Acusado de matar e esquartejar haitiana pode ter fugido do Brasil
A Polícia Civil aponta o ex-marido da haitiana Esther Estinor como principal suspeito da sua morte. Ele pode ter fugido do Brasil usando o dinheiro de uma indenização trabalhista. O corpo dela foi achado no Jardim Tatiana, em Votorantim, sem a cabeça e os braços.
O delegado da Delegacia de Homicídios da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Sorocaba, Camilo Veiga, comentou o andamento das investigações ontem (17) à tarde. O feminicídio foi marcado por extrema violência e a cabeça e os braços ainda são procurados.
De acordo com o delegado, as investigações indicam que houve tentativa de dificultar a identificação da vítima. A polícia concentra os esforços na localização do ex-companheiro, também haitiano, Charles Anglade.
Segundo a investigação, Esther já possuía medida protetiva que impedia o homem de se aproximar dela. O relacionamento entre os dois era conturbado e, conforme relatos de testemunhas, marcado por brigas frequentes e episódios de agressão.
A Polícia Civil solicitou a prisão preventiva de Charles, que foi decretada pela Justiça. Há ainda a possibilidade de fuga do País, pois ele, além de ser haitiano, já morou no Chile. Por isso, a Polícia Federal foi acionada e alertas foram emitidos em fronteiras e aeroportos, inclusive para a Interpol.
As apurações indicam que o crime pode ter ocorrido no dia 8 de março, data em que se celebra o Dia Internacional das Mulheres. Testemunhas relataram que o suspeito foi visto saindo de uma área de mata, carregando uma enxada e com vestígios de sangue.
A hipótese de que a mutilação possa ter relação com práticas culturais foi considerada, mas, segundo o delegado, ainda não há qualquer comprovação que sustente essa linha.
A vítima tinha três filhos, sendo um deles do relacionamento com Charles. Ele havia sido demitido há pouco tempo e estaria com cerca de R$ 7 mil em dinheiro.