Covid-19 Sorocaba e Região

Vestibulandos têm rotina de estudos alterada pela pandemia

Com as escolas fechadas, os estudantes e professores procuram maneiras de se adaptar à nova realidade
CNE aprova 20% de ensino médio online
Uma das alternativas encontradas pelos estudantes enquanto as escolas estão fechadas é a videoaula. Crédito da foto: Marcos Santos/USP Imagens

Com o estado de São Paulo em quarentena e o Brasil sob alerta, poucas são as certezas da sociedade sobre o desenrolar dos fatos. Quem estava em um momento decisivo não sabe como se comportar ou reorganizar. É o exemplo de noivos com o casamento marcado, empreendedores prestes a lançar um negócio e até mesmo dos estudantes em ano de vestibular. Afinal, sem uma previsão para a normalização das aulas, como garantir que o conteúdo necessário para fazer as provas seja garantido?

Essa é a preocupação da professora Cibele Ramos Rocha, que leciona biologia nas escolas técnicas Fernando Prestes, em Sorocaba, e Professor Elias Miguel Junior, em Votorantim. Ela afirma que as incertezas sobre até quando as escolas permanecerão fechadas aflige, não somente ela e outros professores, mas também os alunos do último ano do ensino médio. “Acredito que a maioria dos alunos está preocupada. Vejo que tem alguns que estão estudando à parte por sites ou que assinaram cursinhos virtuais, mas eu, como professora, fico preocupada porque o conteúdo do terceiro ano é difícil”, afirma.

“Estava começando a dar genética quando tudo aconteceu, então fico preocupada pois é um conteúdo que necessita de muita atenção, muito respaldo e muita explicação. Infelizmente isso não vai acontecer”, desabafa a pedagoga.

Cibele também conta que estão sendo realizadas reuniões entre o corpo docente e a coordenação para que os profissionais sejam orientados a como dar continuidade às atividades por meio de plataformas online, mas que até agora a instrução recebida do Centro Paula Souza, autarquia responsável pelas Etecs e Fatecs do Estado de São Paulo, é para que não sejam cobradas atividades dos alunos, pois o período de recesso que foi antecipado vai até o fim do mês de abril. “Estamos aguardando. Não se sabe como vai funcionar vestibulinho, como vai ser o ano letivo em si, se teremos que repor aula ou se as atividades online serão suficientes”, diz.

Já a aluna do ensino médio Giovanna Hellen, de 17 anos, acredita que a pandemia e o isolamento social trouxeram mais liberdade nos estudos. Com planos para cursar Cinema, a jovem afirma que fará o Enem e que para isso está levando uma rotina de estudos de duas ou três videoaulas por dia, seguidas de 40 exercícios sobre a matéria estudada, e que seus colegas de sala estão fazendo o mesmo. “Tenho conversado com eles e todos estão estudando para os vestibulares. Alguns, como aqueles que procuram por cursos com uma demanda maior ou por federais e bolsas para particulares, têm estudado mais. Eles se mostram preocupados com a situação, mas suas rotinas de estudo parecem melhores sem as aulas, pois se tornam flexíveis”, explica.

Por enquanto, o estudo de casa não atrapalha e nem altera os planos da estudante, que afirma não ter dificuldade para dar continuidade com a rotina fora da escola. “Acho que podemos ter o mesmo aproveitamento de uma aula presencial de forma online, pois mesmo a presença do professor fazendo falta para tirar dúvidas, podemos fazê-lo online”, garante.

Enem

No dia 31 de março, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgou os editais do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Este ano a prova presencial ocorrerá nos dias 1 e 8 de novembro, e pela primeira vez contará com a opção digital, aplicada para os estudantes que optarem por ela nos dias 11 e 12 de outubro. As inscrições deverão ser feitas de 11 a 22 de maio.

O anuncio gerou repercussão pois muitos esperavam que o calendário de provas viesse a ser alterado em decorrência da pandemia do novo coronavírus. O Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) divulgou uma nota afirmando que o prejuízo será maior para estudantes de escola pública e que se deveria esperar a situação ser normalizada para que novas notas fossem divulgadas.

]Em resposta, o Inep defendeu que a publicação dos editais é fundamental para que seja dado início à preparação desta edição do Enem e finalizou dizendo que sugestões e críticas serão avaliadas. (Com informações de Agência Brasil)

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