Sorocaba e Região

Santa Casa de Sorocaba recebe acelerador linear

Aparelho, vindo da Califórnia e financiado pelo Ministério da Saúde, será usado no tratamento de radioterapia
O aparelho, no valor de aproximadamente R$ 6 milhões, será usado no tratamento de radioterapia . Crédito da foto: Emídio Marques

 

A Santa Casa de Misericórdia de Sorocaba recebeu nesta sexta-feira (28) o acelerador linear, vindo da Califórnia (EUA). O aparelho, no valor de aproximadamente R$ 6 milhões, será usado no tratamento de radioterapia de milhares de pacientes inseridos no Departamento Regional de Saúde de Sorocaba (DRS-16), que contempla 48 municípios. Segundo o médico José Carlos Menegoci, coordenador da radioterapia da Santa Casa, unindo o novo aparelho com o que já está em funcionamento, à base de cobalto, será possível realizar, em média, 110 atendimentos por dia na cidade.

O acelerador linear foi financiado pelo Ministério da Saúde, assim como a construção da casamata. As obras tiveram início em 2016, e desde o ano passado a radioterapia por meio do acelerador linear deveria estar ocorrendo. Atrasos por parte da construtora contratada, porém, adiaram a conclusão da casamata — um espaço espacial com isolamento radioativo e outras particularidades. Segundo Menegoci, o local está sendo finalizado e agora resta a conclusão de cômodos anexos, como banheiro, sala de espera e consultórios. “Até o início de novembro a casamata estará pronta”, afirma.

 

Já o acelerador linear passará por quatro etapas antes de ser usado, efetivamente, pelos pacientes. Menegoci explica que primeiramente será realizada a montagem do aparelho, depois serão feitos testes, seguido pela etapa de comissionamento — uma espécie de teste feito pela Santa Casa para constatar se o aparelho cumpre todos os requisitos para operar. Por último os funcionários que irão operar a máquina passarão por treinamento. “Acreditamos que até o Natal o novo aparelho estará sendo utilizado nos tratamentos”, disse o médico.

O médico explica que o acelerador linear funciona por eletricidade e produz feixes de radiação que atingem as áreas adoentadas. Menegoci diz que quando se trata de câncer não há uma ordem pré determinada de tratamento. “Alguns pacientes fazem só a quimioterapia, outros só a radio, ou precisam dos dois tipos. Cada caso tem suas especificidades.” Durante o atendimento, o coordenador explica que o paciente fica em contato com a radiação aproximadamente cinco minutos e apenas um médico e um técnico acompanham esse processo. A capacidade do acelerador é de atender cinco pacientes por hora.

Prazos

O Plano de Expansão da Radioterapia no Sistema Único de Saúde (SUS) teve início em 2012, e além do acelerador linear que chegou ao município ontem, o Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS) também está na lista para receber um aparelho, assim como outros 80 hospitais brasileiros. No cronograma de setembro divulgado pelo Ministério da Saúde, consta que o acelerador linear poderia chegar a Sorocaba até o dia 31 de outubro, o que mostra um adiantamento nesse processo.

O Ministério da Saúde aponta que 88% das obras da casamata já estão prontas e que o prazo para que seja feita a liberação de operação (após todos os testes) vai até 3 de janeiro do ano que vem. Por fim, segundo o governo federal, o aparelho deve funcionar até o dia 29 de janeiro. O presidente da Irmandade Santa Casa de Misericórdia, padre Flávio Miguel Jorge Júnior e o coordenador do serviço de radioterapia, o médico Menegoci, porém, acreditam que o tratamento através do acelerador linear será iniciado antes do prazo previsto, ainda em 2018.

Para a construção da casamata, segundo o Ministério da Saúde, foram investidos R$ 2,3 milhões. Das 80 localidades que devem receber o acelerador, apenas oito já tiveram as obras concluídas e estão realizando os tratamentos de radioterapia. 26 cidades que estão na lista do Plano de Expansão da Radioterapia estão na mesma situação que Sorocaba, com o processo em andamento. Cinco locais já foram licitados, mas ainda aguardam a ordem de serviço. 15 hospitais brasileiros, entre eles o CHS, estão em processo de licitatório. Há oito projetos em análise, ou seja, ainda não ocorreu licitação.

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