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Sorocabanos aproveitam quarentena para fazer pequenas reformas

Lojas de materiais de construção sentiram reflexo da mudança nas vendas
Reformas têm sido feitas para tornar os ambientes mais confortáveis. Crédito da foto: Acervo pessoal (29/05/20)

Foi com a pandemia de covid-19 que o “ficar em casa” assumiu significados diferentes dos já conhecidos e que o ambiente passou a precisar atender a outros requisitos. Afinal, com o home office, as aulas à distância e o isolamento social, os lares precisaram passar por adaptações e as pequenas reformas tomaram o tempo do sorocabano.

O professor Edgar Domingo de Albuquerque é exemplo disso. Com a quarentena, decretada em todo o Estado, ele e a esposa decidiram mudar para uma casa térrea, já que, segundo ele, o confinamento no antigo apartamento estava prejudicando a filha de dois anos. “Fomos multados duas vezes com reclamações dos vizinhos por conta da minha filha, que está sem ir à escola e acorda às 6 da manhã”, explica. “Na nova casa, resolvemos pintar os azulejos da cozinha, que eram bem antigos, pintar a parede do quarto da nossa filha, fazer uns detalhes para deixar o cômodo mais a cara dela. Aproveitamos para instalar umas prateleiras na sala e suporte para plantas, tudo para deixar o ambiente mais leve e descontraído”, conta o professor.

Segundo Edgar, o lado bom de estar à frente das reformas foi poder ocupar o tempo “livre” e poupar o dinheiro que seria destinado à mão de obra. “Nós economizamos e pudemos nos desestressar um pouco focando nessas atividades. Ainda gostaríamos de fazer mais algumas coisinhas, está nos planos fazer uma hortinha no quintal”, diz.

Assim como a família do professor, a dona de casa Francine Sampaio e seu marido também colocaram a mão na massa e economizaram R$ 1.500,00 que gastariam pagando uma pessoa que ficaria responsável pela pintura da parte externa da casa. “Nós queríamos pintar desde novembro e por isso chegamos a fazer o orçamento com um pintor, mas quando chegou a quarentena e a empresa deu férias para meu marido nós decidimos que faríamos o serviço”, afirma. “Terminamos tudo em uma semana e foram aproximadamente 300 m². Precisamos alugar um andaime para alcançar lugares mais altos, mas valeu a pena”, conclui.

Francine e o marido economizaram cerca de R$ 1,5 mil com a pintura da casa. Crédito da foto: Acervo pessoal (29/05/20)

Mudanças refletem no comércio

Algumas lojas do segmento de reformas e materiais de construção também perceberam o aumento das vendas e a mudança nos itens mais procurados. Adevilson Prates, diretor da Leroy Merlin de Sorocaba, entende que as prioridades do período de isolamento são outras e o diz que reflexo foi sentido na loja. “Existe um movimento acontecendo nas casas das pessoas e muitas coisas que eram deixadas para depois se tornaram prioridade devido ao tempo que agora elas têm para investir. Sabe aquelas paredes que incomodam? Agora começaram a ser pintadas. Consequentemente a criançada está mais em casa também, então tudo que é ligado a proteção também tem sido buscado”, exemplifica.

A prova da mudança no comportamento do cliente também está em ambientes digitais, como conta Prates, que afirma que houve um aumento significativo de acessos ao canal do Youtube da rede, que ensina, por meio de tutoriais, maneiras de realizar reparos. “Percebemos um crescimento de 50% em nossos canais onde ensinamos nossos clientes a instalarem produtos, pintar paredes e adaptar suas necessidades. Levamos isso como a essência da empresa, pois sempre em nossa história estimulamos a bricolagem (execução de trabalhos ou reparos caseiros fáceis feitos por alguém não especializado)”, explica.

Marcelo Roffe, diretor geral da C&C, Casa e Construção, também diz que o aumento do movimento foi percebido na lojas físicas, apesar da empresa oferecer outros canais que possibilitam a compra sem ir até o local, e que a maioria das vendas é de produtos para manutenção geral do lar, assim como produtos de organização e decoração. “Verificamos diminuição na procura por materiais de construção e acabamento, mas o interessante é a curva de crescimento, em paralelo, de produtos para casa. Acreditamos que isso reflita o comportamento do consumidor nesse período de isolamento social, que, em uma nova relação com a casa e seu funcionamento, acaba verificando novas necessidades e aproveitando o período para pequenos consertos, arrumações e mudanças para melhorar o visual de alguns cômodo”, conta Roffe. (Nicole Bonentti)

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