‘Buraco’
Em “Buraco”, Blandina Franco e José Carlos Lollo nos convidam para uma leitura simbólica sobre o vazio interior e o processo de reconstrução emocional, que é se refazer por dentro depois de passar por algo difícil. Se reconstruir, quando a gente aprende a entender o que sente, a cuidar das feridas do coração e a encontrar novos jeitos de viver e se relacionar consigo mesmo e com os outros.
A história, delicada e silenciosa, conduz o leitor por uma travessia interna em que a personagem tenta compreender o próprio vazio. Nenhuma ajuda de fora parece resolver até que, sozinha, ela começa a chorar — e é justamente desse choro que nascem as palavras e, com elas, uma nova possibilidade de saída. O livro sugere que, muitas vezes, é da dor que brotam compreensão e autoconhecimento.
Mais do que uma história sobre o vazio, “Buraco” é uma metáfora sobre acolhimento. As experiências, medos e esperanças — moldam o mundo que vê e projeta. Essa leitura simbólica convida crianças e adultos a refletirem sobre como nossos sentimentos e percepções influenciam a maneira como vivemos e nos relacionamos com o outro.
As crianças precisam de incentivos positivos sobre si mesmas e suas capacidades, e é papel dos adultos oferecer um olhar acolhedor, que legitime seus sentimentos e as ajude a compreender que, mesmo nos momentos de vazio, há caminhos possíveis de expressão e transformação.
Com sensibilidade e coragem, Blandina Franco e José Carlos Lollo nos lembram de que o vazio faz parte da vida — e que enfrentá-lo, com palavras, lágrimas e escuta, é também uma forma de se reinventar.
Vanessa Marconato Negrão é professora e sócia efetiva da Academia Sorocabana de Letras.