MPSP abre procedimento para apurar mortandade de peixes no rio Tietê, em Salto

Cetesb realiza vistorias e coleta de água e peixes após rio apresentar coloração escura

Por Da Redação

Peixes mortos às margens do Rio Tietê em Salto

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) instaurou um procedimento para apurar a mortandade de peixes registrada no rio Tietê, em Salto, e identificar eventuais responsáveis. O caso foi denunciado pelo vereador Edemilson Santos (Podemos), após a alteração da coloração da água e o aparecimento de peixes mortos em um trecho do rio entre os bairros São Pedro e São Paulo.

Imagens dos animais mortos foram divulgadas pelo vereador nas redes sociais. A ocorrência também mobilizou a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), que realiza vistorias e coleta de amostras para tentar identificar as causas do episódio.

O MPSP confirmou o recebimento da denúncia e informou que foi instaurado procedimento para apurar o ocorrido, bem como eventuais responsáveis.

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Cetesb monitora rio

Segundo a Cetesb, as vistorias começaram na quarta-feira (2) e são realizadas diariamente em trechos do rio Tietê entre Salto e Laranjal Paulista. O trabalho teve início após a identificação de água com coloração escura e de um material pastoso, com aspecto semelhante a lodo, nas proximidades da Pequena Central Hidrelétrica (PCH) São Pedro.

As coletas foram planejadas considerando o tempo de deslocamento da água pelo rio. Inicialmente, as equipes concentraram o trabalho nos pontos mais próximos da Região Metropolitana de São Paulo. Nesta sexta-feira (4), o monitoramento avançou para áreas mais distantes, com coleta de água em dois pontos próximos à PCH São Pedro e também nos municípios de Porto Feliz, Tietê e Laranjal Paulista.

Na quinta-feira (3), exemplares de peixes mortos foram recolhidos e encaminhados para análise laboratorial.

A avaliação inicial da Cetesb aponta que o episódio pode ter sido influenciado pelo aumento da vazão do rio após as chuvas intensas registradas nesta semana. De acordo com o órgão, o aumento da vazão pode ter favorecido o deslocamento de matéria orgânica acumulada no leito dos reservatórios localizados na saída da Região Metropolitana de São Paulo.

A hipótese, no entanto, ainda não foi confirmada. As análises laboratoriais estão em andamento.

A Cetesb informou ainda que acompanha a situação em conjunto com a Empresa Metropolitana de Águas e Energia S.A. (Emae), responsável pela operação das barragens de Pirapora e Rasgão.

Emae cita aumento da vazão

A Emae também relacionou as fortes chuvas dos últimos dias ao aumento da vazão e da velocidade da água no rio Tietê.

Segundo a empresa, esse aumento pode provocar o revolvimento de matéria orgânica acumulada no leito de rios e córregos, fazendo com que o material fique temporariamente em suspensão. O fenômeno, conforme a Emae, é mais comum após períodos de estiagem ou de menor precipitação e pode ser observado ao longo do Tietê, que recebe água de diversos cursos d’água da Região Metropolitana de São Paulo.

A empresa afirmou que segue os protocolos técnicos estabelecidos para a operação de seus ativos no rio Tietê.

Prefeitura acompanha ocorrência

A Prefeitura de Salto informou, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, que foi acionada e esteve no local após a alteração da coloração da água.

Segundo a administração municipal, diante da presença de água com características inadequadas, é esperado que os peixes procurem áreas em melhores condições e se desloquem para os afluentes do rio. Esses cursos d’água, porém, teriam capacidade limitada e não comportariam simultaneamente uma grande concentração de peixes, o que poderia contribuir para a ocorrência de mortandade.

A Secretaria de Meio Ambiente informou que acompanha a situação e adota as providências cabíveis.

Enquanto as investigações e análises laboratoriais continuam, ainda não há confirmação sobre a causa da mortandade dos peixes. O procedimento instaurado pelo MPSP deverá apurar as circunstâncias da ocorrência e eventual responsabilidade.