Sorocaba retira 400 toneladas de resíduos da rede de esgoto por mês
Saae alerta para o impacto do descarte irregular de materiais, inclusive nas galerias pluviais
Cerca de 400 toneladas de detritos são retiradas mensalmente pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) no sistema de gradeamento do esgoto bruto de Sorocaba, na entrada das Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs).
Em Itapetininga, como comparação, aproximadamente 15,6 toneladas de resíduos são retiradas por mês pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) no sistema de esgotamento sanitário, entre as redes coletoras e as estações de tratamento de esgoto.
Os detritos incluem sujeira, lixo, areia, entulho e restos de vegetação, mas não consideram o lodo gerado no processo. Após a retirada, os materiais recolhidos pelo Saae em Sorocaba são encaminhados para aterro sanitário licenciado.
Nas galerias pluviais, utilizadas para o escoamento da água da chuva, a autarquia realiza a limpeza regularmente, com a retirada média de 8 mil metros cúbicos de materiais por ano, ou uma média de 667 metros cúbicos por mês.
Entre os itens encontrados com maior frequência nos bueiros estão garrafas e sacolas plásticas, madeiras, areia, pedras, terra e isopor. Também há registros de peças de carros e motocicletas e até animais mortos.
O Saae alerta que os resíduos nas vias públicas, terrenos, córregos e rios podem ser levados pela chuva para o sistema de drenagem e contribuir para alagamentos. Durante obras e reformas, materiais como areia, pedras e entulhos também devem ser mantidos em caçambas.
A mistura de argamassa diretamente sobre o asfalto, em reformas ou construções, é outro problema apontado pela autarquia. Quando o material é levado pela água da chuva para as galerias pluviais, pode endurecer dentro das caixas e tubulações, reduzindo a capacidade de escoamento. Nesses casos, segundo o Saae, a correção pode exigir a reforma das caixas e até a substituição das tubulações.
Itapetininga
Em Itapetininga, entre os principais itens encontrados no sistema de esgotamento sanitário estão fraldas, absorventes, preservativos, plásticos, tecidos, restos de alimentos e óleo de cozinha.
Em 2026, a estimativa é de que aproximadamente 187 toneladas de resíduos sejam retiradas do sistema na cidade ao longo do ano. Neste ano, a Sabesp registrou 1.279 ocorrências de entupimento nas tubulações de esgoto, além da retirada de aproximadamente 150 toneladas de resíduos e areia durante serviços de manutenção, limpeza e desobstrução nas estações de bombeamento.
A Sabesp reforça que não devem ser descartados na rede de esgoto fraldas, absorventes, preservativos, cotonetes, fio dental, tecidos, plásticos, embalagens e restos de alimentos. Embora alguns desses itens pareçam pequenos, o problema aumenta quando eles se acumulam nas tubulações.
Em situações mais complexas, a solução para desobstruir a rede pode exigir, além do hidrojateamento e da sucção, a abertura do pavimento para acessar e substituir trechos da tubulação, provocando impactos no trânsito e na rotina dos moradores.
Além dos materiais sólidos, outro grande vilão é o óleo de cozinha. Quando despejado na pia, segue pela tubulação e, ao esfriar, adere às paredes internas. Com o passar do tempo, o óleo descartado forma placas de gordura que reduzem o espaço disponível para a passagem do esgoto. A gordura também facilita a retenção de outros resíduos.
O recomendado é armazenar o óleo após o uso e levá-lo a pontos de coleta.
Educação ambiental
Além das ações de manutenção, o Saae de Sorocaba desenvolve atividades de educação ambiental. Os programas "Água Viva" e "Revivágua" promovem visitas de escolas, entidades, empresas e outras instituições à Estação de Tratamento de Água (ETA) Cerrado e à ETE-S1, respectivamente. As atividades abordam o tratamento da água e do esgoto, a despoluição do rio Sorocaba, dos córregos e o uso consciente dos recursos hídricos.