Sorocaba e Região

Rodízio gera economia de 32% nos primeiros quatro dias em Sorocaba

A situação, porém, ainda é crítica e não há data definida para o fim do rodízio

O primeiro ciclo de rodízio de água, iniciado na quarta-feira (6) passada em Sorocaba, gerou uma economia de 32% nas Estações de Tratamento de Água (ETA) Cerrado e Éden. O nível dos três mananciais que estavam em situação mais crítica — Ferraz, Ipaneminha e Castelinho — tiveram uma recuperação “fantástica”, na avaliação do diretor geral do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), Mauri Pongitor. A situação, porém, ainda é crítica e não há data definida para o fim do rodízio.

Conforme Pongitor, a represa de Ipaneminha, que estava com apenas 2% de água, chegou, no final de semana, ao nível de 23%. Esse reservatório funciona como um complemento no abastecimento de água bruta da ETA Cerrado. As represas Castelinho e Ferraz, que atendem a região industrial, como Éden, Cajuru e Aparecidinha, passaram de 8% para 15%. Itupararanga, administrado pela Votorantim Energia, segue operando com 50% de seu reservatório.

As temperaturas mais baixas e as chuvas da última semana, segundo o diretor da autarquia, amenizaram a crise hídrica que atinge a cidade, mas ainda é preciso um volume maior de chuvas. “O clima mais ameno, de imediato, já gera economia porque as pessoas consomem menos água. A chuva, mesmo discreta, já molha a terra e ajuda na recuperação dos mananciais”, avaliou. Nos últimos dias, segundo Pongitor, foi registrado 22 milímetros de chuva na ETA Cerrado e 22 mm na ETA Éden.

Até o próximo final de semana, segundo o diretor da autarquia, será realizada uma nova avaliação de todos os mananciais e então será decidido pelo prosseguimento ou não do rodízio. “A gente fica na dependência da chuva, mas é importante agradecer a compreensão da população e frisar que essa foi a medida mais responsável que poderíamos tomar”, disse. Sobre os meses de verão, que registram temperaturas mais altas, Pongitor também se mostrou otimista e conta com bons índices pluviométricos. “O rodízio não veio por falta de reservação ou tratamento, mas sim por uma questão da natureza”, justifica.

Pongitor conta que a implantação do rodízio foi necessária para que houvesse uma “justiça hídrica” na cidade. Como a chuva esperada na primavera não caiu e as temperaturas ficaram muito altas, chegando aos 38ºC, o diretor do Saae conta que mesmo com as ETAs operando normalmente, os reservatórios eram rapidamente esgotados. “O consumo normal é na média de 140 litros por dia, por pessoa. Nos dias quentes chegou a 220 litros”, afirma.

A região norte da cidade, que é a mais populosa e mais alta, segundo o diretor, foi a que mais sofreu com a crise hídrica antes da implantação do rodízio. “Os técnicos começaram a planejar uma maneira de tornar esse racionamento mais justo.” Com o revezamento no abastecimento, todos os bairros da cidade ficam, a cada quatro dias, sem abastecimento das 17h às 6h do dia seguinte.

Primeiro ciclo de rodízio de água gerou uma economia de 32% em Sorocaba. Crédito da foto: Emídio Marques (11/11/2019)

Medidas

Sobre as medidas para evitar novas crises hídricas, o diretor do Saae destaca que a autarquia realiza planejamentos a longo prazo e a prova disso é a ETA Vitória Régia, que deve ficar pronta até o final do primeiro semestre do ano que vem. Ao final das obras, a estimativa do Saae é que a capacidade de abastecimento aumente em 18% e água captada virá do Rio Sorocaba. “É um trabalho de 80 milhões, que teve início em 2017 e está muito avançado”, defendeu. Até o final deste ano também deve começar a operar a quarta adutora de água bruta de Itupararanga.

Conscientização e mudança

O diretor do Saae descartou implantar medidas como a aplicação de multa à população em caso de flagrante de desperdício, como passou a acontecer em Salto. “Não acreditamos em punição, mas sim em uma mudança cultural.” A instalação de cisternas também foi apontada como forma de amenizar futuras crises hídricas, mas segundo o diretor, é preciso planejamento e incentivo para que isso passe a ser um hábito. “Para ter uma cisterna eficiente é preciso investimento e modificações no imóvel, mas estamos passando por uma crise econômica que muitas pessoas não conseguem sequer colocar caixa d’água em casa”, afirma.

Sobre a falta do sistema de captação em prédios públicos, ele destacou que isso ocorre também por questões culturais, já que há anos pouco se falava sobre este método de abastecimento. “Para implantar uma cisterna em um prédio como o Paço, por exemplo, requer uma obra enorme e torna-se inviável.”

O crescimento de loteamentos em Sorocaba foi apontado por especialistas como outra causa para a crise hídrica. Pongitor afirma que a cidade cresceu conforme suas condições de abastecimento e conta que quando chega o projeto de um novo residencial, o Saae avalia se consegue ou não atender a nova demanda. “Há casos muito complexos que não conseguimos fornecer água e então a construção do imóvel não acontece”, afirma. O diretor da autarquia frisa que Plano Diretor da cidade é respeitado. (Larissa Pessoa)

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