Casa e Acabamento

Condicionadores de ar – perigosos ou não?

A obediência às normas técnicas e o uso correto são essenciais para diminuir acidentes
Condicionadores de ar - perigosos ou não?
O perigo não está propriamente no aparelho, mas, sim, na instalação ou uso inadequado. Crédito da foto: Reprodução da Internet

Acidentes recentes, como o incêndio no Centro de Treinamento do Flamengo, que causou a morte de 10 jovens atletas, e outros mais antigos, como o edifício Joelma, em 1974 com 179 mortos e 300 feridos, sempre remetem a uma pergunta – afinal, quão seguros são os aparelhos condicionadores de ar? Os bombeiros acreditam que de um aparelho desses possam ter nascido as chamas no Rio de Janeiro, e, no paulistano Joelma, os laudos provaram isso.

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Os assim chamados aparelhos de ar-condicionado mudaram muito nos últimos 50 anos. Não apenas na aparência, mas, principalmente, na eficiência energética (capacidade de refrigerar uma certa quantidade de ar usando menos energia elétrica), no volume (materiais mais leves e mais fortes) e concepção – os Split, que separam as funções de distribuição do ar refrigerado (unidade interna) e de refrigeração do ar (externa). Também eles estão sujeitos a normas técnicas de produção e desempenho bem mais rígidas.

Se não está mais nos equipamentos em si o problema (ao menos, eles são muito melhores e mais seguros que há 15 ou 20 anos), então qual a razão para continuarem a frequentar o noticiário como “perigosos”?

A instalação adequada

Condicionadores de ar - perigosos ou não?
O condicionador de ar consome muita energia elétrica e isso exige dimensionamento correto dos cabos. Crédito da foto: Reprodução da Internet

Há pelo menos duas explicações. Uma, é que eles têm potência alta; um condicionador de ar de 10.000 BTUs terá cerca de 3.500 W (watts) de potência, uma corrente elétrica de 15 A (ampére) – ou seja, ele “usa” bem mais a rede elétrica que um chuveiro elétrico comum, de 2.200 W (12 A), que normalmente é o maior consumidor da casa. Isso tudo usando a voltagem 220. A segunda explicação, que decorre da primeira, é que a rede elétrica tem que ser muito bem dimensionada.

Não se trata de uma campainha, ou de uma lâmpada de 100 “velas” (watts).

Se a fiação não estiver bem dimensionada, com diâmetro e tipo exigidos pela Norma Técnica NBR 5410, o que chamamos de energia elétrica, que são elétrons em movimento, vai passar apertada pelos fios. Os elétrons estarão mais próximos uns dos outros, gerando mais calor, o que vai esquentar a capa de plástico de proteção do cabeamento ao ponto de derretimento. Fios desencapados se encostando geram curto-circuito, que pode gerar chamas – principalmente se não houver um disjuntor, que “desarma” e interrompe a passagem da energia elétrica. Outro ponto perigoso é a tomada inadequada para a corrente e a potência.

Condicionadores de ar - perigosos ou não?
A limpeza rotineira impede que o aparelho trabalhe sobrecarregado. Crédito da foto: Reprodução da Internet

Dependendo do que estiver em volta – cortinas, madeira do forro, revestimento do container (no caso dos alojamentos do Flamengo), um desastre pode acontecer.

Assim, a instalação correta – seja obedecendo as normas técnicas referentes a conduítes, dimensão de fios, instalação de disjuntores, tomada, etc, seja fazendo direito o serviço (em emendas de fios, isolamento, conexões, etc) – é essencial para diminuir a possibilidade de acidentes.

Escolher corretamente o condicionador também é importante – na verdade, essencial. Colocar um aparelho adequado para uma sala de 20 m² com seis pessoas, numa sala de 40 m² e 20 pessoas, significa obrigá-lo a funcionar ininterruptamente, tentando baixar a temperatura, aquecendo e estressando seus componentes. E lembre-se a manutenção adequada também é importante. A limpeza dos filtros e trocadores de calor, por exemplo, permite que o aparelho funcione sem sobrecarga, sem esforço para o motor/compressor.

Condicionadores de ar - perigosos ou não?
Crédito da foto: Reprodução da Internet

Portanto, use à vontade os condicionadores de ar nesse verão quentíssimo – mas não esqueça de escolher o aparelho certo e procurar uma assistência técnica ou um profissional competentes para instalar certinho! (Da Redação)

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