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Sorocaba e Região

Sorocaba tem 88 áreas de risco mapeadas pela Defesa Civil

São 41 pontos com perigo de alagamento, 21 de inundação e outros 26 de deslizamento
Por risco de deslizamento, pontos na Vila Hortência são acompanhados. Crédito da foto: Emídio Marques (13/1/2020)

Sorocaba tem atualmente 88 áreas mapeadas consideradas de risco, segundo a Defesa Civil. Desse total, 41 locais apresentam risco de alagamento, 21 de inundação e 26 de deslizamento. Conforme Alexandre Lima, coordenador geral da Defesa Civil, os dois primeiros riscos citados são mais frequentes na cidade, principalmente no verão. Já os deslizamentos, explica, não ocorrem na cidade há mais de dez anos, mas pontos seguem sendo monitorados.

Na semana passada o jornal Cruzeiro do Sul relembrou alguns pontos da cidade que sempre diante dos temporais ficam alagados e inundados, entre eles os bairros Parque Vitória Régia e Jardim Maria do Carmo. “A inundação é quando há transbordamento de rio, atingindo vias e imóveis. Já o alagamento é caracterizado pela ineficiência do escoamento, como aconteceu na avenida Dr. Afonso Vergueiro”, explica Ângelo Bergamo Filho, coordenador operacional da Defesa Civil de Sorocaba.

Bergamo Filho explica que no Parque Vitória Régia, por exemplo, seis ruas sofrem tanto com alagamento quanto inundação. Ele lembra que o trabalho dos voluntários que fazem parte do Núcleo Comunitário da Defesa Civil (NCDC) é fundamental para alertar a população quando há ameaças de tempestade. Atualmente 77 pessoas estão cadastradas como voluntárias. “Esses munícipes são os nossos olhos por toda a cidade e eles monitoram a região em que vivem”, explica Lima.

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Alexandre Lima, coordenador geral da Defesa Civil. Crédito da foto: Emídio Marques (13/1/2020)

Sobre a quantidade de áreas consideradas de risco, o coordenador geral da Defesa Civil explica que são listadas somente regiões onde há moradias, logo, quando há pessoas em risco. “Algumas áreas que estão nessa lista, como o Santo André 2 e o São Bento 2 foram praticamente já desocupadas e muitas pessoas que viviam ali hoje moram no Carandá, mas ainda restaram algumas moradias e é preciso vigilância constante para que não ocorram novas ocupações. Por isso esses locais permanecem mapeados”, relata.

Antiga pedreira no Trujilo também é uma das áreas monitoradas. Crédito da foto: Emídio Marques (13/1/2020)

 

Monitoramento

Entre os locais de alerta para deslizamento estão as ruas Mari Dora D’Arienzo Favoreto e Pombal Ruggeri, no bairro Trujilo. Dezenas de imóveis estão abaixo de uma antiga pedreira e outros estão construídos sobre as grandes rochas. Já na Vila Hortência, entre as ruas Professor Enéas Proença de Arruda e Antonio Camargo, o que preocupa é um morro com vegetação. A dona de casa Terezinha Maria Izidório, 61, conta que o terreno vazio, muito íngreme, não recebe nenhum tipo de manutenção. “Quando chove a gente fica com medo de cair árvore e causar algum acidente. O mato está muito alto e parece tudo abandonado”, critica a moradora.

Morando no bairro há 35 anos, o aposentado Pedro Madureira Vanderlei, 75, conta que quando comprou o terreno fez uma fundação bem reforçada por conta das características do espaço e garante que nunca sofreu durante as chuvas. Para Genésio Elídio Boy, 81, o local é sim seguro, mas ele recorda que há alguns anos uma casa desabou durante uma chuva e parte de seu imóvel foi comprometido. “Choveu e acho que a casa era mal feita, aí não aguentou e pegou todo o meu quintal”, relembra.

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Genésio Elídio Boy, morador na Vila Hortência. Crédito da foto: Emídio Marques (13/1/2020)

Na Vila Astúrias, na região de Brigadeiro Tobias, também há algumas ruas consideradas com risco de deslizamento, uma delas é a Santa Maria. Antigamente no local havia vários barracos e a maioria dos moradores foram retirados da área e beneficiados em programas habitacionais. Já na parte regularizada, conta a aposentada Maria Virtudes Lima, 70, as chuvas mais agressivas ainda causam danos. “O meu terreno é bem inclinado, mas a minha casa, por ser no nível da rua, sofre menos”, afirma. Na mesma propriedade há outra casa na parte de baixo e ela conta que algumas vezes a enxurrada leva terra até os cômodos.

Maria Virtudes Lima, moradora do bairro Brigadeiro Tobias. Crédito da foto: Emídio Marques (13/1/2020)

 

Alerta

De acordo com a Defesa Civil, as chuvas constantes é que apresentam mais riscos de deslizamento de terra, pois vão umedecendo o solo. “Quando a gente vê uma chuva torrencial, como na semana passada, quando choveu 93 milímetros (mm) em um dia, o risco é maior de alagamentos e inundações”, explica Bergamo Filho. O procedimento realizado pela equipe técnica do órgão é que se ao longo de três dias as chuvas somam mais de 60 mm, visitas são realizadas nos locais considerados arriscados.

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Ângelo Bergamo Filho, coordenador operacional da Defesa Civil de Sorocaba. Crédito da foto: Emídio Marques (13/1/2020)

No mês de dezembro, segundo a Defesa Civil, o esperado de chuvas era de 183 mm, mas o mês chegou a 355 mm. Já em janeiro a previsão é de 285 mm, mas somente em dez dias a cidade já registrou mais de 170 mm. “Acreditamos que chegará em 330 mm e realizamos monitoramento constante”, disse Lima. Para fevereiro o esperado é de 142 mm de chuva e para março 153 mm.

A orientação em caso de tempestades é, se possível, não sair de casa caso ela esteja em área livre de alagamentos, inundações ou deslizamento. Já em locais de risco, é recomendado deixar o imóvel e buscar abrigo em locais seguros. Se estiver no trânsito, Lima lembra que é importante evitar colocar o carro em enchentes e caso seja impossível se afastar do local, é prudente aguardar socorro. (Larissa Pessoa)

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