Sorocaba e Região

Venda de remédios em supermercados é debatida em Sorocaba

Proposta que estava prevista em MP foi retirada em meio à polêmica, mas ideia não foi descartada



Venda da remédios em supermercados é debatida
Autorização seria apenas para medicamentos que não precisam de prescrição médica. Crédito da foto: Aldo V. Silva / Arquivo JCS (17/10/2011)

Repercutiu na semana passada em Sorocaba a discussão travada em Brasília sobre a possibilidade da venda de medicamentos sem prescrição médica ser permitida também em supermercados. Assim como ocorre na capital federal, a tendência é de polêmica entre consumidores, farmacêuticos e supermercadistas sorocabanos. Há pontos de vista opostos e conflitantes sobre a liberdade de o público comprar remédios sem prescrição com a mesma naturalidade com que recolhe no carrinho de compras tomates, feijão, arroz, ovos, entre outros produtos de alimentação, higiene e limpeza.

Na quinta-feira (11), o debate sobre essa questão ocorreu na Câmara dos Deputados, em Brasília. O desfecho foi o de que a decisão sobre compra de medicamentos em supermercados ainda terá que esperar a criação de um grupo de trabalho que será criado justamente para debater esse assunto. A decisão de criar esse grupo de trabalho foi tomada por uma comissão mista do Congresso Nacional que aprovou o relatório da Medida Provisória 881/2019 sobre a liberdade econômica, que cria garantias de livre mercado no País.

Uma emenda apresentada a essa MP propunha a venda de medicamentos sem prescrição em supermercados, mas ela foi retirada na quinta-feira em comum acordo com deputados e senadores e representantes dos setores farmacêuticos e supermercadistas. A retirada foi antecedida de polêmica: enquanto de um lado o setor farmacêutico foi contra a proposta, o setor de supermercados foi favorável.

Quem informou a elaboração desse acordo foi a assessoria de imprensa do deputado federal Jerônimo Goergen (PP/RS), relator da MP 881. Em entrevista coletiva, o deputado falou: “Nós temos por exemplo o debate das farmácias, onde o varejo (supermercados) gostaria de vender os medicamentos isentos de prescrição, mas temos aspectos socioeconômicos das pequenas farmácias, dos próprios farmacêuticos”. Segundo ele, o acordo decidiu que por decreto será criado um grupo interministerial para formatar um novo projeto para esse item específico. Depois que foi emitida pelo governo Jair Bolsonaro (PSL), a MP 881 tem tramitação de 120 dias para ser votada na Câmara e no Senado.

Em Sorocaba

Venda da remédios em supermercados é debatida
Ignez Kawamura aprovou a ideia, pois “facilitaria a vida” . Crédito da foto: Fábio Rogério

Em Sorocaba, a reportagem apurou que há discordâncias entre os próprios consumidores. Enquanto a aposentada Elaine Cruzeiro, de 55 anos, não gostou da ideia da venda de medicamentos em supermercados, a funcionária pública estadual Ignez Ban Kawamura, de 53 anos, aprovou a ideia. “Eu acho que não, porque não pode tomar remédio à vontade”, disse Elaine. E Ignez acredita que a novidade, se concretizada, facilitaria muito a vida das pessoas.

“Seria bom (a venda de remédios em supermercados), eu sei fazer uso do medicamento, a gente não toma remédio em excesso”, acrescentou Ignez, mas admitiu a preocupação com o comportamento de pessoas viciadas em remédios, rotuladas como hipocondríacas, e que nos supermercados terão um acesso a mais aos remédios. Ela também levou em conta que pessoas com esse perfil podem ter o mesmo acesso livre nas farmácias, o que nivela as duas situações.

O gerente de supermercado Márcio Souza Pires, de 38 anos, avalia que seria “interessante” a oferta de remédios sem prescrição nas lojas do seu setor de atuação: “Porque o cliente já está dentro da loja, otimiza o tempo dele, o cliente quer ir para o supermercado e fazer o máximo de coisas: carregar o celular, pagar contas, e comprar remédios pode ser um adicional.” Ele lembra que algumas redes de supermercados já trabalham com drogarias no interior das lojas com produtos para dores de cabeça ou gripe, por exemplo.

Por sua vez, o gerente de farmácia Júlio César Vieira da Silva, de 30 anos, desaprovou a ideia porque avalia que a venda em supermercado não seria acompanhada da assistência farmacêutica. Ele afirma que, por mais que os medicamentos ofertados sejam sem prescrição, muita gente tem dúvida se pode utilizá-lo ou como usá-lo ou como associá-lo a um eventual tratamento contínuo de outro problema de saúde. Acrescenta que essa é a assistência que os consumidores recebem nas farmácias, o que inclui também as orientações para a leitura de receitas médicas. (Carlos Araújo)

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