Casa e Acabamento

Metal bruto e a arquitetura da sorocabana Mayara marcam decoração

“O modernismo é o movimento que mais me representa”
O bruto metal e a arquitetura de Mayara
Para Mayara, “inspirar-se em um design já famoso e adaptar para materiais de que mais gosto é algo que faço bastante e torna as peças mais acessíveis”. Crédito da foto: Emidio Marques

Crescer em uma família que há décadas atua no ramo da metalurgia fez com que o ferro se tornasse o elemento favorito e marca registrada nos projetos da arquiteta e design de interiores Mayara Luques Bilbau.

Sorocabana, Mayara é sócio-proprietária da Supermob – uma fábrica de mobiliário personalizado, que trabalha com serralheria, tapeçaria e marcenaria – e está à frente do Estúdio 2B Arquitetura, assinando projetos comerciais e residenciais.

Em todos eles, elementos de ferro, aço ou alumínio estão presentes, empregados em peças contemporâneas.

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O maior público atendido pela arquiteta é jovem, entre 20 e 40 anos, que busca inovação e designes modernos, mesclando peças inspiradas em desenhos já famosos e objetos inusitados.

“Acredito muito que hoje o que criamos é de alguma maneira inspirado em algo que já vimos em outro momento. Se inspirar em um design já famoso e adaptar para materiais de que mais gosto é algo que faço bastante e torna as peças mais acessíveis”, conta a jovem, que se formou em 2013 na Belas Artes de São Paulo e, por um curto período, atuou também na capital, projetando residências.

O bruto metal e a arquitetura de Mayara
Crédito da foto: Emidio Marques

Mayara conta que, quando procurada para desenvolver um projeto de design de interiores, busca incluir peças inusitadas, dando personalidade ao ambiente, conforme a proposta que o cliente busca. “Gosto do material bruto. De concreto, ferro, madeira, mas, é claro, se a ideia for um ambiente mais delicado, é possível incluir o rústico de forma harmônica”, revela.

O bruto metal e a arquitetura de Mayara
Da agência de marketing para a loja de roupas femininas, visuais completamente diferentes, mas coerentes e complementares. Na loja, a releitura da luminária Sputnik. Crédito da foto: Acervo Pessoal

Um exemplo de como unir esses opostos de forma sutil é um projeto assinado por ela para uma loja de roupas femininas no Campolim.

Para mesclar o ar industrial à sofisticação das tendências de decoração, o projeto da loja, conta Mayara, foi elaborado com móveis de aço carbono e pintura automotiva na cor cobre, em conjunto com paleta de cores rosa e cinza, trazendo um toque de elegância e personalidade ao ambiente.

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Todo o espaço é iluminado por um lustre que foi desenhado por Mayara, mas com inspiração em uma peça já famosa desenvolvida pela arquiteta Ana Neute.

Também na pegada moderna e industrial, Mayara projetou um ambiente despojado e que estimula a criatividade em uma agência de marketing sorocabana.

No local, conta a arquiteta, ela também utilizou o aço carbono, mas dessa vez lixado e envernizado. Móveis no mesmo material com pintura eletrostática preta também compõem o espaço, e uma prateleira inusitada integra os ambientes de estar e de trabalho.

“No meio do cômodo tinha uma pilastra de sustentação e acabei utilizando ela para ser a base de uma estante de marcenaria, que dá um ar moderno”, explica.

O bruto metal e a arquitetura de Mayara
Os móveis desenhados e fabricados por Mayara reúnem-se, sob a ordem de seu traço, inspirações alheias, conceitos já presentes no coração do cliente. Além do conforto e beleza. Crédito da foto: Emidio Marques

A arquiteta e design conta que, por trabalhar de forma integrada com profissionais de marcenaria, tapeçaria e serralheria, na maioria das vezes ela faz o projeto e também produz as peças.

“Algumas peças que incluo são muito específicas e por isso é mais fácil que o pessoal que já trabalha comigo realize os trabalhos”, conta.

O escritório dela é integrado à oficina e é comum participar da confecção das peças de decoração, como cadeiras e luminárias.

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O bruto metal e a arquitetura de Mayara
Crédito da foto: Emidio Marques

Entre as principais influências de Mayara, a italiana Lina Bo Bardi é uma inspiração, por sua escola modernista e por ter marcado a história da arquitetura brasileira.

As linhas retas de Oscar Niemeyer também aparecem nos projetos da sorocabana. “Me chama atenção o que é bruto e por isso o modernismo é o movimento que mais me representa”, define a arquiteta.

Espaço como ferramenta de trabalho

Trabalhar com espaços compactos é um dos desafios comuns para um arquiteto e design de interiores. Ao projetar uma escola e também uma loja de cosméticos, Mayara Luques Bilbau conseguiu incluir, em uma metragem limitada, peças funcionais e de grande armazenamento.

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Em 19 m², uma sala dentro da galeria comercial de um supermercado se transformou em um espaço aconchegante e inusitado. Com duas prateleiras em aço carbono ocupando as paredes laterais, a empresária Luana Campos Orenga, 38, conta que conseguiu expor todos os produtos da loja de cosméticos e a peça sempre é elogiada pelos clientes.

O bruto metal e a arquitetura de Mayara
A loja de cosméticos ganhou forma e alma com as prateleiras desenhadas por Mayara. Crédito da foto: Acervo Pessoal

As prateleiras são inteiriças e, para fazer o transporte, recorda Mayara, foi preciso uma grande logística.

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“Se eu fizesse de forma separada, as marcas de solda ficariam evidentes e atrapalhariam a delicadeza das peças”, afirma.

Inaugurada em agosto, a loja de Luana foi toda projetada pela arquiteta e design sorocabana, desde a fachada, até o pendente, feito a mão por Mayara.

O bruto metal e a arquitetura de Mayara
Ferro (metalon) e pouco mais, um assento e o traço da profissional, fazem um belo banco. Crédito da foto: Emidio Marques

Outro projeto e execução realizados por Mayara foi o da Mob escola. No local, com o pé direito de seis metros, um mezzanino foi transformado em espaço de coworking e, no térreo, uma grande mesa para os alunos dos cursos foi o centro do ambiente.

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“Eu precisava de um espaço funcional, mas que fosse expressivo e arrojado. Ela conseguiu ler bem o meu estilo e atender a minha necessidade, sem deixar a marca registrada dela de lado, que é o ferro”, conta Priscila Zanelatto, 30, proprietária da escola. (Larissa Pessoa)

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