a sua própria narrativa, tornando-se também autor da experiência.
Nesse sentido, a obra dialoga diretamente com o universo infantil, em que tudo pode se transformar.
Dentro de cada criança existe um mundo esperando para ser descoberto. Um mundo feito de histórias, aventuras e possibilidades.
Quando ela imagina, cria caminhos invisíveis, transforma o cotidiano em fantasia e se torna personagem principal de suas próprias fugas, descobertas e conquistas. Inventar histórias é abrir um livro que ainda não foi escrito
Ao longo da leitura, o livro mostra que imaginar não é apenas diversão: é um modo de aprender, expressar sentimentos e compreender o mundo. A criança que cria histórias também constrói confiança, sensibilidade e criatividade. Ela aprende que pode transformar, reinventar e dar novos sentidos à realidade.
O desfecho surpreendente reforça essa proposta lúdica, mostrando que a verdadeira magia não está apenas nas páginas, mas no encontro entre o livro e o leitor. Leitores e personagens se misturam, revelando que a imaginação é um espaço compartilhado, vivo e em constante movimento.
Assim, esta obra se apresenta como uma homenagem sensível à infância, à leitura e ao ato de sonhar. Um livro que não entrega tudo pronto, mas abre portas. Que não oferece respostas, mas provoca perguntas. Que não limita, mas amplia.
Mais do que uma história, trata-se de um convite: para imaginar, criar, acreditar e descobrir que, dentro de cada criança, existe um universo inteiro esperando para ser contado.
Vanessa Marconato Negrão, professora e sócia efetiva da Academia Sorocabana de Letras