A crise dos ovos
Em muitos lugares, as pessoas vivem tão apressadas e cansadas que quase não têm tempo para si mesmas nem para quem amam. É como se o mundo tivesse esquecido que o descanso e a alegria também fazem parte da vida.
Ouço muitas queixas das crianças sobre isso. É importante dizer que na maioria das vezes essa não é uma escolha dos pais, acontece porque o mundo em que vivemos hoje pede demais das pessoas: faz parecer que, para ter valor, a gente precisa trabalhar o tempo todo, correr, produzir, não parar nunca. Esse modo de viver quase não deixa espaço para as pausas. As galinhas poedeiras do Morro de Galinhas que o digam...
No livro “Revolução no Galinheiro”, as galinhas descobrem isso na prática: depois de tanto tempo produzindo sem parar, percebem que só conseguem fazer bons ovos quando têm tempo para respirar, brincar e ser felizes. Quando elas decidem mudar as regras e tomar conta do próprio trabalho, tudo melhora — o ritmo fica menos corrido, a produção se estabelece e todos voltam a ter tempo para o sol, o mar e o para desfrutar da companhia uns dos outros.
O mundo, como o galinheiro da história, esta girando rápido demais. Talvez a verdadeira revolução que todos precisem — galinhas ou gente — seja lembrar que a vida vale mais quando há tempo para o afeto, o descanso e a liberdade de ser.
“Revolução no Galinheiro” celebra os 10 anos da Editora Boitatá de autoria da italiana Giulia Conoscenti, com tradução de Dani Gutfreund, com apoio do Ministério das Relações Exteriores e da Cooperação Internacional da Itália.
Vanessa Marconato Negrão é professora e sócia efetiva da Academia Sorocabana de Letras