Espuma branca volta a cobrir trecho do Rio Tietê em Salto
Fenômeno registrado nesta quarta-feira (13) está ligado à poluição e ao despejo de esgoto sem tratamento, segundo órgãos ambientais
Imagens aéreas registraram, nesta quarta-feira (13), o Rio Tietê coberto por uma camada de espuma branca em Salto, na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS). O fenômeno aconteceu em trechos próximos às corredeiras — trecho de rio com águas rápidas e rasas — e chamou a atenção de moradores e motoristas que passaram pela região.
A espuma é recorrente e tende a se intensificar durante o período de estiagem, quando a vazão do rio diminui e a concentração de poluentes aumenta. Registros semelhantes ocorreram em julho de 2022, julho de 2024, maio de 2025, julho de 2025, agosto de 2025 e maio de 2026, evidenciando a repetição do problema ao longo dos últimos anos.
Segundo a Organização Não Governamental (ONG) SOS Mata Atlântica, ela é causada principalmente pela poluição do rio, especialmente pelo despejo de esgoto doméstico sem tratamento adequado. Em períodos de estiagem, quando a vazão da água fica mais baixa, substâncias presentes em produtos de limpeza, como detergentes e sabão em pó, se acumulam no rio e, ao entrarem em contato com o oxigênio nas corredeiras, formam a espuma branca.
De acordo com a prefeitura de Salto, a espuma registrada no município é resultado da poluição lançada no rio na Grande São Paulo. O município explicou que o fenômeno acontece todos os anos e que as quedas d’água características do trecho de Salto favorecem a formação da espuma.
A administração municipal afirmou que a Secretaria de Meio Ambiente acompanha a situação e participa de reuniões dos Comitês da Bacia Hidrográfica e de grupos que discutem medidas para melhorar a qualidade da água do Rio Tietê. Técnicos da cidade também integram o FIAR-Tietê, fórum ligado ao Programa Integra Tietê, do Governo do Estado de São Paulo, que reúne ações de recuperação do rio.
Monitoramento
A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) informou que monitora continuamente a região. Segundo o órgão, o período de estiagem dos últimos dias, seguido pelas chuvas registradas no domingo (10), aumentou a vazão da água. Em locais como Salto, onde há maior movimentação nas corredeiras, esse cenário também contribui para a formação da espuma em alguns pontos do rio.
O problema é agravado pela carga de poluição que chega ao Rio Tietê a partir da Região Metropolitana de São Paulo. Além do impacto ambiental, a espuma pode liberar gases prejudiciais à saúde em algumas situações. (Maria Clara Campos - Programa de Estágio)