15 trabalhadores são resgatados de situação análoga à escravidão em Boituva
Grupo trabalhava em condições precárias num alojamento de usina de álcool e açúcar
Um grupo de 15 trabalhadores foi resgatado nesta segunda-feira (9) em um alojamento de uma usina de álcool e açúcar, em Boituva. Os homens, vindos de Alagoas, Pernambuco, Bahia e do interior de São Paulo, foram levados para trabalhar na usina, mas viviam em condições precárias.
A denúncia foi feita pelos próprios trabalhadores ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Eles relataram que estavam há três meses sem registro em carteira, pagando R$ 300,00 por aluguel e energia, sem acesso à água potável e vivendo em alojamentos que mais pareciam "depósitos de lixo".
Após a fiscalização, foi determinado que os contratantes paguem todos os direitos trabalhistas devidos, registrem os trabalhadores formalmente e custeiem as passagens de retorno para aqueles que desejarem voltar aos seus estados de origem.
Em contato com o Cruzeiro do Sul, o chefe regional do Setor de Inspeção do Trabalho (Seint) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Ubiratan Vieira, informou que a usina assegurou o pagamento dos trabalhadores e que isso deve ocorrer no máximo até sábado (14).
Segundo Ubiratan, "só este ano em Sorocaba e região, mais de 200 trabalhadores foram trazidos dos mais diversos estados do Brasil para a área rural e também para a construção civil, nesses casos, os trabalhadores são trazidos sem experiência nenhuma, sem exame admissional decente ou na maioria das vezes não fazem nem exame".
Dados e Denúncias
Trabalhos análogos à escravidão podem ser denunciados de forma remota e sigilosa através do Sistema Ipê: https://ipe.sit.trabalho.gov.br/#!/.
As informações e dados oficiais sobre as ações de combate ao trabalho análogo à escravidão no Brasil estão disponíveis no Radar da Inspeção do Trabalho: https://sit.trabalho.gov.br/radar/. (Murilo Aguiar - programa de estágio)