Sorocabano atua para a ONU na ajuda a refugiados

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Advogado durante curso sobre Direito Internacional dos Refugiados para oficiais do Exército mexicano - ARQUIVO PESSOAL

Priscila Fernandes

O drama dos refugiados em várias partes do mundo, em decorrência de conflitos, crises políticas e econômicas, toma conta dos noticiários dia após dia. Segundo dados divulgados neste ano pela agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para Refugiados, o número de indivíduos que precisaram deixar seus lares bateu novo recorde, atingindo a marca 68,5 milhões de pessoas em todo o mundo. Desta forma, a necessidade de pessoas dispostas a se dedicar ao amparo desses refugiados apenas aumenta. Entre esses profissionais está o sorocabano José Francisco Sieber Luz Filho, 43 anos. Atualmente ele trabalha como chefe da Unidade de Proteção no Centro de Formação do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), localizada em Budapeste, na Hungria.

Em entrevista concedida por e-mail, diretamente do país europeu, o advogado destaca a importância desse trabalho de reconstrução de vidas. Com os recordes globais de refugiados sendo continuamente ultrapassados, José Francisco observa que as Nações Unidas são cada vez mais chamadas a responder. E as necessidades estão em situações recentes, como em Bangladesh, Sudão do Sul ou na Síria, mas também em emergências antigas e quase permanentes como no Afeganistão, Somália ou Iraque. "O desafio maior é permitir às pessoas refugiadas recompor e reconstruir suas vidas, assegurar-lhes o acesso pleno a seus direitos e, assim, lograr condições aptas à repatriação voluntária e às oportunidades para a integração efetiva das pessoas refugiadas nas sociedades de acolhida, como no Brasil", diz.

Refugiados em Bangladesh são atendidos pela Acnur - ED JONES / AFP

As situações que levam famílias inteiras a deixarem suas casas costumam ter soluções políticas. "Enquanto o trabalho com os refugiados deve ser feito sob a observância rígida de princípios básicos da ação humanitária internacional, o fim das crises e dos conflitos armados reside sempre na vontade política dos principais atores envolvidos", explica.

Começou na faculdade 

Sua dedicação aos direitos humanos teve início ainda na faculdade. "Comecei a trabalhar com refugiados quando estava no final do curso de Direito. Trabalhava com a clínica de serviços jurídicos da Cáritas, na Arquidiocese de São Paulo", recorda. O advogado atua pela ONU desde 2000 quando saiu do Brasil para a Bósnia Herzegovina. "Realizava o trabalho de apoio e acompanhamento do retorno dos refugiados às zonas mais afetadas pelo conflito na ex-Iugoslávia. Em seguida, estive no Equador e na Venezuela trabalhando com os refugiados do conflito armado da Colômbia; na Jordânia trabalhando com os refugiados do Iraque e no Afeganistão trabalhando com os deslocados pelo conflito armado naquele país. Estive também na sede do Acnur em Genebra e, durante os últimos quatro anos, trabalhando com os refugiados da América Central e da Venezuela no México". Atualmente, ele atua em Budapeste onde trabalha para o Centro de Formação do Acnur -- no local são coordenados os cursos de formação dos funcionários dedicados às operações no mundo todo.

Para o advogado, outros sorocabanos que queiram trilhar o mesmo caminho, na luta pelos Direitos Humanos, podem começar "em casa". "O importante é começar a fazer a diferença no nosso entorno imediato", diz. Ele observa que o Brasil hoje recebe refugiados de muitas partes, como venezuelanos pela região norte e ainda muitas famílias sírias ou de diferentes partes em conflito da África. "Que buscam e encontram no Brasil um país onde possam recomeçar suas vidas, reconstruir rotinas e contribuir para o bem-estar das comunidades onde são recebidos. Essas pessoas precisam e contam com nosso apoio", avalia. O advogado conta que há no Brasil uma crescente rede de organizações da sociedade civil e de entidades nas distintas esferas da administração pública. "Penso que um primeiro passo é procurar qualquer dessas organizações e ver de que forma nosso apoio poderia ser mais útil às pessoas refugiadas", aconselha.