Pequenos escritores, grandes histórias

Três crianças de Sorocaba transformam amizade, criatividade e superação em livros cheios de aventuras e inclusão

Por Cruzeiro do Sul

Gabriele Fujihara, 11 anos e Miguel Camargo Francisco, 12 anos

Era uma vez dois amigos que se conheceram no berçário, quando tinham dois e três anos. Enquanto cresciam, estudaram juntos, mas acabaram separados por uma mudança de escola. Ainda assim, a amizade que construíam dia após dia continuou firme.

A dupla, conhecida pela criatividade, foi convidada a embarcar em uma jornada: escrever um livro. Miguel, a mente por trás do enredo; Gabriele, a dona dos traços e ilustrações.

Essa é a história de Gabriele Fujihara, de 11 anos, e Miguel Camargo Francisco, de 12. O livro surgiu a partir de um projeto da escola de Miguel, que logo pensou no talento da amiga para dar vida às suas ideias. Juntos, escreveram “Os Contos de uma Gota D’água”.

O incentivo faz parte do trabalho desenvolvido pela pedagoga, contadora de histórias, escritora e pesquisadora de literatura para a infância, além de mestranda em educação, Monisa Maciel. Segundo ela, a proposta traz muitos benefícios: “Proporciona uma vivência literária diversa. O projeto permite que a criança escolha, crie parcerias na construção do livro, trabalhe o diálogo, a troca, a pesquisa e aprenda a gerenciar a parceria. Tudo isso favorece a formação leitora e integral da criança.”

Mesmo estudando em escolas diferentes, Miguel e Gabriele encontraram um jeito de trabalhar juntos, com apoio e incentivo das mães. Como conta Ana Carolina Camargo Francisco, mãe de Miguel: “Teve o dia do encontro para entregar o livro a ela ilustrar, depois outro para buscar o livro ilustrado. Cada um com sua rotina, o que deixou o processo bem corrido.”

As dificuldades também fizeram parte da jornada e serviram como aprendizado, lembra Ana Carolina: “A ideia de não ter dado o tempo que eles queriam faz parte. É um repertório que eles criam da vida real. O Miguel precisou ser desafiado e ficou um pouco nervoso na época. Mas, no fim, deu tudo certo.”

Além dos benefícios da escrita, ter em mãos o livro é um marco da evolução dos pequenos. Como conta Gabriele: “Aparentemente, nossas habilidades já evoluíram bastante. Eu pratico muito mais e percebo onde estava falhando. Nossa, eu podia ter feito muito melhor, esse detalhe podia ter melhorado e comecei a reparar. Acho que isso vale para o Miguel também, porque ele evoluiu muito na escrita. Ele sabe escrever muito melhor do que antes.”

A mãe de Gabriele, Yurika Fujihara, comenta: “Eles tiveram a ideia de fazer o livro ainda muito pequenos. Achei a ideia fantástica e sempre incentivei. Desde as primeiras ideias até a arte final, foi incrível ver como a imaginação deles se transformou em algo tão concreto.”

O companheirismo foi fundamental para que o projeto fosse concluído, como conta Ana Carolina: “Acho que o fato de fazer junto com ela também motivou ele a terminar. ‘Vou terminar porque é um compromisso que fiz com a minha amiga’.”

Leitura e escrita: bases da imaginação

A leitura é essencial para aprimorar a criatividade, o vocabulário e ampliar conhecimentos. Miguel deixa um recado: “Se a gente estiver pensando em ler um livro e pensar ‘ah, não vou conseguir, é muito longo’, não desistam. Às vezes, o começo pode não agradar, mas, se continuar, talvez se torne seu livro favorito.”

Gabriele complementa sobre a escrita: “Às vezes, eu tinha algumas ideias loucas, coisas nada a ver, mas pegava o lápis e começava a escrever muito. E surgiam ideias malucas: criaturas ferozes, bichinhos, criaturinhas, pessoas virando amigas de outras, pessoas meio animal.”

Para ela, escrever é também criar uma autoidentidade: “Para mim, continuar a escrever é uma forma de identificar a importância de si mesmo. Você fala: isso aqui sou eu, fui eu que escrevi. Acho extremamente importante ler e escrever, porque é impressionante.”

Maria Beatriz: uma voz infantil que inspira

O primeiro livro da sorocabana Maria Beatriz emociona e ensina sobre respeito às diferenças. Com apenas 9 anos, ela já é autora de uma obra que promete tocar o coração de crianças e adultos. Lançado no último dia 27 de agosto, na Livraria Leitura, em Sorocaba, o livro traz uma poderosa mensagem de inclusão, respeito e superação, contada sob o olhar sensível e sincero de uma criança.

Inspirada por sua própria história, Maria Beatriz mostra como é conviver com a ausência de um dos dedos da mão esquerda — uma diferença física que a levou a observar e compreender muitas outras diferenças ao seu redor. Com leveza e doçura, a jovem escritora demonstra que ser diferente é, na verdade, o que torna cada pessoa única e especial.

A obra celebra a diversidade e convida leitores de todas as idades a refletirem sobre a importância do acolhimento e do respeito mútuo. O lançamento foi marcado pela presença de amigos e familiares, em um momento inesquecível. Com a obra já à venda, Maria Beatriz deseja que sua mensagem alcance cada vez mais pessoas. Afinal, as mãos podem ser diferentes, mas o coração que acolhe é igual em todos nós.