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Universidade de Sorocaba atinge a marca de 50 mil estudantes formados

A colação de grau aconteceu quinta-feira (13), totalmente on-line devido ao isolamento social
Universidade de Sorocaba atinge a marca de 50 mil estudantes formados
Cerimônia de formatura foi feita on-line em consequência da pandemia do novo coronavírus. Crédito da foto: Divulgação / Uniso (13/8/2020)

O salão lotado, com centenas de estudantes vestindo beca e capelo, deu lugar a uma celebração diferente, mais adequada aos tempos de pandemia que enfrentamos. Sem deixar de respeitar o isolamento social, mas ainda celebrando juntos, os estudantes da Universidade de Sorocaba (Uniso) comemoraram na noite de quinta-feira (13) a colação de grau de 15 cursos diferentes, diretamente de suas casas, conectados numa cerimônia virtual.

Em mais de 60 anos de história, desde o início da Uniso como Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, essa é a primeira colação de grau totalmente on-line realizada pela instituição. O atual reitor da Uniso, o professor Doutor Rogério Profeta, comenta que desde 2018 as colações de grau tradicionais vinham sendo transmitidas por meio de plataformas digitais, mas que desta vez a experiência foi diferente: “Nós tivemos de usar da tecnologia para suprir a necessidade do contato físico presencial.”

Profeta reforça a importância de transpor o momento da formatura para o ambiente on-line sem prejuízo à experiência de transição que a colação de grau representa. “A colação é muito importante, inclusive como um exigência legal. O aluno estudou e fez a sua parte, agora é dever da universidade oferecer a colação”, ele diz.

No caso da Uniso, os estudantes tiveram a opção de colar grau de forma virtual ou aguardar até que haja a liberação das autoridades governamentais para uma cerimônia presencial tradicional. Para os que desejarem, haverá também uma cerimônia festiva, após o término do período de isolamento.

Profeta defende que, apesar dos desafios que a pandemia criou para todos os segmentos da sociedade, o propósito da instituição, de produzir conhecimento e transformação social, continua sólido desde a década de 1950. A colação de grau é, assim, a coroação de um esforço coletivo de docentes e estudantes para dar prosseguimento à vida acadêmica de forma síncrona, sem prejuízos aos calendários letivos. “Todos nós tivemos de nos adaptar às exigências dos tempos. Nós precisamos nos adaptar às tendências, mas eu não consigo olhar para o futuro da universidade sem fazer reverência à nossa história”, completa.

50 mil vidas de história

Além do ineditismo da primeira colação on-line, a cerimônia de quinta-feira (13) foi especial, também, por marcar a formatura do estudante de número 50 mil da Uniso: Mateus Richter Bonani, que recebeu o grau de bacharel em Engenharia de Produção. Cinquenta mil é uma quantidade expressiva por si só; para fins comparativos, o número é superior à população de 89% dos municípios do Brasil.

Para o professor Aldo Vannucchi, o idealizador da Uniso, o sentimento ao assistir à cerimônia é de dever cumprido. “Eu me lembro de quando a universidade era nada mais que um sonho. Era como se eu quisesse ter um filho, e ele nasceu. Celebrar o quinquagésimo milésimo aluno matriculado nesta casa é realmente um momento de muita gratidão a Deus.”

Vannucchi conta que ainda se lembra dos momentos importantes: da primeira formatura, naturalmente presencial, à última, on-line, em que a ideia de presença se tornou aquela “que sai do afeto, da amizade, do respeito e da solidariedade humana”, em suas palavras.

Inclusive, a formanda de número 1 ainda marca presença na universidade. Maria Zilda de Camargo Barros Pupin iniciou o seu percurso acadêmico em 15 de março de 1954, formando-se três anos depois como a primeira graduada da instituição, em Pedagogia. Tanto tempo depois, já aos 87, ela ainda faz parte do corpo discente da Uniso, desta vez como aluna da Universidade da Terceira Idade.

“Jamais poderia imaginar, naquela época, uma formatura on-line. Hoje as coisas são tão rápidas que daqui a alguns anos a formatura vai ser em Marte”, ela brinca. As aulas, tantos anos atrás, eram na base da “lousa e do giz”, como ela diz — nada de livros digitais, chamadas de vídeos e ambientes virtuais.

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Mas foram as recordações e as perspectivas de ampliar seus projetos de vida que levaram Maria Zilda de volta à universidade. “A Uniso é tão cheia de encantos que me fez voltar. Assim eu atualizo meus conhecimentos e amplio a minha rede de relações sociais”, ela diz, ressaltando que gosta especialmente das aulas que envolvem novas tecnologias. “É muito bom, porque nos dá a sensação de inclusão social e cultural”, conclui. (Daniele Gonzales, Fernanda Sena e Talissa Medeiros – Agência Focs / Jornalismo Uniso)

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