Sorocaba e Região

Sorocaba tem 21 casos suspeitos de gripe H1N1

Sorocaba tem 21 casos suspeitos de gripe influenza H1N1 somente no mês de julho. Desses casos, há três óbitos que podem estar ligados ao vírus. Ao longo de 2018, foram registrados 19 casos de H1N1, dos quais 8 evoluíram para óbitos. Em 2017 não houve registros de H1N1 na cidade. Para enfrentar o vírus, a Secretaria da Saúde, conforme informações da titular da pasta, Marina Elaine Pereira, prepara uma série de medidas.

A principal é a vacinação. “Nós não tivemos a meta atingida porque a população não está se vacinando, isso no estado de São Paulo todo. O que acontece é que se as pessoas não se vacinarem corre o risco de ter uma epidemia lá na frente. A importância da vacina é justamente para isso, para a prevenção. Então, a gente estendeu a campanha. As UBSs ainda estão com as vacinas”, lembra a secretária.

Segundo Marina, a ideia é abrir a vacinação para todas as pessoas e não somente para os grupos de risco. “Temos que fornecer a vacina e conscientizar a população para que se vacine”, diz. Outra medida diz respeito às internações. “Nós adquirimos 15 leitos a mais na Santa Casa e, estratégicamente, serão leitos para isolamento, porque o vírus se prolifera muito rápido. Mas, acho que a base de tudo é a conscientização com a população”, opina.

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Marina ainda afirma que estará amanhã com o governador Márcio França (PSB) para pedir aumento no estoque do Tamiflu que é o medicamento usado no tratamento da gripe H1N1.

Entre os casos de H1N1 registrados e que aguardam resultado em Sorocaba estão pacientes de outras cidades da região, que chegam a 30%.

Notificações

Conforme diretriz do Ministério da Saúde, somente casos de gripe grave, caracterizados como Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), independentemente do tipo, são de notificação obrigatória no Brasil.

Infectologista há 35 anos, o médico Fernando Monti afirma que o que se conhece em termos de números oficiais da doença é o volume de casos que são notificáveis. “A notificação não é exatamente pelo número de pessoas que estão tendo neste momento infecção pelo vírus influenza. Se fôssemos pegar todas as pessoas com vírus Influenza, seriam centenas, talvez milhares de casos. O que é notificado é a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). O sujeito que tem um quadro presumidamente infeccioso no aparelho respiratório em geral precisa de UTI. Esses casos são notificáveis”, argumenta. “Não se faz notificação de pessoas que evoluem de forma mais branda”, acrescenta Fernando.

“Em 19 casos de evolução grave com 8 óbitos, como acontece atualmente em Sorocaba, pode-se dizer que não houve apenas 19 casos de pessoas infectadas com H1N1. Foram muitos mais. Quantos foram?” indaga o médico infectologista. “Eu não sei. Eles não foram notificados. Como os casos só são notificados a partir das formas graves, não se sabe o universo das pessoas que tiveram infecção pelo vírus influenza. O sistema de saúde só se preocupa com a evolução grave”, argumenta.

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Entretanto, o especialista explica que não se trata de subnotificação “porque não está previsto que esses casos sejam notificados. Quando não se notifica um caso que não deveria ter sido notificado não é subnotificação”, afirma. Monti também diz que não há razão para pânico.

“Razão para preocupação a gente precisa ter. O que não pode ter é pânico. Tem que ter conhecimento de que a ocorrência da doença aumenta no inverno e de que a evolução de muitos casos pode ser fatal, em especial nos grupos de risco”, comenta. Estão nesses grupos de risco trabalhadores da saúde, indígenas, pessoas com 60 anos ou mais, crianças, gestantes e puérperas — mulheres que acabaram de dar a luz –, portadores de comorbidades — existência de duas ou mais doenças simultaneamente –, professores de escolas públicas e privadas, funcionários do sistema prisional e a população privada de liberdade.

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Por fim, o médico também reforça a necessidade da vacinação. Segundo ele, o procedimento é uma medida importante, em especial nos grupos de risco. “Não tem muito jeito de evitar a gripe. É preciso evitar a forma grave, justamente com a vacinação”, finaliza o infectologista.

A Secretaria de Saúde afirmou que todas as coletas de amostras das hipóteses diagnósticas de Síndrome Respiratória Aguda Grave, são encaminhadas para análise do Instituto Adolfo Lutz. “Além disso, é realizada a coleta de amostra para investigação da Influenza. Essas coletas são feitas nos hospitais”, completa a informação da secretaria.

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