Rompimento de tubulação de ferro deixa 85% dos imóveis de Salto sem água

Moradores relatam que problemas de abastecimento ocorrem há quase um ano

Por Da Redação

Tubulação de ferro que estourou

Moradores de Salto, na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS), relatam enfrentar problemas constantes de abastecimento de água há quase um ano. Na manhã desta quarta-feira (28), a situação foi agravada após o rompimento de uma tubulação de ferro no interior da galeria de água da ETA Bela Vista, responsável pelo abastecimento de cerca de 85% dos imóveis do município. O problema deixou diversos bairros sem água.

No bairro Bela Vista, a interrupção ocorre diariamente, em horários previsíveis, comprometendo atividades básicas como higiene, alimentação e limpeza doméstica, além de impactar o comércio local.

Segundo o auditor de qualidade Rafael Castelo, de 46 anos, a água chega por poucas horas ao dia. “A água vem por volta das seis da manhã e, às nove, já para. Volta às seis da tarde e, às nove da noite, acaba novamente. Nos finais de semana, passamos praticamente o dia todo sem água”, relata.

A situação obriga os moradores a improvisar. Rafael conta que a família precisa armazenar água em recipientes sempre que o abastecimento retorna. “Tenho minha mãe de 70 anos em casa. A gente guarda um pouco de água para conseguir atender às necessidades dela”, afirma. A rotina doméstica também foi alterada: banhos precisam ser cronometrados, roupas são acumuladas para lavar à noite ou de madrugada, e a limpeza da casa fica comprometida.

O problema não atinge apenas residências. Comerciantes da região também relatam prejuízos. “Muitos estabelecimentos sofrem porque não têm água nem para os clientes utilizarem o banheiro”, destaca o morador.

De acordo com Rafael, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) chegou a implantar um sistema de rodízio, mas ele não estaria sendo cumprido. “Mesmo nos dias em que deveria ter água pelo rodízio, ela não chega”, afirma.

Rompimento de tubulação agravou a situação

Segundo o SAAE, o reparo foi concluído por volta das 21h desta quarta-feira (28) e durou pouco mais de oito horas, mobilizando dezenas de servidores. A autarquia informou que a complexidade do serviço se deu pelo espaço confinado, estreito e de difícil acesso no interior da galeria.

“Após testes, a estação de tratamento retomou as operações, e os reservatórios começaram a redistribuir água aos bairros a partir das 4h da manhã. Caminhões-pipa estão sendo utilizados para dar suporte em algumas ruas”, diz a nota.

Ainda de acordo com o SAAE, os reflexos da paralisação devem ser sentidos por até dois ou três dias, com interrupções mais frequentes para a recuperação do nível dos reservatórios. “O SAAE lamenta o ocorrido e agradece a compreensão da população.”

Enquanto isso, moradores cobram soluções definitivas. “A gente entende emergências, mas ficar quase um ano nessa situação é muito difícil”, conclui Rafael.