Marmitas de servidores geram crise em Votorantim e Câmara cobra explicações

Por Thaís Marcolino

O fornecimento de marmitas para os servidores de Votorantim tem sido alvo de reclamações nas últimas semanas

O fornecimento de marmitas para os servidores de Votorantim tem sido alvo de reclamações nas últimas semanas. Eles questionam as mudanças no cardápio, bem como a qualidade e a quantidade da comida. A situação chegou à Câmara Municipal, que abriu um requerimento solicitando explicações à prefeitura. O governo votorantinense, por sua vez, decidiu criar uma força-tarefa para fiscalizar a empresa contratada para o serviço.

Sandro Augusto Barbosa, servidor do transporte escolar, contou ao Cruzeiro do Sul que o problema teve início em outubro, após a prefeitura anunciar medidas de contenção de gastos. Entre elas, estava a redução da carga horária de alguns setores para que, justamente, a alimentação deixasse de ser fornecida. No dia 8, em publicação no portal municipal, os colaboradores da Secretaria de Educação com jornada de até seis horas foram informados de que a suspensão da alimentação seria mantida.

Na segunda-feira (20), tanto Sandro quanto os demais 24 funcionários do transporte escolar receberam marmitas com arroz, feijão, creme de batata e calabresa fatiada. “Antes, a marmita tinha um cardápio variado e bem melhor. Nunca tínhamos passado por isso”, afirma o servidor, de 56 anos. Na programação mensal que eles recebem, estava previsto para aquele dia arroz, feijão, isca de carne à milanesa e purê de batata. “São 21 anos de dedicação à minha profissão, que é de grande responsabilidade, pois transportamos vidas e não merecemos ser tratados assim”, desabafa.

A insatisfação chegou à Câmara com a apresentação de um requerimento do vereador Fernando Fernandes (PP). Conforme o parlamentar, durante a sessão ordinária de 14 de outubro, as diversas reclamações poderiam indicar que o serviço havia sido interrompido por inadimplência contratual da prefeitura, que estaria em débito com a Cozinha da Chef — empresa contratada — em valores superiores a R$ 500 mil, inviabilizando a continuidade da prestação.

A partir disso, Fernandes abriu o requerimento pedindo informações detalhadas sobre o pagamento à empresa, as alterações na quantidade de refeições fornecidas, a forma de comunicação da redução, os impactos financeiros e o prazo de vigência contratual. O vereador também solicita esclarecimentos sobre planos de nova contratação, incluindo modalidade de licitação, cronograma e critérios técnicos para definição da quantidade de marmitex a ser adquirida. Todos os requerimentos encaminhados à prefeitura têm prazo regimental de 15 dias para serem respondidos.

Procurada pelo Cruzeiro do Sul, a Cozinha da Chef confirmou que os atrasos nos repasses referentes aos meses de agosto e setembro de 2025 provocaram ajustes operacionais. “Essa situação exigiu adaptações temporárias, mas a empresa tem mantido o mesmo compromisso com o padrão de preparo, controle e entrega adotado desde o início do contrato, sempre dentro das exigências da prefeitura.”

Em nota, a empresa informa ainda que um plano de retomada total das condições anteriores será colocado em prática assim que os pagamentos pendentes forem regularizados, “o que permitirá restabelecer integralmente a estrutura operacional e de insumos utilizada anteriormente”.

A Prefeitura de Votorantim, por sua vez, também foi questionada sobre o repasse à empresa e o prazo para resolução do problema, mas respondeu apenas que “os valores pendentes serão quitados conforme a ordem cronológica de exigibilidade, em conformidade com a legislação vigente”.

Força-tarefa

A repercussão do caso fez com que a prefeitura criasse uma força-tarefa para fiscalizar a empresa Cozinha da Chef. A Comissão de Fiscalização da Empresa de Marmitex, instituída pela Portaria nº 22.713/2025, publicada em 14 de outubro, é composta por 14 servidores públicos municipais, incluindo fiscais sanitários, nutricionistas, secretários e chefes de setor. O objetivo é acompanhar e avaliar o processo de produção das refeições. A primeira visita, segundo os gestores públicos, deve ocorrer nesta semana.

Questionada sobre a fiscalização, a Cozinha da Chef informou receber a notícia com total tranquilidade e transparência. “Entendemos que a fiscalização é uma ferramenta legítima de gestão pública e uma oportunidade de comprovar a regularidade e a seriedade do serviço prestado. Nossas portas sempre estiveram abertas para qualquer verificação técnica ou documental”, finaliza. (Thaís Marcolino)