CPI da Santa Casa de São Roque ouvirá familiares de vítimas nesta quinta-feira
Depoimentos serão realizados em sessão privada para preservar a intimidade das famílias; comissão apura dois casos de mortes de crianças após atendimentos no hospital
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga dois casos de mortes de crianças relacionados a atendimentos na Santa Casa de São Roque realizará, nesta quinta-feira (22), as oitivas dos familiares das vítimas. Os depoimentos estão previstos para começar às 14h e ocorrerão em sessão privada, conforme decisão da maioria dos integrantes da comissão.
Instaurada por meio da CPI nº 02/2026, a investigação apura as circunstâncias de dois atendimentos. O primeiro envolve assistência obstétrica e neonatal, que resultou em uma morte em 29 de setembro. O segundo diz respeito à assistência neonatal e pediátrica iniciada em 24 de setembro, com posterior transferência hospitalar, e que também terminou em óbito.
A realização das oitivas em sessão privada foi definida durante a segunda reunião da comissão, em 8 de outubro. Segundo a justificativa apresentada, a medida busca proteger a intimidade dos familiares, evitar a exposição pública do sofrimento das famílias e preservar informações médicas sigilosas.
A comissão também apontou que dados relacionados à saúde, ao histórico médico, aos prontuários e às certidões de óbito são considerados sensíveis pela Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). A decisão, portanto, considera a necessidade de resguardar a privacidade dos familiares durante a apuração dos casos.
Entenda a investigação
O caso mais recente ocorreu em 29 de setembro, quando um recém-nascido morreu após o parto na Santa Casa de São Roque. Segundo a instituição, a mãe deu entrada no hospital no dia anterior, com rompimento da bolsa amniótica, mas sem estar em trabalho de parto. Após avaliação clínica, foi realizada uma cesariana de urgência. O bebê recebeu atendimento de um neonatologista, mas o óbito foi constatado.
A Santa Casa abriu uma investigação interna e afastou cautelarmente os profissionais envolvidos no atendimento. A medida, segundo o hospital, busca garantir a isenção da apuração e não representa uma conclusão sobre eventual responsabilidade da equipe. O caso foi registrado pela Polícia Civil, que aguardava os exames para esclarecer a causa da morte.
Durante a segunda reunião da CPI, em 8 de outubro, os vereadores também incluíram na investigação outro caso, envolvendo a morte de uma recém-nascida após atendimento neonatal e pediátrico iniciado em 24 de setembro, com posterior transferência hospitalar. A apuração dos dois episódios segue em andamento.