Sorocaba e Região

Sorocaba não dispõe de controle sobre árvores

Sem catálogo do total de espécies e do seu estado, Prefeitura depende de reclamações de munícipes
Sorocaba não dispõe de controle sobre árvores
Adriana teme que árvore caia sobre sua casa e cansou de reclamar sobre o problema. Crédito da foto: Erick Pinheiro

A Prefeitura de Sorocaba não possui planejamento referente às árvores existentes na cidade. O número total e as possíveis árvores comprometidas não estão catalogadas na Secretaria de Meio Ambiente, Parque e Jardins (Sema), responsável pelas áreas verdes do município. Sem um estudo, a responsabilidade para a comunicação de uma poda ou inspeção para saber a condição que uma árvore se encontra cabe ao cidadão, que deve informar a Prefeitura por meio da Ouvidoria.

A administração municipal informou que apenas realiza um trabalho quando o munícipe informa a Ouvidoria da necessidade de poda ou manutenção. Nos espaços públicos, como praças, por exemplo, para encontrar possíveis problemas a atuação é feita apenas através da observação realizada por funcionários da Semes.

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Mesmo quando o munícipe aciona a Prefeitura sobre problemas com árvores, a demora para a solução é grande e até inexistente. Como é o caso da Adriana Cristina Ferreira, residente da Vila Haro, e que há meses busca uma solução para um árvore que causa problemas em sua residência. Localizada em um terreno particular no fundo do seu imóvel, a árvore está inclinando, com o passar do tempo, em cima do seu telhado. Algo que assusta a faxineira de 42 anos. “Se cair em cima da casa, vai destruir tudo. Ela é muito grande”, relata.

Adriana procurou a administração da cidade por diversas vezes, e no último dia 12 de março protocolou um pedido de fiscalização na Ouvidoria. A resposta chegou apenas no dia 5 de abril, mas sem nenhuma solução. Segundo a Secretaria de Segurança e Defesa Civil, a denúncia foi encaminhada ao setor responsável para as devidas providências. Após o prazo legal, caso os autos de infração não sejam atendidos, serão adotadas as penalidades previstas em lei.

O problema ainda segue na residência da Adriana, e não apenas no temor de uma possível queda, mas nas finanças e saúde de sua família. “Como a árvore é muito grande, faz sombra e não bate sol na minha casa. Eu perco móveis em função da umidade, e os meus filhos têm bronquite por causa do mofo”, conta.

O Cruzeiro do Sul questionou a Prefeitura sobre o número de ocorrências de quedas de árvores na cidade, mas não teve retorno.

Procedimento necessário

O professor do curso de engenharia ambiental da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Admilson Irio Ribeiro, explicou a necessidade do entendimento da saúde das árvores. “Elas têm um tempo de vida, cada uma tem um solo adequado para ser plantada. A própria Prefeitura tem que fazer um estudo dentro da cidade”, relatou.

Entender as áreas verdes como importantes e a necessidade de cuidado é de extrema importância, como explica o professor doutor Admilson Irio Ribeiro. “Colocamos árvores para recuperarmos em parte as funcionalidades de floresta no meio ambiente. Elas ajudam a minimizar ondas de calor, filtro de emissão de carbono, são importantes para a saúde humana” relata. Entender as áreas verdes como fundamentais e a necessidade de cuidado é de extrema importância, como explica Ribeiro. (Zeca Cardoso)

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