Jovem brasileiro desenvolve Rover Aquático
Equipamento autônomo para monitorar a qualidade da água ganhou prêmio em Estocolmo, na Suécia
Um equipamento autônomo para monitorar a qualidade da água em regiões isoladas, desenvolvido por um estudante brasileiro de 17 anos, foi o grande ganhador do People’s Choice Award, dentro da etapa internacional do Prêmio Jovem da Água de Estocolmo 2024. A competição, promovida pela Stockholm International Water Institute (SIWI) é conhecida como Prêmio Nobel da Ciência Jovem e aconteceu em agosto, na Suécia, envolvendo cerca de 40 países. O projeto do brasileiro recebeu mais de 400 mil votos.
Nascido no Estado do Piauí, local onde mora até hoje, Manoel José Nunes Neto levou 1 ano e 6 meses desenvolvendo o Rover Aquático, como ele chamou o equipamento de monitoramento da água. Segundo Manoel, foi uma construção árdua, pois teve de superar muitos desafios e aprender mais coisas.
“Um certo dia, o meu professor Victor chegou pra mim e disse que tinha uma feira interessante envolvendo projetos relacionados com a água. Foi aí, já com o projeto pronto e o protótipo preparado, que eu submeti o projeto para concorrer à etapa nacional e fui selecionado para representar o Brasil na etapa internacional, concorrendo com mais de 30 países”, lembra o jovem cientista.
Ele destacou que foi motivado a investir nesse projeto após assistir algumas reportagens e perceber que as comunidades ribeirinhas sofriam muito por conta de contaminação presente em corpos hídricos como os rios e lagos, principalmente os indígenas Yanomami, que são muito afetados por conta do garimpo ilegal e da contaminação de rios por mercúrio.
Realizada no dia 27 de agosto, a cerimônia de premiação deste ano foi marcada pela presença da família real sueca.
O Aquatic Rover
Desenvolvido para ser portátil, de baixo custo e autônomo, o veículo é capaz de navegar por diferentes ambientes aquáticos, coletando dados cruciais sobre a qualidade da água, como pH, turbidez, oxigênio dissolvido, entre outros. Com dois modelos disponíveis, os sensores do Aquatic Rover enviam as informações coletadas para um servidor, onde os dados são analisados em um computador ou celular.
O projeto de Manoel não só facilita o monitoramento da qualidade da água, mas também oferece uma solução prática para comunidades, pesquisadores e organizações que atuam na preservação e gestão de recursos hídricos. Sua criação é uma ferramenta que pode ser implementada em áreas remotas ou de difícil acesso, democratizando o acesso a informações ambientais importantes.
O rover está em uma etapa de procura por patrocínios e parcerias, seja pública ou privada. Além de ser cientista, Manoel sonha cursar engenharia elétrica.
O projeto
O Prêmio Jovem da Água de Estocolmo é uma iniciativa reconhecida mundialmente que busca incentivar jovens talentos de 15 a 20 anos que desenvolveram projetos escolares com potencial de solucionar desafios relacionados à água, ao meio ambiente e à sustentabilidade. O prêmio é organizado pelo SIWI desde 1997. O Brasil ingressou na competição em 2017. (Da Redação)