Sorocaba e Região

Saúde do rio Sorocaba está nas mãos de todos

Especialistas alertam para necessidade de conservar nascentes e descartar plásticos corretamente
Saúde do Sorocaba está nas mãos de todos
Microplásticos ameaçam peixes e pássaros e chegam ao organismo humano. Crédito da foto: Divulgação / Saae

Neste 22 de março, data em que são comemorados o Dia Mundial da Água e o Dia do Rio Sorocaba, estudiosos do meio ambiente falam sobre as responsabilidades individuais, como cidadãos, para manter esses bens tão preciosos. O recado geral é o de sempre: evitar o desperdício da água potável e jogar o lixo no lixo. Nada de descartar coisas na rua, para evitar a poluição de um rio que já está recuperado em sua quase totalidade. O alerta maior, direcionado não apenas à população como também e, principalmente, aos gestores públicos, é com relação aos cuidados que devem ser tomados com as nascentes e com a quantidade de plásticos no rio.

A Prefeitura acaba de lançar um projeto, intitulado Nascentes Modelo de Sorocaba (veja reportagem nesta página). Esse projeto, de educação ambiental, será importante para conscientizar e também cuidar do que temos na cidade. No entanto, o biólogo Demis Lima, especializado em Educação Ambiental e Botânica, observa que as nascentes – cujas águas vão parar no Rio Sorocaba – não estão localizadas apenas no município. “Muitas vêm de outras cidades, que não estão fazendo a sua parte.”

Demis explica que as pequenas nascentes, sozinhas, não têm condições de abastecer o rio, mas várias delas é que o alimentam. “A vantagem é que auxiliam no processo de despoluição do rio. Mas, se estiverem contaminadas, podem prejudicá-lo, afinal as nascentes são alimentos para o rio e podem fazer isso tanto com água boa como com poluentes”, diz.

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Esforço de todos

Com relação ao papel das outras cidades no cuidado das nascentes, é preciso, primeiro, entender o trajeto do rio. O Sorocaba é formado a partir união dos rios Sorocabuçu e Sorocamirim, que se encontram em Ibiúna, e vão se juntando a outras pequenas nascentes até o seu primeiro represamento, no município de Votorantim: o reservatório de Itupararanga.

Além dos rios Sorocabuçu e Sorocamirim (formados por córregos e ribeirões), outros pequenos riachos com origem na Serra de São Francisco deságuam no rio Sorocaba, mais precisamente na represa, contribuindo com a sua formação. Após passar por Sorocaba, o rio segue pelos municípios de Iperó, Tatuí e Cerquilho, até chegar a Laranjal Paulista, onde deságua no Tietê.

Como o rio depende de águas vindas de outras cidades, Demis afirma que é preciso união das pessoas – cidadãos e políticos — para realmente enfrentar problemas relacionados a esse fato. “Os prefeitos têm de criar projetos em comum para proteger as nascentes. É preciso zelar para que não tenham lixo, conter os processos erosivos e não deixar cair esgoto clandestino”, pontua.

O biólogo afirma ainda que tem também a questão da vegetação, que precisa ser mantida com a biodiversidade de árvores. “Tudo isso garante a sustentabilidade a longo prazo. A população também tem sua responsabilidade, mas não é muito preocupada com a questão das nascentes, nem sabe onde elas estão”, lamenta.

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Na avaliação de Demis, no que cabe a Sorocaba, o município deveria cuidar principalmente das nascentes que estão dentro dos parques fechados. O Parque da Biquinha, afirma, tem uma Nascente Modelo, mas está poluída. “Já no Campolim tem esgoto clandestino que escorre para o rio, então mesmo aqui na cidade as pessoas precisam se conscientizar.”

Microplásticos

Já a preocupação do biólogo e doutor em engenharia ambiental, Welber Smith, é com relação aos plásticos que vão parar no rio. Eles se dividem em microplásticos e são consumidos pelos peixes. Consequentemente, estão no organismo humano. “São partículas menores que 5 mm. Pesquisas indicam que estão no sal de cozinha e na água consumida”, ressalta Smith, que também é professor do curso de Ciências Biológicas da Unip Sorocaba e conselheiro do meio ambiente da cidade, além de pesquisador do rio Sorocaba há 27 anos. Segundo o especialista, esse não é um problema apenas de Sorocaba, mas do Brasil todo e que deve ser combatido.

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Das espécies que vivem no rio Sorocaba, 30% delas apresentaram microplásticos em seu conteúdo estomacal, diz o biólogo, que tem se dedicado a um estudo sobre o tema.

Para reduzir a chegada de plástico no rio, o professor afirma que é preciso desenvolver ações de educação ambiental junto à população, ensinando a dar o destino correto a esses materiais. O poder público também deve realizar a ampliação da coleta seletiva e promover a redução drástica do consumo de plástico.

Dia de conscientização

O Dia Mundial da Água foi estabelecido pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em 1993, para promover a consciência em todo o mundo sobre a importância deste recurso natural para a promoção da vida saudável no planeta.

Já o Dia do Rio Sorocaba foi instituído pela lei municipal nº 5.433, de 10 de setembro de 1997, com o objetivo de ampliar o universo de conhecimento sobre a importância da recuperação do rio Sorocaba e da preservação dos mananciais. A data também faz parte do Calendário Oficial de Datas Alusivas ao Meio Ambiente, instituído pela lei municipal nº 8.812, de 15 de julho de 2009. (Daniela Jacinto)

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