Sorocaba e Região

Veterinários comemoram 85 anos de normatização da atividade no Brasil

Profissionais consideram que a carreira vem sendo cada vez mais valorizada ao longo dos anos
Veterinários comemoram 85 anos de normatização da atividade no Brasil
Para Roberto Carlos Comitre, a importância que os animais passaram a ter dentro dos lares brasileiros ajudou a impulsionar a profissão. Crédito da foto: Divulgação

A relação cada vez mais próxima das pessoas com seus pets, fez com que a profissão de veterinário fosse, ao longo do tempo, valorizada. A avaliação é dos próprios veterinários, que hoje comemoram 85 anos da normatização da profissão. Mas qual é a tendência do setor? Pesquisa feita pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP) aponta como perspectivas o atendimento a grandes animais e à especialização.

Para o veterinário Roberto Carlos Comitre, um dos proprietários do Hospital Saúde Animal, a importância que os animais passaram a ter dentro dos lares brasileiros ajudou a impulsionar a valorização da profissão, e isso, segundo ele, pode ser visto pelo aumento até mesmo de faculdades. Ele relembra que quando prestou vestibular, em 1986 (ele se formou em 1990), havia apenas três faculdades de Medicina Veterinária no Estado de São Paulo, e que hoje, somente em Sorocaba existem duas.

Segundo ele, a valorização caminhou junto com o aumento da consciência das pessoas em cuidar bem do seu animal de estimação, tanto que atualmente muitos clientes até chegam na clínica perguntando se tal remédio ou procedimento seriam indicados para curar seu pet.

O veterinário José Henrique Marinho Mauad, da Clínica Santana, também avalia que a mudança de comportamento das pessoas com seus animais favoreceu a valorização da profissão, e dá dois conselhos para quem deseja ingressar na área: gostar de animais e também de cuidar deles.

Veterinários comemoram 85 anos de normatização da atividade no Brasil
José Henrique Mauad aconselha quem deseja ingressar na área: tem de gostar de animais e de cuidar deles. Crédito da foto: Pedro Negrão / Arquivo JCS

José Henrique, no entanto, avalia que o setor está saturado, especialmente no tocante às clínicas de animais pequenos, como cachorros e gatos. Ele porém vê que a tendência está mesmo na especialização, além do que há outras vertentes, como laboratórios, abatedores, fiscalização em aeroportos e portos, indústria alimentícia de origem animal, indústrias de peixes congelados, e na área de saúde pública.

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Em relação às perspectivas da profissão, Roberto Comitre lembra que a atuação junto a grandes animais é uma tendência que já vem crescendo, e que na nossa região prevalece o atendimento a cavalos.

Ambos os profissionais entendem que muita coisa ainda precisa melhorar, quando o assunto é o bem-estar animal. Roberto Comitre e Henrique Mauad apontam o problema da falta de posse responsável, com muitos animais largados nas ruas, ocasionando assim proliferação de mais animais, e surgimentos de doenças, como por exemplo a leishmaniose visceral, citada pelo veterinário Comitre. A doença é classificada como uma zoonose, e se não for tratada, pode levar a óbito até 90% dos casos, segundo o Ministério da Saúde. A leishmaniose visceral é transmitida ao homem pela picada de fêmeas do inseto vetor infectado, mas no ambiente urbano, os cães são a principal fonte de infecção para o vetor.

Os dois profissionais também pregam que, no quesito da saúde pública, há ainda muita omissão por parte do Poder Público de forma geral, com pouca ou quase nenhuma campanha educacional.

Dia nacional

Foi no dia 9 de setembro de 1933, através do Decreto nº 23.133, que o então presidente Getúlio Vargas criou uma normatização para a atuação do médico veterinário e para o ensino dessa profissão. Em reconhecimento, a data passou a valer como o Dia do Veterinário. Mas escolas de veterinária já existiam no Brasil, desde 1910.

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A partir de 1968, com a lei de criação dos Conselhos Federal e Regionais de Medicina Veterinária, foi transferida aos conselhos a função de fiscalizar o exercício dessa profissão e é também onde se faz o registro profissional.

Tendências

De acordo com a pesquisa elaborada pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP) com 1.505 profissionais, atualmente há 33.375 médicos-veterinários em atuação no Estado de São Paulo, dos quais 5.135 atuam como responsáveis técnicos (RTs). Fora a capital, que concentra 37,6% dos médicos-veterinários, a cidade com o maior número de profissionais é Campinas (5.792), seguida por Ribeirão Preto (2.700). Os dados incluem registros do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), e do Ministério da Saúde.

O estudo aponta ainda que as mulheres são maioria no mercado de trabalho, correspondendo a 60,4% dos profissionais atuantes no Estado. Os números demonstram ainda que mais de 72% dos médicos-veterinários da região têm idade entre 25 e 44 anos.

A percepção dos veterinários entrevistados sobre o futuro da profissão, é confirmada pela pesquisa do CRMV de São Paulo ao apontar a especialização como tendência na área.

O registro de títulos de especialista em áreas da Medicina Veterinária e Zootecnia foi normatizado pela Resolução CFMV Nº 935/2009. Entre as especialidades com título válido pelo CFMV e com renovação obrigatória a cada cinco anos, destacam-se a Homeopatia e a Acupuntura. Ambas foram habilitadas em 2014 e contam, atualmente, com 12 profissionais especialistas no Brasil.

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Vale destacar também a Oncologia Veterinária, que possui três profissionais aprovados na prova aplicada em 2017 pela Associação Brasileira de Oncologia Veterinária, com apoio do CRMV-SP. Os médicos-veterinários aprovados, todos de São Paulo, aguardam a homologação do título de especialista pelo CFMV.

Ainda segundo a pesquisa, a cada ano são registradas, em média, 94 novas clínicas veterinárias no Estado de São Paulo, considerando os dados dos últimos 5 anos. Apenas de janeiro de 2017 a junho de 2018, foram registrados 165 novos empreendimentos, totalizando 1.347 clínicas na capital.

Para se ter uma ideia da expansão no segmento veterinário, o número de estabelecimentos do setor com responsáveis técnicos (RTs) registrados em todo o Estado está distribuído da seguinte forma: 4.702 clínicas, 2.078 consultórios, 9.250 pet shops, 4.376 casas de ração, e 5.515 banho e tosa.

Dentre os profissionais que responderam a pesquisa realizada pelo CRMV-SP entre junho e julho deste ano, 34% disseram atuar na clínica de pequenos animais. Na sequência, foram citadas as áreas de Saúde Pública (4,6%), Clínica de Grandes Animais (3,3%) e Laboratório de Diagnóstico (3,4%). O setor de ensino é o campo de atuação de 2,2% dos médicos-veterinários participantes da pesquisa. Já os profissionais autônomos correspondem a quase 40% dos médicos-veterinários que responderam ao questionário. Cerca de 20% são funcionários com carteira de trabalho assinada e 13,6% informaram serem proprietários de estabelecimento médico-veterinário. (Adriane Mendes)

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