Chuvas agravam deterioração e prédio da Delegacia de Tietê é interditado

Unidade deixa de atender no imóvel após infiltrações comprometerem a estrutura; população passa a buscar serviços em cidades vizinhas enquanto Estado prepara reforma e município procura sede provisória

Por João Frizo

Chuva recente agravou problema de infiltração de água, com risco a policiais

Quem chega à Delegacia de Polícia de Tietê em busca de atendimento encontra as portas fechadas e um aviso afixado logo na entrada. O comunicado informa que, em razão dos “sérios alagamentos e infiltrações” provocados pelas chuvas, não há atendimento ao público na unidade. A partir de agora, moradores que precisarem dos serviços da Polícia Civil devem procurar a Delegacia de Jumirim ou, em casos específicos, a de Porto Feliz.

A interdição do prédio, localizado na rua Marcos Macruz, nº 655, ocorreu após as fortes chuvas que atingiram o município na última terça-feira (23). Embora a precipitação tenha acelerado o processo, o problema é mais antigo. Conforme apuração do Cruzeiro do Sul, a estrutura da delegacia já apresentava sinais de desgaste havia anos e sofria com infiltrações recorrentes sempre que chovia. Desta vez, porém, o volume de água foi suficiente para tornar inviável a permanência de servidores e o atendimento da população.

Em nota encaminhada ao Cruzeiro do Sul, a Polícia Civil confirmou que a decisão de interditar o prédio foi tomada para preservar a segurança de policiais civis e dos usuários da unidade. "A interdição do prédio da Delegacia de Polícia de Tietê foi uma medida necessária e responsável, adotada com o objetivo de preservar a saúde e a integridade física tanto dos policiais civis que atuam na unidade quanto, principalmente, da população que busca atendimento”, informou a corporação.

Segundo a instituição, o imóvel já não reúne condições adequadas de funcionamento em razão do tempo de construção e do avançado estado de deterioração. A Polícia Civil também esclareceu que ainda não é possível dimensionar a extensão dos danos existentes na edificação, especialmente nas instalações elétrica e hidráulica. Uma avaliação técnica mais detalhada deverá ocorrer somente quando forem iniciadas as obras de recuperação.

Problema antigo

A chuva foi o fator decisivo para a interdição, mas não a origem dos problemas. Segundo apuração da reportagem, a deterioração da delegacia já preocupava havia bastante tempo. Fontes ouvidas pela reportagem relataram que infiltrações eram frequentes e que, em dias de chuva intensa, a água chegava a invadir ambientes internos da unidade.

As condições estruturais vinham se deteriorando gradativamente e a necessidade de uma reforma já era conhecida pelos órgãos responsáveis. O episódio registrado nesta semana apenas acelerou um processo que, na prática, já demonstrava sinais de esgotamento.

De acordo com a Defesa Civil de Tietê, o município registrou um acumulado de 139 milímetros de chuva em apenas 24 horas, volume elevado que provocou infiltrações no prédio da delegacia.

Ainda conforme o órgão, uma vistoria foi realizada na tarde de quarta-feira (24), em conjunto com a Secretaria Municipal de Obras do município, para avaliar as condições da estrutura e definir as providências necessárias.

Deterioração

Na manhã desta sexta-feira (26), a reportagem do Cruzeiro do Sul esteve na sede da Delegacia de Polícia de Tietê e constatou de perto o estado de conservação do imóvel.

Na parte externa, o desgaste provocado pelo tempo chama a atenção. A fachada apresenta pintura desbotada e descascada em diferentes pontos. Nas paredes é possível observar marcas de umidade e infiltrações, além de sinais aparentes da falta de manutenção ao longo dos anos.

No interior da unidade, a situação também evidencia os efeitos da deterioração. As paredes apresentam descascamentos e manchas provocadas pela umidade, reforçando o quadro descrito pelos órgãos responsáveis.

Outro aspecto observado pela reportagem foi o estado do piso tátil instalado para orientação de pessoas com deficiência visual. Em diversos trechos, o material apresenta desgaste e deterioração, comprometendo as condições de acessibilidade do prédio.

Na entrada da delegacia permanece afixado o comunicado oficial que informa à população sobre a suspensão do atendimento presencial. O documento orienta que os moradores procurem outros canais de atendimento até que a situação seja normalizada.

Atendimento

Com a interdição do imóvel, os serviços da Polícia Civil precisaram ser redistribuídos para garantir a continuidade dos atendimentos. Segundo a Polícia Civil, os atendimentos presenciais passaram a ser realizados provisoriamente na Delegacia de Polícia de Jumirim.

Conforme apuração, as ocorrências envolvendo presos, bem como os plantões noturnos e de finais de semana, passaram a ser concentrados na Delegacia de Polícia de Porto Feliz.

Enquanto durar a transferência, os registros de boletins de ocorrência também podem ser realizados pela Delegacia Eletrônica, alternativa disponibilizada pela Polícia Civil para reduzir os impactos causados pela mudança temporária.

A redistribuição dos atendimentos evita a interrupção dos serviços, mas obriga moradores de Tietê a se deslocarem para municípios vizinhos sempre que houver necessidade de atendimento presencial.

Reforma

A necessidade de recuperação do prédio não surgiu após as chuvas desta semana. Segundo apurado, já existe um projeto de reforma elaborado para a delegacia. A expectativa é que, diante da situação atual, os trâmites recebam prioridade para que as intervenções sejam iniciadas o quanto antes.

Em nota, a Polícia Civil informou que a Delegacia Seccional de Sorocaba acompanha a situação em conjunto com os órgãos competentes do Estado e do Município para viabilizar uma solução definitiva.

Ainda segundo a instituição, todos os esforços estão concentrados para restabelecer os serviços em um local que ofereça plenas condições de segurança, acessibilidade e atendimento à população.

Paralelamente, a reportagem apurou que a Prefeitura de Tietê trabalha na busca de um imóvel que possa abrigar provisoriamente a Delegacia de Polícia até a conclusão da reforma da sede atual.

Prefeitura

Em nota, a Prefeitura informou que, desde o início de 2025, vem atuando em parceria com a Secretaria de Segurança Pública e a Polícia Civil para viabilizar uma solução definitiva para a unidade.

De acordo com a administração municipal, o Município elaborou o projeto de engenharia da obra, assumiu formalmente o compromisso de custear 50% do investimento e garantiu a previsão dos recursos necessários no orçamento municipal.

Ainda segundo a Prefeitura, o convênio para execução das obras encontra-se em fase avançada de tramitação, já tendo recebido aprovação dos setores técnicos competentes, inclusive da Polícia Civil do Estado de São Paulo. No momento, o processo aguarda apenas a formalização pela Secretaria da Segurança Pública do Estado, que já possui previsão orçamentária para a intervenção.

A Polícia Civil informou que a Delegacia Seccional de Sorocaba acompanha a situação em conjunto com os órgãos competentes do Estado e do Município para viabilizar uma solução definitiva.

Segundo a corporação, todos os esforços estão concentrados para restabelecer os serviços em um local que ofereça plenas condições de segurança, acessibilidade e atendimento à população.

A Administração Municipal afirmou que continuará acompanhando a situação por meio da Defesa Civil e das demais secretarias envolvidas, mantendo cooperação permanente com os órgãos estaduais para que os serviços sejam restabelecidos o mais rapidamente possível.