Sorocaba e Região

Universitários se unem na produção de escudos faciais em Sorocaba

Até o momento foram produzidos cerca de 250 protetores, e existe, atualmente, uma demanda de mais 350 unidades
Universitários se unem para produzir EPIs
Entre os profissionais de saúde beneficiados com a ajuda do Solidariedade 3D estão os que atuam no Hospital Regional de Piracicaba. Crédito da foto: Divulgação

O conhecimento e a ciência são importantes armas contra o novo coronavírus. Pensando nisso, um grupo de voluntários de três instituições públicas de ensino de Sorocaba está produzindo equipamentos de proteção individual (EPIs) para os profissionais de saúde. Batizado de Solidariedade 3D, o grupo, composto por estudantes da Unesp, Fatec e UFSCar, está focado principalmente na utilização da ferramenta de impressão 3D para a construção de diferentes tipos de máscaras, protetores faciais, peças para respiradores entre outros.

Até o momento foram produzidos cerca de 250 protetores e existe, atualmente, uma demanda de mais 350 unidades. “A demanda está crescente e é oriunda de instituições localizadas em outras cidades além de Sorocaba, como Piracicaba, Limeira e Santos”, destaca o grupo. Entre as instituições que receberam protetores estão o Hospital Regional de Sorocaba, o Hospital Regional de Piracicaba, a Santa Casa de Misericórdia de Sorocaba, o Grupo de Pesquisa e Assistência ao Câncer Infantil (Gpaci) e a Policlínica Municipal de Sorocaba.

Atualmente, o grupo está concentrado na produção de protetores tipo “face shield”, que significa escudo facial, em inglês. Esse equipamento protege totalmente a face, evitando a propagação de doenças transmissíveis pelo contato com saliva e fluidos nasais. “Esse tipo de EPI é recomendado para profissionais que entram em contato com pacientes infectados desde a recepção em hospitais até o atendimento em UTI”, explica a equipe Solidariedade 3D.

O desenvolvimento dos protetores, segundo os voluntários, envolve a etapa de desenho da estrutura a ser impressa, a impressão 3D propriamente dita, o lixamento, o corte a laser dos visores e o corte manual dos elásticos. Na sequência, é feita a montagem dos protetores, com os encaixes dos visores e elásticos na estrutura, a higienização, a embalagem e, por fim, a distribuição.

De acordo com a UFSCar, alunos do campus de Sorocaba e pesquisadores do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento em Tecnologia Assistiva (NTA) da instituição participam do Solidariedade 3D. O projeto conta ainda com estudantes dos cursos de Manufatura Avançada e Sistemas Biomédicos, pesquisadores do Núcleo Biotecnol da Fatec local, estudantes da Sorocaba, além de outros voluntários.

Recursos

Os protetores têm sido produzidos com equipamentos e ferramentas do NTA da UFSCar, obtidos por meio de projetos de pesquisa concluídos e financiados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Já os insumos, como filamentos de impressão, elásticos e placas de plástico transparentes, estão sendo conseguidos com doações, algumas realizadas pelos próprios voluntários, e também com recursos arrecadados via plataforma de financiamento coletivo on-line.

O Solidariedade 3D segue solicitando doações de materiais e quem se interessar em contribuir pode entrar em contato pelo link https://bit.ly/3bgt7Zm ou pelas redes sociais do grupo.

Empresa se dedica à fabricação de máscaras

Universitários se unem para produzir EPIs
Especializada em decoração, a 3DforYou resolver usar seus equipamentos para fazer os itens de proteção. Crédito da foto: Divulgação

Os escudos faciais também estão sendo produzidos voluntariamente pela empresa sorocabana 3DforYou. Antes da pandemia, sua principal atividade era criar peças de decoração em 3D mas, diante do atual momento, o casal Bruna Silvestrini Rissato, 25, e Felipe Shikay, 30, decidiu que era necessário paralisar as atividades comuns e reverter todos os processos para construir os equipamentos de segurança, que já beneficiaram vários hospitais da Região Metropolitana de Sorocaba (RMS).

A corrente de solidariedade teve início em Piedade, com a auxiliar em biomedicina Giovana Aparecida Machado França, 22, que trabalha na Santa Casa de Misericórdia da cidade. Vendo de perto a necessidade de mais Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para os profissionais de saúde, ela relatou a situação ao namorado, o analista de suporte do Colégio Politécnico, Fernando Peixoto Ribeiro, 23. Imediatamente, Fernando começou a pensar em maneiras de ajudar quem está na linha de frente no enfrentamento da Covid-19.

O analista então fez contato com Felipe, que junto com a esposa mudou a linha de produção da empresa. “Usamos os nossos próprios recursos para fazer a primeira leva dos protetores e tivemos a ajuda da Facens, que doou as viseiras e também do Grupo Notredame, que fez a doação dos filamentos para a impressão”, contou Felipe, que executa os projetos, enquanto Bruna coordena toda a operação da 3DforYou.

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Até agora a empresa já conseguiu doar 40 máscaras, que foram distribuídas para a Santa Casa de Piedade, para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Araçariguama, além do Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS) e dos hospitais Leonor Mendes de Barros e Santa Lucinda. Outros 40 equipamentos estão em produção e o ritmo não deve diminuir até que todos os hospitais da região estejam abastecidos e exista material disponível.

Nos próximos dias serão beneficiados também o Hospital Santo Antônio, em Votorantim, Samaritano, Modelo e novamente o CHS, em Sorocaba. (Larissa Pessoa, com informações da Agência UFSCar)

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