Três homens são presos em flagrante durante operação contra soltura de balões
Ação conjunta mirou uma rede investigada por fabricar, armazenar e organizar prática clandestinas na região
Três homens foram presos em flagrante por crime ambiental e associação criminosa, na manhã desta quinta-feira (22), durante a Operação Ícaro, realizada pela Polícia Civil, pela Polícia Militar Ambiental e pelo Ministério Público (MP), em Sorocaba e Votorantim. A investigação, que teve início em 2025, apura a atividade baloeira ilícita e irregular na região.
A ação cumpriu 20 mandados de busca e apreensão em 12 endereços ligados a nove investigados. Um dos homens presos também foi identificado como líder de um grupo de WhatsApp utilizado para a organização de solturas de balões e também por articular a defesa de envolvidos em crimes ambientais. Os agentes também descobriram a existência de dois grupos: Vikings e Abaloprados, caracterizados como organizações criminosas.
Segundo o promotor de Justiça do Meio Ambiente Marcelo Silva Cassola, havia interligação entre desses grupos na fabricação e confecção dos balões e na organização dos eventos de soltura. "Normalmente, esses eventos são realizados em chácaras e locais de difícil acesso, com o objetivo de dificultar a atuação preventiva da Polícia Militar Ambiental. Por isso, os envolvidos costumam escolher áreas rurais, onde consideram haver maior possibilidade de realizar a soltura”, explica.
Entre as atividades criminosas também estavam o resgate de balões e a captura desses artefatos durante a queda.
No total, 30 policiais civis participaram da operação conjunta com o MP e com a Polícia Militar Ambiental. Os autos de prisão ainda estão sendo realizados no 3º Distrito Policial de Sorocaba e na Delegacia de Polícia de Votorantim.
Impacto ambiental
A soltura de balões é considerada crime ambiental, conforme o artigo 42 da Lei de Crimes Ambientais, que proíbe a fabricação, a venda, o transporte e a soltura de balões que possam provocar incêndios.
A capitã Luciana Beltrame, da Polícia Militar Ambiental, explica os impactos que a atividade de soltar balões de forma irregular pode causar. "Se um balão cair em uma residência, pode provocar incêndios e colocar em risco a vida das pessoas e dos animais. Além de oferecer riscos à atividade aérea”.
A delegada Júlia Nunes Machado, responsável pelo Serviço Especializado de Proteção Animal (Sepa), reforçou os riscos da prática.
“A fabricação e a soltura de balões representam riscos que vão além de quem participa dessa atividade. Um artefato pode provocar incêndios, atingir áreas de vegetação e colocar vidas em perigo. A operação é importante para identificar os responsáveis e reunir provas para que as medidas cabíveis sejam tomadas”.
O crime pode resultar em detenção de um a três anos ou multa, a partir de R$ 10 mil. Os valores podem dobrar em caso de reincidências.