Boituva pede suspensão de voos de balão autorizados por Iperó

Município notifica extrajudicialmente prefeitura vizinha alegando risco às operações do Centro Nacional de Paraquedismo

Por Da Redação

Boituva afirma que os balões podem interferir na área restrita destinada aos saltos de paraquedismo

A Prefeitura de Boituva encaminhou uma notificação extrajudicial à Prefeitura de Iperó solicitando a revisão do Decreto Municipal nº 2.719/2026, que regulamenta a atividade de balonismo no município. Entre as medidas previstas está a autorização, em caráter excepcional, para voos no período da tarde entre os meses de maio e agosto.

Segundo a administração boituvense, a medida pode representar riscos às operações do Centro Nacional de Paraquedismo, um dos principais polos da modalidade no País.

Na notificação, Boituva argumenta que a autorização para voos vespertinos pode gerar conflitos com as atividades de paraquedismo realizadas na cidade. O município destaca que a região abriga a Área Restrita SBR-427, homologada pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) exclusivamente para lançamentos de paraquedistas, do solo até 14 mil pés de altitude.

A prefeitura sustenta ainda que os balões livres possuem capacidade limitada de manobra e dependem da direção dos ventos, o que impediria garantir que permaneçam fora da área destinada aos saltos. Diante desse cenário, Boituva pede a suspensão imediata dos voos vespertinos e defende que a discussão envolva a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o Decea e os operadores do setor, para que seja construída uma solução conjunta.

Em nota, a Prefeitura de Iperó informou que o Decreto nº 2.719/2026 tem como objetivo regulamentar, de forma ampla, a atividade de balonismo no município e não se limita à autorização de voos no período da tarde. A administração também ressaltou que a regulamentação da navegação aérea é competência privativa da União e afirmou ter recebido a notificação como uma contribuição para a análise dos riscos das atividades aeronáuticas na região.

Sobre o ponto questionado por Boituva, Iperó esclareceu que o decreto prevê voos vespertinos apenas em caráter excepcional e desde que não haja interferência no espaço aéreo destinado ao paraquedismo. O município acrescentou que operações desse tipo já ocorrem, de forma excepcional, em Boituva durante o Campeonato Brasileiro de Balonismo, o que, segundo a prefeitura, demonstra a viabilidade da atividade quando existe planejamento operacional.

Por fim, a administração de Iperó informou que, se necessário, condicionará a realização dos voos vespertinos à celebração prévia de acordos operacionais aprovados pelos órgãos responsáveis pelo controle do espaço aéreo. Acrescentou ainda que, durante o período de vacatio legis do decreto, que entra em vigor 30 dias após a publicação, esses entendimentos serão discutidos e alinhados com os órgãos e entidades competentes.