Sorocaba e Região

Rua inacabada gera transtornos e insegurança no Centro de Sorocaba

Ligação entre a Padre Luiz e Francisco Scarpa começou há três anos e a presença de usuários de drogas incomoda
Desapropriações pendentes dificultam o término da obra, diz a Prefeitura. Foto: Erick Pinheiro

Aberto praticamente há três anos para propiciar o alongamento da rua Saldanha da Gama até a rua Francisco Scarpa, o acesso existente entre as ruas Padre Luiz e Francisco Scarpa continua sendo motivo de reclamação para comerciantes e moradores daquela parte da região central. Segundo eles, ali há presença de usuários de drogas, ocorrências de furtos, e até mesmo danos causados aos imóveis por conta das demolições dos prédios desapropriados.

A situação de insegurança foi registrada pelo Jornal Cruzeiro do Sul em agosto de 2017 e, na ocasião, a Prefeitura informou que planejava o fechamento do acesso até que toda questão judicial pendente para o início das obras estivesse resolvida. Agora, porém, a Prefeitura optou por manter a via aberta.

Para a vendedora de uma loja da rua Francisco Scarpa, Rosângela Claudino, a Prefeitura deveria ter aberto o acesso somente após ter resolvido toda a situação envolvendo as desapropriações.

Maria de Fátima Camillo, que mantém comércio e residência naquela rua, comenta ter medo pela presença de usuários de drogas que se juntam naquela via a partir do início da noite, e o aposentado Dirceu Ribeiro, que conhece bem a situação por ter já ter trabalhado naquelas proximidades e, por isso, é solidário com os reclamantes, atenta também para a sujeira existente no acesso, apontando inclusive para água parada e barro. Ainda segundo ele, a insegurança também se faz presente durante o dia, uma vez que várias pessoas, que acabaram usando a via como estacionamento, teriam tido veículos furtados.

Maria de Fátima teme a presença de usuários de drogas; Dirceu preocupa-se com o acúmulo de sujeira. Foto: Erick Pinheiro

Ele também aponta outro problema: “durante o ano letivo, é comum ver os estudantes que se utilizam do Terminal Santo Antônio (TSA) passarem pelo local e atravessar a rua Francisco Scarpa sem nenhum cuidado, havendo riscos de acidentes”.

A comerciante Vera Regina Francisco, dona da Loja dos Filtros, que fica na rua Padre Luiz, disse já ter aberto processo contra a Prefeitura, visando ressarcimento pelos danos causados ao seu estabelecimento pela infiltração decorrente das paredes demolidas, que ficaram com frestas abertas. Segundo ela, com a chuva da última sexta-feira, jorrava água por uma parte da parede.

Projeto

O alongamento da rua Saldanha da Gama, que no trecho entre as ruas Padre Luiz e Francisco Scarpa se chamará Pedro Hirofumi Nakazoni, apresentava, em seu projeto, um acordo firmado junto a um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre a Prefeitura local e o Pátio Cianê Empreendimentos Imobiliários. Na reportagem divulgada na segunda quinzena de agosto de 2017, a Prefeitura havia informado, por meio da Secretaria de Planejamento e Projetos, que a área já desapropriada não tinha as dimensões necessárias para a abertura da nova via, especificando que isso dependia da desapropriação de quatro imóveis, dos quais dois já haviam sido desapropriados e derrubados pela administração municipal passada, e que a desapropriação dos demais ainda era discutida na justiça. A pasta também estudava fechar o acesso.

Loja de Vera Regina teve infiltração decorrente das demolições dos imóveis vizinhos. Foto: Erick Pinheiro

A posição do Pátio Cianê se manteve, sendo que, conforme se manifestou em nota, ainda aguarda o andamento das etapas prévias ao início da obra, que são de responsabilidade da Prefeitura de Sorocaba, relembrando ainda que “os cronogramas e a execução de cada uma dessas fases são de responsabilidade da Prefeitura”.

Já a Prefeitura, por sua vez, informou, em nota encaminhada pela Secretaria de Comunicação, que, “por considerar um espaço importante para a mobilidade da cidade, o fechamento da via foi desconsiderado. A solução encontrada foi abrir o espaço como via de passagem de pedestres até que as duas desapropriações sejam concluídas. A Serpo enviará técnicos ao local para avaliar e tomar as devidas providências”.

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