Sorocaba e Região

Secid mantém serviço de abordagem de pessoas em situação de rua

Em nota, a pasta destacou que a ação foca nas pessoas que acabam ficando fora dos abrigos disponibilizados
Secid mantém serviço de abordagem de pessoas em situação de rua
A Secid pede que o Serviço de Abordagem seja acionado para entender pessoas em situação de rua. Crédito da foto: Vinícius Fonseca (21/8/2020)

A Secretaria de Cidadania da Prefeitura de Sorocaba (Secid) vai manter o serviço de abordagem social das pessoas em situação de rua sem interrupções durante o período de frio intenso registrado na cidade.

Em nota, a pasta destacou que a ação foca nas pessoas que acabam ficando fora dos abrigos disponibilizados.

O alerta, conforme a secretaria, tem o objetivo de buscar apoio da comunidade.

Ou seja, fazer com que as pessoas acionem o Serviço de Abordagem Social sempre que for constatado que alguém está exposto ao frio nas ruas.

“O trabalho consiste em abordar e acolher essas pessoas, conduzindo-as a um local adequado, onde terão alimentação, condições de higiene e pouso”, explicou a pasta.

Sem interrupções

O atendimento, que costuma ser realizado todos os dias, até às 22 horas, não está sofrendo interrupções por conta das baixas temperaturas.

Os telefones do serviço são: (15) 99827-9615/ 3229-0774/ 99841-6285.

Também é possível obter informações sobre acolhimento e entidades conveniadas no site sorocaba.sp.gov.br/atendimento.

A secretaria pede que, para o trabalho ser efetivo, que sejam descritas as características da pessoa que vai ser abordada e o local onde ela está.

Em plena pandemia, o Clube do Idoso e a sede do Serviço de Obras Sociais (SOS) passaram a funcionar como áreas de abrigo.

Assim, esses locais atendem, respectivamente, 60 e 50 pessoas por dia.

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Há, ainda um Centro de Triagem que faz o monitoramento de casos de contaminação ou suspeita de Covid-19, com encaminhamento a tratamento médico.

Presença incômoda

A convivência com pessoas em situação de rua na praça Coronel Fernando Prestes, em Sorocaba, continua gerando reclamações de comerciantes da área, que apontam prejuízos aos negócios e intimidações.

Um dos lojistas da região, que preferiu não se identificar, contou ter problemas diários em frente ao comércio dele, especialmente com pessoas que, além de viverem na rua, também são usuárias de drogas.

“Mais do que espantar clientes, alguns entram na loja e mexem nos produtos. Eles nem entendem o que fazem, por conta do uso de drogas”, frisou.

O comerciante também afirmou que a porta da loja dele sempre fica suja de urina e fezes.

“A vida daquelas pessoas é ali. Seria melhor que fossem para os abrigos, mas, nesses locais, elas têm algumas restrições, como não poder beber. A situação está difícil”, destacou.

Há relatos, ainda, de que o policiamento na praça inibe algumas dessas pessoas a permanecer no local.

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Também há reclamações da vigilância da Guarda Civil Municipal (GCM) por um período curto de tempo.

Situação incômoda

Outra lojista, que também não quis se identificar, disse não julgar a história ou as situações que levam as pessoas a essa situação, mas pontuou que a concentração na praça é incômoda.

“Quando um cliente chega e é intimidado, ele vai embora na mesma hora ou compra e não volta mais. Muitos já disseram ter medo de passar por lá ou de sentar nos bancos. Ainda há casos de brigas entre essas pessoas e os garis sofrem com o descarte incorreto de sacolas que contêm as necessidades deles”, completou.

Em nota, a Secretaria de Cidadania disse que a equipe de abordagem social especializada realiza diariamente a busca ativa da população de rua em diferentes pontos da região central para acolhimento.

A prefeitura também foi questionada sobre fiscalizações e a atuação da GCM na praça, mas não respondeu até o fechamento desta edição.

Estado de saúde mental é um desafio, diz secretaria

O estado da saúde mental de algumas pessoas que vivem em situação de rua é considerado um desafio pela Secretaria de Cidadania (Secid) de Sorocaba.

Em casos graves de pessoas com problemas de saúde mental e que não aceitam tratamento, a pasta informou ter uma atuação mais focada, contando com o apoio do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e da Guarda Civil Municipal (GCM) nas intervenções.

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Segundo a chefe da Divisão de Proteção Social Especial, Fabiana Machado Côrrea, uma parcela da população de rua sofre de problemas mentais, o que exige uma articulação para oferta do tratamento adequado em parceria com os Centros de Atenção Psicossociais (Caps).

Pessoas em situação de rua precisam aceitar auxílio

Ela ressalta, no entanto, que o abordado precisa aceitar esse auxílio.

“As ações precisam ser articuladas e planejadas de modo a acessar a pessoa em situação de rua de maneira assertiva. Por exemplo, direcionando para o leito do Caps ou até para internação, que, no caso de Sorocaba, o hospital de referência é a Santa Casa de Misericórdia”, completou.

O secretário de Cidadania, Paulo Henrique Soranz, disse que a pandemia da Covid-19 fez a situação dessas pessoas ficar mais explícita.

“É muito importante que essas pessoas que têm problemas de saúde mental e vivem em situação de rua tenham garantido o mínimo de dignidade”, pontuou o titular da pasta. (Erick Rodrigues)

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