Rio Sorocaba se torna opção de lazer e aventura na região de Cerquilho

Por Cruzeiro do Sul

Descida tem cerca de quatro quilômetros e meio, com águas tranquilas intercaladas por corredeiras de nível médio


Nos dias de calor, atividades ao ar livre que envolvem água e contato direto com a natureza passam a atrair mais pessoas. Na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS), o rafting tem sido procurado por famílias e grupos de amigos, principalmente durante as férias. Em Cerquilho, a descida pelo rio Sorocaba reúne visitantes que buscam passar algumas horas no rio, longe da rotina do dia a dia.

O percurso acontece em um trecho do rio Sorocaba que corta o município e a divisa com a cidade de Jumirim. A descida tem cerca de quatro quilômetros e meio, com águas tranquilas intercaladas por corredeiras de nível médio, além de trechos mais calmos que permitem pausas para descanso e banho. A duração média da aventura é de pouco mais de uma hora, sem contar o tempo de preparação, orientações iniciais e deslocamentos. A condução da descida é feita por guias que conhecem o percurso onde a modalidade acontece.

Um dos profissionais da Eko Natural, empresa responsável pela aventura, é o cerquilhense Alysson Nathan Ferreira dos Santos, cuja história pessoal tem relação direta com o rio desde a infância. “O rio Sorocaba tem um significado importante para mim, porque foi ali que aprendi a nadar, perdi o medo dos rios, foi minha primeira piscina. Morei por um bom tempo no bairro Ferroligas e passei toda a minha infância ali”, relata.

Ainda segundo ele, a aproximação com o rafting veio mais tarde. “Depois, quando vim morar em Cerquilho, conheci o Alexandre, que dava aulas de rafting pela prefeitura, e comecei a conhecer a atividade. Eu já era apaixonado pelo rio, e ele me ajudou a iniciar esse caminho. A partir disso, tive vontade de me tornar guia, e foi assim que entrei na área.”

Foi esse o programa escolhido pela advogada Letícia Tenório Celisberto, moradora de São Bernardo do Campo, no Grande ABC, que chegou ao rafting a partir de um presente de aniversário do marido, o eletricista Gabriel Garcia. A ideia inicial incluía o passeio pelo rio e um voo de balão, em Boituva. O que seria uma comemoração a dois acabou se transformando em um dia em família. “Além do meu marido, vieram comigo minha mãe, meu padrasto, minha irmã, meu cunhado e o filho do meu cunhado.”

Segundo Letícia, a experiência foi marcada pela convivência com a natureza e por momentos que tornaram o passeio diferente da rotina. “Achei muito legal a vivência, além conexão com o meio ambiente. No final do trajeto, quando estávamos nadando e começou a chover, foi um momento único. Valeu muito a pena.” Ela destaca ainda que o grupo não conhecia a região. “Foi a primeira vez que viemos para cá. Fomos motivados pelos passeios e gostamos de tudo que vimos.”

A escolha por Cerquilho

Com mais de 16 anos de atuação no mercado, a Eko Natural, empresa administrada pelo casal Alexandre Henrique e Alessandra de Fátima Feaulin Vieira, moradores de Cerquilho. Segundo Alessandra, um dos motivos para a escolha da cidade foi a logística do percurso. “O trecho do rafting se inicia no local conhecido como Ponte da Ferroligas ou Ponte da Represa. Nesse ponto, o rio divide os municípios de Cerquilho, na margem esquerda, e Jumirim, na margem direita. O acesso é público e facilitado pelas estradas vicinais que ligam as duas cidades.”

De acordo com Alexandre, as características do rio Sorocaba permitem ajustar a descida conforme o perfil do grupo atendido. “Atendemos desde iniciantes até praticantes mais experientes. Normalmente são famílias, grupos de amigos e empresas que nos procuram para lazer ou atividades ao ar livre.” Segundo ele, a hidrografia do rio possibilita dosar a intensidade do percurso. “Quando atendemos famílias, fazemos uma linha d’água mais tranquila. Com um público adulto e jovem, a descida pode ter mais emoção”.

Procura regional

Segundo os proprietários, o perfil dos participantes mudou nos últimos anos. “Houve um tempo em que cerca de 90% do público vinha de São Paulo. Depois da pandemia, cidades da região como Campinas, Piracicaba e Itapetininga, passaram a procurar mais a modalidade. Hoje, ainda recebemos muita gente da capital, mas a participação regional cresceu bastante.” Outro ponto destacado é a possibilidade de realizar a prática ao longo do ano. “O rio Sorocaba tem uma hidrografia que permite a realização do rafting em todas as estações”, conclui. (Valéria Amoris)