População da RMS supera cinco estados e tem 2,2 milhões de habitantes

Região foi criada em 2014 e ganhou mais de 576 mil habitantes em 12 anos, um aumento aproximado de 34%

Por Caroline Mendes

Região Metropolitana de Sorocaba é mais populosa do que Rondônia, Tocantins, Acre, Amapá e Roraima

A Região Metropolitana de Sorocaba (RMS) ultrapassou a marca de 2,2 milhões de habitantes e já reúne uma população maior que a de cinco estados brasileiros. Formada por 27 municípios, a região alcançou 2.276.438 moradores, segundo as projeções populacionais para 2026 da Fundação Seade.

Com esse contingente, a RMS se consolida como a 15ª região metropolitana mais populosa do Brasil e supera, em população, Rondônia, Tocantins, Acre, Amapá e Roraima. A região também se aproxima de Sergipe, que possui população estimada em 2.299.425 habitantes.

O crescimento demográfico é expressivo desde a criação oficial da RMS, em 2014. Em 12 anos, a região ganhou mais de 576 mil habitantes, um aumento aproximado de 34%.

Um terço da população

A distribuição populacional, porém, é bastante desigual entre os municípios. Sorocaba lidera com ampla vantagem, com 769.891 habitantes — aproximadamente um terço de toda a população da região.

Sorocaba já tem uma população maior que a de nove das 27 capitais brasileiras. O município fica atrás apenas de Natal (RN), que tem população estimada em 784.249 habitantes, e supera Cuiabá (MT), Aracaju (SE), Florianópolis (SC), Porto Velho (RO), Macapá (AP), Boa Vista (RR), Rio Branco (AC), Vitória (ES) e Palmas (TO). O dado reforça a dimensão demográfica de Sorocaba, que se aproxima da população de uma capital estadual mesmo sem exercer essa condição administrativa.

Na sequência aparecem Itu, com 173.715 moradores; Itapetininga, com 163.321; Salto, com 145.454; Votorantim, com 135.071; e Tatuí, com 129.130.

Essas seis cidades, todas com mais de 100 mil habitantes, concentram aproximadamente 1,5 milhão de pessoas, o equivalente a cerca de 65% da população total da Região Metropolitana de Sorocaba.

Conurbação

O peso demográfico de Sorocaba se torna ainda mais expressivo quando considerado em conjunto com Votorantim. Os dois municípios estão inseridos em um processo avançado de conurbação, com áreas urbanas praticamente integradas.

Somadas, as populações das duas cidades chegam a 904.962 habitantes, formando uma das principais concentrações urbanas do interior paulista.

No outro extremo estão Jumirim, com 3.132 moradores; Alambari, com 6.373; e Tapiraí, com 8.122. São os três municípios menos populosos da RMS.

Eleitorado

O avanço populacional também se reflete no eleitorado. Em Sorocaba, o número de eleitores aptos a votar passou de 513.603 nas eleições de 2022 para 529.973 em 2026, segundo levantamento do jornalista independente Kaio Lopes, elaborado com base em dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O crescimento representa 16.370 novos eleitores em quatro anos, uma alta de 3,19%.

"Esse avanço representa um aumento absoluto de 16.370 novos eleitores no município, o que corresponde a uma taxa de crescimento de 3,19% em um período de quatro anos. Esse crescimento contínuo reflete a importância de Sorocaba como polo econômico e demográfico no interior de São Paulo, demandando maior atenção logística e estrutural para a organização das eleições municipais", afirma Kaio Lopes.

A expansão do eleitorado também levou ao aumento da estrutura de votação. Entre 2022 e 2026, Sorocaba ganhou 47 novas seções eleitorais. A média de eleitores por seção, entretanto, permaneceu praticamente estável, passando de 316,5 para 317,3 no período.

Criação

A Região Metropolitana de Sorocaba foi criada oficialmente em 2014, após quase uma década de articulações políticas e institucionais.

O primeiro projeto para a criação da região foi apresentado em 8 de outubro de 2005 pelo então deputado estadual Hamilton Pereira (PT), por meio do Projeto de Lei Complementar nº 33/2005. A proposta previa a criação da Região Metropolitana de Sorocaba e do Conselho de Desenvolvimento Metropolitano.

Anos depois, em 23 de dezembro de 2013, o então governador Geraldo Alckmin assinou uma mensagem encaminhando à Assembleia Legislativa um novo projeto com o mesmo objetivo, o Projeto de Lei Complementar nº 1/2014.

A proposta foi aprovada por unanimidade pelos deputados estaduais em 8 de abril de 2014. A Lei Complementar Estadual nº 1.241/2014 foi sancionada em maio daquele ano, criando oficialmente a RMS.

A região foi formada inicialmente por 26 municípios. Em 2016, Itapetininga foi incorporada ao grupo, elevando para 27 o número atual de cidades.

Economia e território

A RMS ocupa uma área de 11.611,34 quilômetros quadrados, equivalente a aproximadamente 5% do território do Estado de São Paulo.

A região possui forte presença industrial, agrícola e mineral e reúne municípios localizados em importantes eixos rodoviários, como as rodovias Castello Branco e Raposo Tavares. Entre as regiões metropolitanas paulistas, a RMS se destaca pela produção agropecuária e pela diversidade de sua economia.

O Produto Interno Bruto (PIB) da região alcançou R$ 77,9 bilhões em 2014, segundo dados do IBGE. Em 2013, o PIB dos municípios que compõem a região somava R$ 67,24 bilhões, equivalente a 3,46% de toda a riqueza produzida no Estado de São Paulo.

Polo demográfico

A evolução demográfica mostra a velocidade do crescimento da região desde sua criação. Em 2014, a RMS tinha aproximadamente 1,7 milhão de habitantes. O número passou de 2,1 milhões em 2018 e continuou crescendo nos anos seguintes, até chegar aos atuais 2.276.438 moradores projetados para 2026.

O crescimento transforma a RMS em um dos principais polos demográficos do interior paulista e amplia os desafios relacionados à mobilidade, saúde, habitação, saneamento, infraestrutura e planejamento urbano.

A Região Metropolitana de Sorocaba faz divisa com municípios vinculados às regiões metropolitanas de São Paulo, Campinas, Piracicaba e Jundiaí, reforçando sua posição estratégica entre diferentes áreas de influência econômica e urbana do Estado.

O levantamento foi elaborado com base em dados da Fundação Seade, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), da Assembleia Legislativa de São Paulo e em informações fornecidas pelo jornalista independente Kaio Lopes.