Casa e Acabamento

Imóveis pequenos redefinem prioridades

Apartamentos de até 45 metros quadrados crescem em participação no mercado imobiliário, segundo o Secovi-SP
Imóveis pequenos redefinem prioridades
Espaços são racionalizados, como no projeto de Pietro Terlizzi. Crédito da foto: Divulgação

A redefinição de prioridades tanto no trabalho como nos relacionamentos pessoais e as transformações das grandes cidades alteram o modo de pensar as moradias. Nos últimos anos ficou evidenciado esse comportamento, principalmente nas gerações Y e Z, que compreende os nascidos desde a década de 1980 até o início de 2010.

Os apartamentos voltados ao público mais jovem diminuíram de tamanho, mas com comodidades em áreas comuns do condomínio, como lavanderia, coworking e espaço de convivência. A mudança tem a ver com o desapego em não acumular tantos itens em casa e o conceito de compartilhamento.

Segundo pesquisa divulgada recentemente pelo Sindicato da Habitação (Secovi-SP), 6 em cada 10 novos apartamentos vendidos têm menos de 45 metros quadrados. O volume de venda deste tipo de imóvel dobrou nos últimos quatro anos.

Para a arquiteta Fernanda Mendonça, do escritório Oliva Arquitetura, houve uma mudança expressiva no conceito de moradia. Antes o desejo era de um imóvel grande e com a ideia de mantê-lo por toda a vida. Segundo ela, esse pensamento se modificou.

Leia mais  Condephaat estuda tombamento de imóveis que contam a história da malha ferroviária

 

As gerações atuais buscam por habitações menores em detrimento a outras questões que tornaram-se mais importantes na vida cotidiana, diz a arquiteta. “Acompanhamos um conjunção de fatores para essa mudança. Além da queda do poder de compra, o público jovem que opta por apartamentos menores é atraído por facilidades oferecidas pelos condomínios e por avanços tecnológicos.”

O arquiteto Pietro Terlizzi, à frente do escritório Pietro Terlizzi Arquitetura, observa que a construção de apartamentos pequenos também é reflexo da escassez de terrenos para o mercado imobiliário. Com terrenos mais caros e menores, as construtoras precisam compactar a metragem quadrada das plantas para disponibilizar o maior número possível de apartamentos por prédio. “Acredito que essa é uma tendência que veio para ficar. Para nós, arquitetos, muda-se a forma de projetar a medida que precisamos pensar em projetos com espaços mais flexíveis e dinâmicos para a vida do morador”, relata Terlizzi.

Em bairros mais centralizados, próximos de locais de trabalho e opções de lazer, os edifícios com apartamentos compactos acompanham um conceito bastante difundido no exterior: o home&share. Os moradores passam a dividir o que antes era de uso privado, como área de serviço e home theater, e contar com opções como academia bem estruturada, área gourmet, bicicletário e até mesmo carros que podem ser compartilhados.

Fernanda Mendonça explica que imóveis com metragem entre 30 e 40m2 costumam ser habitados por solteiros ou casais sem filhos. Plantas de 50 a 60m2 já refletem a vida de jovens casais com o primeiro filho, no início da construção da vida familiar. Em momentos diferentes, o mesmo ambiente pode ser a sala de estar, jantar, home office e, à noite, o quarto para descanso.

Soluções em marcenaria e móveis multifuncionais são recursos que permitem um melhor aproveitamento do imóvel, utilizando todos os espaços. Exemplos são mesas e camas dobráveis, TV com suporte giratório, armários próximos ao teto e painéis deslizantes que funcionam como divisórias.

Comentários

CLASSICRUZEIRO