Salto cria comitê para enfrentar crise hídrica
Saae monitora situação diariamente e, por enquanto, não vê necessidade de racionamento
O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Salto anunciou a criação de um Comitê de Crise e Solução Hídrica, em resposta ao agravamento da situação de escassez de água que afeta a cidade e região. A iniciativa, adotada no dia 6 de setembro, visa coordenar ações emergenciais para mitigar os impactos da seca prolongada que tem comprometido o abastecimento local. Entre as principais medidas, estão previstas reuniões diárias para monitorar o sistema hídrico e o envio de caminhões-pipas para as áreas mais afetadas pela falta de água.
Em 2021, Salto foi um dos municípios mais prejudicados pela escassez de água, assim como Itu e outras cidades vizinhas. À época, a população enfrentou longos períodos de rodízio e racionamento, cenário que muitos temem se repetir em 2024, devido à intensificação da estiagem. A autarquia, informou, no entanto, que “não será aplicado rodízio nem racionamento de água na cidade”, acrescentando que “diante da estiagem das últimas semanas, houve uma ligeira queda nos níveis dos nossos mananciais, mas que não compromete a captação, tratamento e abastecimento da população”.
A última chuva registrada no posto pluviométrico da Estação de Tratamento da Água (ETA) Bela Vista, em Salto, foi em 25 de agosto — um total de apenas 9,2 milímetros. Porém, o calor e secura intensa, somados à poluição das queimadas, elevam o consumo de água em todas as regiões da cidade. “Em dias de chuva e com temperaturas mais amenas, a tendência é que o consumo caia e os reservatórios de água consigam se sustentar bem, sem a necessidade de fechamentos pontuais para recuperação. Existe a previsão de chuva para a próxima segunda-feira (17), o que pode trazer um alívio a essa situação”, informa a Saae de Salto, em nota.
Nas reuniões diárias, o comitê vai envolver as diretorias técnica, operacional, comercial (de atendimento), superintendência e ouvidoria. Segundo o Saae, a criação do comitê foi pensada para agilizar e tornar mais efetivas as ações de enfrentamento à falta de água decorrentes do consumo maior, e, eventualmente, perdas (vazamentos) na rede que estejam derrubando a pressão da água na chegada às residências. Além disso, estão previstos o mapeamento e o monitoramento das áreas com maior incidência e risco de desabastecimento devido à tubulação, geografia — pontos mais altos e finais da rede — e demografia.
Preocupação
A estudante Rayssa Fleming, moradora de Salto, relata que, desde a criação do comitê, sua casa não sofre com vazamentos, escassez e falta de água. “Acredito que, com esse novo projeto, chegue água para mais casas. Mas, do mesmo jeito, me preocupo de não chegar, tudo pode ser uma surpresa, né!”, pondera a estudante.
O Saae conclui que “são problemas localizados e que as equipes técnica e operacional, a ouvidoria e a superintendência estão diariamente nas ruas, em monitoramento interno e externo, para buscar soluções e levar suporte emergencial de água às ruas que estão sendo mais afetadas nesse período”.
O advogado ambiental Bruno Baldi, especialista em implantação, manutenção, treinamento e atualização de sistemas de gestão ambiental, alertou sobre a importância de políticas públicas de longo prazo para evitar colapsos nos sistemas de abastecimento. “O Comitê de Crise é uma resposta emergencial importante, mas é necessário ir além e pensar em soluções de captação e armazenamento de água, reuso e conscientização da população para um consumo mais sustentável”, alertou. Ele destacou, ainda, que medidas estruturais, como novos reservatórios e recuperação de nascentes, são fundamentais para garantir segurança hídrica nos próximos anos.
Problemas em Itu
Em Itu, os moradores vivem a incerteza de um novo racionamento. Muitos relatam problemas de abastecimento nos últimos meses, especialmente em bairros mais afastados e áreas altas, que dependem de uma maior pressão no sistema para garantir o fornecimento regular. A estudante Laís Fernanda Barbieri, residente em Itu, disse que está ocorrendo rodízio de água no bairro em que mora. “Quase nunca falta água, mas, quando falta é questão de dois a três dias. Já outros bairros afastados ficam quatro ou cinco dias sem água”, relata. Ela acredita “que estejam controlado o rodízio hídrico”. “Deu uma boa racionada. Não ouvi ninguém reclamar, mas, às vezes, ainda há falta”, completa.
Segundo a Prefeitura de Itu, não há escassez hídrica na cidade, “devido ao trabalho constante de investimentos no abastecimento, desde a criação da Companhia Ituana de Saneamento (CIS), há sete anos e nove meses”. “A cidade de Itu atingiu o equilíbrio hídrico e resiste sem racionamento, mesmo diante da pior crise climática da história”. Em nota, a administração municipal ituana informou que “diferentemente de outros períodos, hoje Itu possui cerca de 50% de água em média nos seus reservatórios, sendo que as três principais captações seguem com 100% de capacidade e o novo sistema Utu-Guaçu já opera com a sua primeira bomba para reforçar o fornecimento”. (João Frizo / programa de estágio)